quinta-feira, 24 de abril de 2008

SCP ou uma Nova Expressão


"O conselho de administração da Sporting SAD cooptou para administrador não executivo Pedro Baltazar, que assim vai ocupar a vaga que estava em aberto desde a saída de Carlos Freitas.

Segundo informação da Sporting SAD, Pedro Baltazar, que é o líder da empresa Nova Expressão - agência de meios de publicidade, criada em 1994 - vai assumir as funções de imediato no organismo em que já estavam o presidente Filipe Soares Franco, Miguel Ribeiro Teles, Rita Figueira e Pedro Mil Homens.

A Nova Expressão, de que Pedro Baltazar é administrador e dono (com 99,99 por cento do capital), é um dos maiores accionistas da Sporting SAD, detendo actualmente uma posição de 10,24 por cento, após a compra fora de bolsa, de um importante lote de acções, no início do mês." In jornal Record

Num texto colocado aqui anteriormente justificámos o nosso regresso ao combate face ás convulsões do presente e ás movimentações que se prespectivam vir a deformar o futuro do nosso Clube. Chegou mais cedo do que esperávamos mas aí está a Nova Expressão do Sporting Clube de Portugal!

Mas quem é a Nova Expressão?
A resposta institucional aqui e aqui, não dizem tudo mas transmitem algumas pistas.

FACTOS:

=>Pedro Baltazar aparenta ser um Sportinguista genuíno, inteligente e atento, assiduo em todas as AG de sócios e accionistas.

=>O nova expressão tem como clientes principais o grupo Lusomundo e Controloinvest de Joaquim Oliveira.

=>O filho de Joaquim Oliveira, Rolando Oliveira já faz parte do Conselho de administração da Sporting Multimédia.

=>O último relatório e contas publicado em Junho de 2007, pagina 10 noticiava que em termos de participações qualificadas, os accionistas estavam assim ordenados:
Sporting SGPS 12596222 acções - 60,0% direitos de voto
Sporting CP 3430010 acções - 16,3% direitos de voto
Sportinvest SGPS 2134770 acções - 10,2% direitos de voto
Nova Expressão 802500 acções - 3,8% direitos de voto

=>A Nova Expressão aumentou actualmente a sua participação qualificada até aos 10,24% direitos de voto.

=>Tem vindo a ser noticiado por parte do conselho directivo a vontade em passar os activos Academia e Estádio para a SAD, ver aqui.

=>As acções foram alienadas pela sgps

Assunto a desenvolver em próximas publicações!

1906

Luta & Resiste!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Associação Adeptos Sportinguistas

"Caros amigos,

Venho pelo presente email anunciar que foi registada, no passado dia 9 de Abril, a Associação de Adeptos Sportinguistas (AAS - lê-se "ás"), da qual faço parte.

Os nossos principais objectivos passam por dinamizar aquilo que hoje consideramos totalmente letárgico - o associativismo no desporto e a realização individual do direito à opinião e à participação cívica naquela que é, hoje, uma das maiores associações desportivas do país - Sporting Clube de Portugal.
Neste sentido, procuraremos organizar eventos de debate de maior ou menor dimensão, consoante os objectivos que se pretendam atingir e que passam por Conferências, Seminários, Fórum ou Congressos. Eventos onde a liberdade de opinião seja um factor determinante.
Desta forma, esperamos que as pessoas sintam que a sua participação na vida do clube ainda é possível e que ainda conseguem fazer chegar a sua visão a alguém, ao mesmo tempo que se incentiva o debate sobre o Sporting Clube de Portugal, procurando trazer as pessoas de volta à vida do clube e à discussão do mesmo. Este é o factor fundamental para a Associação ser de adeptos e não apenas de sócios. É do entendimento comum que o SCP perdeu imensos sócios nos últimos anos e, com isso, parte da sua massa crítica. Com este projecto, procuraremos trazer os adeptos de volta ao debate e, quem sabe, por via de novo envolvimento na vida do clube, estes mesmos adeptos se pretendam (re)filiar no SCP.
A preocupação com o estado dos diversos núcleos do Sporting está também nas nossas cogitações, sendo que para o efeito procuraremos dinamizar acordos com diversas entidades, por exemplo, do sector dos transportes (ex: CP) para que os sócios da AAS tenham descontos para irem ver o Sporting, seja a Lisboa, a Setúbal ou a Guimarães.

Adicionalmente, iremos promover eventos de lazer, designadamente ao nível de jantares-convívio celebrando determinadas efemérides, para promover o Sportinguismo e a História do clube.

Ao nível interno, manteremos o carácter crítico, incisivo contudo objectivo sobre a política de gestão desportiva praticada no clube, sobretudo nos reflexos, nesta, decorrente da visão puramente economicista do Desporto em Alvalade.

Uma vez que consideramos que grande parte dos problemas de topo do futebol nacional não são exclusivos do país, antes reflexos da conjuntura económica e desportiva na Europa desportiva, estamos a trabalhar com entidades reconhecidas internacionalmente, tenham ou não um carácter similar ao nosso.

Gostaríamos que se sentisse confortável para nos enviar as suas propostas e críticas, sempre que considere adequado,bem como participar nos diversos eventos que promoveremos. Procuraremos receber o maior número de contributos e visões sobre estas problemáticas pois acreditamos que conseguiremos fazer um trabalho de superior qualidade dessa forma.

Desafiaremos outros a seguirem-nos, sobretudo a começar pelos outros dois grandes clubes nacionais...

Dia 24 de Maio está próximo...marque a tarde na sua Agenda!

Associação de Adeptos Sportinguistas"


1906

Luta & Resiste!

Moralidades...


Também somos da mesma opinião, há que denunciar quem faz pressão sobre os árbitros de forma a condicioná-los nas partidas que vão apitar.
Urge denunciar quem através de meios mais subterrâneos atinge os seus objectivos.
Publicamos por isso uma serie de conversas telefónicas tornadas públicas no âmbito do processo Apito Dourado:

Partes das escutas telefónicas onde é interveniente Luís Filipe Vieira. Os seus interlocutores são Valentim Loureiro e Pinto de Sousa

Luís Filipe Vieira (LFV) - Eu não quero entrar mais em esquemas nem falar muito... (...)
Valentim Loureiro (VL) - Eu penso que ou o Lucílio... o António Costa, esse Costa não lhe dá... não lhe dá nenhuma garantia?
LFV - A mim?! F.., o António Costa? F... Isso é tudo Porto!
VL - Exacto, pronto! (...) E o Lucílio?
LFV - Não, não me dá garantia nenhuma o Lucílio!
VL - E o Duarte?
LFV - Nada, zero! Ninguém me dá!... Ouça lá, eu, neste momento, é tudo para nos roubar! Ó pá, mas é evidente! Mas isso é demasiado evidente, carago! Ó major, eu não quero nem me tenho chateado com isto, porque eu estou a fazer isto por outro lado. (...)
VL - Talvez o Lucílio, pá!
LFV - Não, não quero Lucílio nenhum! (...)
VL - E o Proença?
LFV - O Proença também não quero! Ouça, é tudo para nos f...!
VL - E o João Ferreira?
LFV - O João... Pode vir o João. Agora o que eu queria... (...) Disseram que era o Paulo Paraty o árbitro... O Paulo Paraty! Agora, dizem-me a mim, que não tenho preferência de ninguém (...) à última hora, vêm-me dizer que já não pode ser o Paulo Paraty, por causa do Belenenses.

Pinto de Sousa - A única coisa que eu tinha dito ao João Rodrigues é o seguinte... É pá, há quinze [dias] ou três semanas, ele perguntou-me: "Quem é que você está a pensar para a Taça?"... Eu disse: "Estou a pensar no Paraty"...
VL - Bem, o gajo está f... (...) O Paraty então não consegues, não é?
PS - O Paraty não pode ser. (...) Até para os árbitros restantes, diziam assim: "É pá, que diabo, este gajo tem tantos internacionais e não tem mais nenhum livre, pá?!". (...)
VL - Eu nem dá para falar muito ao telefone, que ele começa para lá a desancar. (...) Mas qual é o gajo que o Porto não quer?! O Porto quere-os todos, pá! Qualquer um lhe serve!
PS - É... Por acaso é verdade...
VL - O Porto quer lá saber disso!
PS - Se é o Lucílio... Se fosse o Lucílio, era o Lucílio, se fosse o António Costa, era o António Costa...
VL - Ao Porto qualquer um serve!



"Apito Dourado
Pinto da Costa indicou árbitro para a final da Taça de 2002/2003
Por :
09.09.2006
Uma situação idêntica à verificada com Luís Filipe Vieira - que, conforme o PÚBLICO ontem noticiou, escolheu o árbitro que devia estar presente nas meias-finais da Taça de Portugal, na época 2003/2004 - aconteceu com Pinto da Costa, na final da Taça da época anterior. No entanto, nessa conversa, onde Pinto da Costa sugere a Pinto de Sousa, presidente do Conselho de Arbitragem da Federação, a indicação do nome de Pedro Henriques, árbitro de Lisboa, o procurador de Gondomar viu indícios de crime. Aliás, foi essa uma das situações pelas quais o presidente dos azuis e brancos foi indiciado e que motivaram a sua detenção, até ser ouvido em primeiro interrogatório, em Dezembro de 2004.

Na mesma escuta, que aconteceu a 26 de Maio de 2003 e que antecedeu a final FC Porto-União de Leiria, Pinto da Costa conversou com Pinto de Sousa sobre a possível nomeação de Isidoro Rodrigues. O presidente do Conselho de Arbitragem deu-lhe conta de que a nomeação não agradava ao presidente dos leirienses, João Bartolomeu, e que este ameaçara fazer um escândalo quando soube que aquele árbitro seria o designado. "O gajo sabe que está para ser o Isidoro... e disse que a equipa não comparece, (...) que é um escândalo. (...) Se o gajo vai para lá todo f... da cabeça, estraga a festa", alertava Pinto de Sousa, sugerindo a Pinto da Costa que pensasse noutra opção.

Na mesma escuta telefónica, transcrita no processo principal do Apito Dourado, o líder dos azuis e brancos apresenta outras hipóteses para o mesmo jogo. Primeiro sugere o árbitro António Costa, depois Pedro Henriques. A escolha acaba por recair no segundo, depois de Pinto da Costa entender ser aquele o árbitro ideal, por ser o primeiro classificado pelo Conselho de Arbitragem. Mas Pinto da Costa diz também a Pinto de Sousa que pode mudar o nome, se assim o entender. "Por mim, estás à vontade. Se vires que te defende mais outro, põe outro", afirmou.

Anexada ao processo em Setembro de 2003, a escuta telefónica levou o procurador a entender que havia indícios de crime. Na opinião de Carlos Teixeira, aquela conversa do líder do FC Porto significava então que o dirigente estava a influenciar a escolha do árbitro e assim tentava obter benefícios para o FC Porto.

Os motivos que o levaram a ter um entendimento diferente para o caso do Benfica são uma incógnita. No entanto, Luís Filipe Vieira ainda poderá vir a ser chamado nas certidões que se mantêm em investigação em Lisboa, para responder sobre a escuta ontem noticiada pelo PÚBLICO e outras obtidas no mesmo processo.

Aliás, segundo o PÚBLICO soube, há mais conversas comprometedoras com o presidente dos encarnados. O interlocutor era normalmente Pinto de Sousa, cujas certidões se mantêm em investigação, mas Luís Filipe Vieira nunca foi interrogado.

Entretanto, o Belenenses anunciou ontem que se irá constituir assistente no processo para tentar perceber se foi de alguma forma prejudicado - era o adversário do Benfica no jogo onde Luís Filipe Vieira recusou o nome de quatro internacionais, acabando por aceitar a designação de João Ferreira, que hoje estará no Bessa a arbitrar também o clube da Luz.

Acompanha assim o Benfica, que já anunciara a intenção de se constituir assistente nas escutas que envolvem o FC Porto e Boavista, bem como o árbitro Pedro Proença, que, no ano passado, manifestou também o mesmo desejo.

Parte das escutas telefónicas onde são intervenientes Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira. O primeiro caso acontece antes da final da Taça de 2002/2003 e o segundo a dois dias da meia-final de 2003/2004."


"Segunda acusação de corrupção
Pinto da Costa acusado por ter dado 2500 euros a árbitro
Por António Arnaldo Mesquita
22.06.2007
Jorge Nuno Pinto da Costa foi acusado de corrupção desportiva activa por uma magistrada do Ministério Público, da equipa coordenada por Maria José Morgado que investiga certidões do Apito Dourado, por ter entregue ao árbitro Augusto Duarte um envelope que, segundo assegurou a sua antiga companheira, Carolina Salgado, continha 2500 euros em notas.

O árbitro que dirigiu o desafio Beira-Mar-FC Porto (0-0), em 18 de Abril de 2004, foi acusado de corrupção desportiva passiva e o empresário desportivo António Araújo viu ser-lhe imputado o mesmo crime que ao líder do FC Porto.

O despacho final já foi notificado aos seis arguidos, metade dos quais viu arquivadas as suspeitas que sobre si recaíam. Esse foi o caso de António Pinto de Sousa, vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e dos dois árbitros assistentes de Augusto Duarte - António Perdigão e Domingos Martins.

O inquérito resultou de uma certidão proveniente do processo principal do Apito Dourado, foi arquivado no DIAP do Porto e reaberto pela equipa dirigida por Morgado, na sequência do depoimento de Carolina Salgado, que implicou a reabertura de outras duas investigações: uma relacionada com o FC Porto-Estrela da Amadora, na época de 2003/2004, que já foi concluída com a acusação de Pinto da Costa, de António Araújo, Reinaldo Teles e do trio de arbitragem liderado por Jacinto Paixão. E a outra relativa à agressão a um vereador da Câmara de Gondomar, o socialista Ricardo Bexiga, que ainda está em curso.

A acareação de Carolina Salgado com Augusto Duarte, realizada há dias, na PJ do Porto, terá sido uma das últimas diligências dos investigadores, e a antiga companheira de Pinto da Costa reiterou a sua versão da entrega do envelope com os 2500 euros a Augusto Duarte. A defesa do presidente do FC do Porto já reagiu, pondo em causa a credibilidade de Carolina Salgado, a quem acusa de ter feito "um depoimento falso e motivado por razões de revanche e outras, quiçá mais obscuras".

Os autos vão para a comarca de Gaia e a instrução decorrerá no Porto, onde irá ser avaliada a consistência do libelo que visa Pinto da Costa no inquérito relacionado com o FCP-Estrela da Amadora."

In jornal Publico

1906

Luta & Resiste!

O regresso


Depois de um período sabático para reflexão no que sucedeu no passado recente do Clube, e nas alterações que o estão a transformar no presente e o vão deformar no futuro, a equipa do Luta & Resiste regressou ao combate.
Pelo meio assistimos a altos e baixos da performance desportiva das modalidades do Clube, a períodos de imensa euforia e avassaladora desmobilização.
Os Sportinguistas tem de estar unidos e preparados para o combate, que não se antevê fácil!
O nosso compromisso de honra, no entanto é com todos os nossos leitores que vão contribuindo através dos nossos contactos para denunciar e combater os males que pontificam no nosso Clube quer ao nível da organização do Clube e das modalidades, recaindo a nossa especial atenção sobre a equipa de futebol senior e a sua SAD.
A todos voçês, que lutam por um Sporting melhor o nosso obrigado.
Que pelo seu obscurantismo contabilistico e a forma como foram concebidas as sad em Portugal permitem os mais delirantes exercícios de "pato-bravismo", aferidos no mais recente caso ocorrido no Boavista F.C. .

SPORTING
LUTA & RESISTE!

Palvras de Bento ao intervalo


Sim também nós não ficámos indiferentes á brilhante passagem do Sporting Clube de Portugal á final do Jamor na modalidade de futebol - Sénior, e reproduzimos as palavras de Bento ao intervalo que tanta curiosidade e agitação provocaram na comunicação social.
Uma vitória contra o carnide é sempre motivo de satisfação!

Saudações Leoninas

domingo, 20 de janeiro de 2008

Manifesto Exigindo Mais e Melhor Sporting!



Afinal o que é o projecto Roquette e o que prometeu aos Sportinguistas?

O projecto Roquette foi concebido com o objectivo de criar receitas para o Clube através:
• Academia de futebol;
• Construção de novo estádio, com o objectivo de gerar receitas;
• Criação de um conjunto de empresas associadas ao Sporting para gerir a sua imagem e vender os seus produtos, gerando receitas;
• Equipa de gestores profissionais pagos para elevar a gestão do Clube à excelência;
• Equipa de futebol competitiva e ganhadora, aproveitando os jogadores da academia sem a necessidade de os vender todos os anos;
• Construção de novo pavilhão.


Qual é hoje o resultado da implementação do Projecto Roquette?

• Hoje o Sporting detém o estádio e a academia. Não tem mais nenhum tipo património, porque recentemente o vendeu;
• A gestão da marca Sporting foi atribuída a uma empresa externa, a TBZ. As várias empresas criadas foram extintas, existindo apenas 3 (quais);
• Os gestores contratados das várias empresas chegaram a representar cerca de 15% do valor da equipa de futebol! Alguns desses gestores estão a sair da estrutura com indemnizações milionárias, como é o exemplo de Rui Meireles, responsável financeiro, com 300.000€ de indemnização!
• Os sócios estão completamente afastados da vida do Clube;
• Perdeu-se a oportunidade de construir o pavilhão das modalidades perto do estádio e, consequentemente, a ligação dos sócios às mesmas;
• Embora tenha vendido o património não-desportivo, o Sporting continua com um passivo de cerca de 200 milhões de Euros (40 milhões de contos). O passivo, antes do projecto Roquette arrancar, era de cerca de 40 milhões de Euros (8 milhões de contos).


Factos

O passivo aumentou 5 vezes!
O património foi vendido!
A equipa de futebol tem menos qualidade!
Não existe um pavilhão!
Menos sócios!

Afinal, o que correu mal no projecto Roquette?

O projecto Roquette errou na sua gestão, aquilo que deveria ser a sua mais valia foi o seu maior pecado: foi incompetente; construiu um estádio que, em vez de gerar lucros, gera prejuízos; as empresas que deveriam gerar lucros geram prejuízos; a área comercial, o Alvaláxia, que deveria gerar lucros acumulou prejuízos; os gestores, «altamente profissionais», demonstraram-se incompetentes (casos explicados adiante). Ou seja, aconteceu exactamente o inverso do que estava planeado.

O Projecto Roquette tinha o objectivo de criar receitas através do estádio e das empresas para gerir a marca Sporting e a academia deveria criar jogadores para fornecer a equipa de futebol.
A realidade actual é que as receitas são insuficientes e a Academia é usada para combater o passivo criado, através da venda de jogadores! Sem a venda de jogadores, afirmam ser impossível manter o equilíbrio. Inverteram-se os princípios.


Quais as consequências dessas acções?

Imaginem uma família que pensava ter um rendimento de 2000 Euros mensais e que se compromete com uma instituição bancária a pagar uma renda de 1500 Euros. Mais tarde, chega à conclusão que o seu rendimento é de 1200 Euros: para respeitar os compromissos assumidos têm de vender as suas jóias.

A principal prejudicada é toda a estrutura desportiva do Sporting: as modalidades, que tanto nos orgulham, têm sido extintas e a equipa de futebol profissional piora de ano para ano.
Os melhores jogadores de futebol são vendidos, não perfazendo sequer 2 épocas na equipa principal. E apenas uma ínfima parte da venda de jogadores é utilizada no reforço da equipa de futebol.
Assim, em vez de termos um clube a injectar dinheiro na equipa de futebol é a equipa de futebol a injectar dinheiro no clube.

Hoje já se vendeu todo o património, parte dele rentável como eram o Holmes Place e a Clínica da CUF. Com isso, também se perdeu a capacidade de gerar receitas.
Esta direcção vendeu o espaço comercial Alvaláxia (abaixo do preço de custo, sem contabilizar os custos financeiros inerentes ao processo) que irá ter uma enorme valorização quando o projecto imobiliário for finalmente construído nos terrenos do antigo estádio.
Feitas as contas, mesmo depois de abater parte do enorme passivo, ainda ninguém afirmou quanto dinheiro se perdeu neste negócio ruinoso!

Porém, o projecto Roquette afirma que, quando o passivo chegar aos 150 milhões de Euros, atingir-se-á o equilíbrio financeiro… O que não diz é que, mesmo com 150 milhões de Euros de passivo, é preciso criar receitas de 55 milhões de Euros. No último ano o Sporting apenas conseguiu atingir esse valor de receitas contabilizando com a venda de jogadores, no valor de 25 milhões de Euros (as receitas actuais são na ordem dos 30 milhões de Euros, sem contabilizar vendas de jogadores).
Ou seja, o Sporting continua a ser obrigado a vender jogadores mesmo com os tais 150 milhões de Euros de Passivo… aos quais ainda nem sequer chegou!

Em última análise, são hoje as instituições bancárias que, de forma indiscriminada, mandam no Sporting: têm mais poder que os sócios.


Um passivo tão grande – 200 milhões de Euros - é assim tão grave?

Sim, é muito grave. Compromete os próximos anos, especialmente com o nível de receitas que possuímos – cerca de 30 milhões de Euros sem venda de jogadores.

Mas por outro lado, a forma obstinada como está a ser feito o abatimento do passivo, é exagerada e à custa de maus negócios.
Os outros grandes clubes têm passivos que não são inferiores e não sentem a mesma pressão para os abater. Porque tem o Sporting essa pressão? Parece que a estrutura directiva do Sporting tem mais vontade em reduzir o passivo que as próprias instituições bancárias…

O mal está feito. O passivo foi criado pelo projecto Roquette, sem que se consiga elevar as receitas para fazer face às despesas. Agora o Sporting tem de saber lidar com ele.


O que está a ser feito para abater o passivo?
Infelizmente, o Sporting está a vender tudo o que possui!
• Jogadores;
• Património não desportivo – que deveria gerar receitas próprias – vendido abaixo do preço de custo, como o caso do Alvaláxia;
• Capital da Sociedade Anónima Desportiva (S.A.D) a novos investidores;
• E só depois disso, talvez chegar-se-á aos «famosos» 150 milhões…


Como se poderá sair deste ciclo?
Se já não existem empresas rentáveis, se já foi entregue a gestão da marca Sporting a terceiros, se já não possuímos património não-desportivo (e as suas rendas), a única forma de sair deste ciclo é através de resultados desportivos ou da venda de jogadores.

Se vendermos jogadores este ciclo não acabará nunca, já que as receitas serão sempre inferiores às necessárias. A não ser que se invista na equipa de futebol que permita criar uma equipa, com qualidade e competitiva, que gerará receitas através da Champions League e da conquista de títulos a nível interno.

De notar, que a conquista de títulos não só gera receitas directas mas também indirectas – prémios monetários, transmissões televisivas, aumento do número de sócios, venda de artigos, entre outros.


Não houve nada de positivo no projecto Roquette?

Houve. A construção da Academia, mesmo que com custos muito acima do inicialmente previsto.
O problema é que a Academia é a única estrutura do clube capaz de criar mais valias para fazer baixar o passivo. E hoje, assim como no futuro, o Sporting precisa de vender jogadores.


E nos anos em que não se conseguir vender jogadores no valor de 25 ou 30 milhões? No futebol, com o projecto Roquette, o Sporting ganhou 2 campeonatos, isso não é valorizado?

Sim é verdade, e todos os sócios, adeptos e simpatizantes valorizam essas conquistas. Mas não chega, é insuficiente, queremos mais!
O projecto Roquette prometeu títulos de 2 em 2 anos e sabemos que a probabilidade de isso acontecer é cada vez menor. Sabemos que para ter uma equipa competitiva temos de aumentar o orçamento do Futebol.


Que fique bem claro: este manifesto não tem em conta o rendimento da equipa de futebol. Sentimos que estamos a ser mal geridos e que a academia está a ser mal aproveitada.

QUEREMOS MAIS! QUEREMOS UM CLUBE GANHADOR! QUEREMOS MAIS TÍTULOS!


Os apoiantes desta iniciativa sempre estiveram contra o projecto Roquette?

Não. Todos apoiámos com grande entusiasmo o projecto Roquette, no seu início: temos um estádio que nos orgulha imenso; temos uma academia que é a «menina dos nossos olhos»…
Mas não nos foi dito o preço que isso teria. Não nos foi dito que o projecto deixou de ter capacidade para gerar receitas, gerando prejuízos consideráveis. Não nos disseram que as pessoas que contrataram eram incompetentes. Não nos disseram quanto custaria a estrutura empresarial, em salários e regalias.

E é isto que criticamos. Vemos no projecto Roquette uma ruína, que poderia ter tido outro desfecho se fosse devidamente gerida, com o rigor e a honestidade intelectual como seria de esperar. Os intervenientes dessa gestão danosa terão de ser responsabilizados.

Os Sportinguistas foram enganados e ninguém assumiu responsabilidades e ninguém deu a cara. Estamos à espera de um pedido de desculpas!


Denúncias:
Porque tivemos acesso a informação que muitos não tiveram, sentimo-nos na obrigação de denunciar acções que consideramos serem gravosas e um atentado ao Sporting Clube de Portugal:

1. Declarações do actual presidente Filipe Soares Franco, sobre o facto de não querer um clube com sócios (porque atrapalham as decisões) e o facto de trabalhar para o clube apenas 1 hora por dia;
2. Negócios do presidente Soares Franco com o Banco Espítiro Santo e as suas consequências para o Sporting;
3. Negócio da venda dos terrenos do antigo Estádio José de Alvalade;
4. Gestão comercial e promoção de Pedro Afra;
5. O centro comercial Alvaláxia teve publicidade cancelada por ordem das instituições financeiras;
6. Ao mesmo tempo, os custos do quadro de dirigentes ascendia a 15% do valor dos custos da equipa de futebol;
7. Custos das rendas do Edifício-sede;
8. Negócio da venda do património não desportivo;
9. Indemnização a Rui Meireles de 300.000€;
10. Prémio de gestão a Carlos Freitas de 86.000€.


Propostas simples que nunca foram feitas e apresentadas pelos gestores «altamente profissionais»:

• Gestão do Clube:
o Gestão orientada para os sócios, mantendo-os informados e consultando-os nas decisões estratégicas e estruturais;
o Encontrar solução para construção de pavilhão para as modalidades;
o Recusar a ideia de o Sporting Clube de Portugal ser apenas uma equipa de futebol. Temos de recordar a história do Clube, desenvolver e dar visibilidade às modalidades. O pavilhão é fundamental e quanto mais longe do estádio estiver localizado mais desacompanhadas estarão as modalidades.

• Gestão comercial:
o Captação de novos sócios pagantes, com parcerias aliciantes com diversas entidades, à semelhança daquilo que é feito pelo Futebol Clube do Porto e Sport Lisboa e Benfica. Estes benefícios poderão ser a obtenção de créditos, utilizando serviços como estações de serviço, que poderão ser utilizados na compra de produtos Sporting ou no pagamento de quotas;
o Aumentar os valores da Gamebox, aumentando também os seus benefícios: por exemplo, jogos para as modalidades amadoras;
o Merchandising: obrigar e responsabilizar o fornecedor de equipamentos a entregá-los com regularidade, evitando rupturas como as que aconteceram nesta época desportiva. Têm procurado camisolas nas principais lojas de desporto do país ou mesmo na Loja Verde?
o Aumentar a qualidade dos produtos de merchandising do Sporting: por exemplo, as colecções vintage têm cada vez um maior mercado; produtos vocacionados para os jovens… O Sporting deveria ser pioneiro e inaugurar uma forma diferente de Merchandising.
o Fazer acções regulares com jogadores das várias modalidades junto dos núcleos, e outros eventos, por forma a aproximar o clube de simpatizantes, adeptos e sócios.

• Gestão financeira:
o Renegociar a dívida com as instituições bancárias, por forma a evitar o estrangulamento do clube: o passivo deve ser abatido de forma a permitir uma gestão corrente, capaz de dotar a equipa de futebol de jogadores de qualidade, e não só;
o Reduzir de forma drástica o valor com quadros superiores que chegaram a representar 15% do valor da equipa de futebol;
o Estabelecer critérios, de forma rigorosa e profissional, de selecção dos dirigentes e colaboradores das empresas Sporting, consultando empresas isentas e sujeitas a concurso prévio;

• Gestão do futebol:
o Mudar o paradigma para uma equipa de futebol ganhadora. As vitórias desportivas são as únicas que poderão evitar a saída de (mais) jogadores;
o Compra de jogadores de valor incontestável – mesmo que sejam mais caros, compre-se 1 ou 2 jogadores de qualidade, em vez de negócios ruinosos a «custo zero» que acabam por não ter rentabilidade. As restantes contratações deverão vir directamente da academia, ou de jogadores que estão a «rodar» noutros clubes;
o Aumentar significativamente os ordenados dos melhores jogadores jovens de forma a evitar saídas precoces. Esta medida poderá ser efectuada através de prémios variáveis ou por objectivos durante 1 ou 2 anos para se confirmar ou não a qualidade dos mesmos.
o Permitir jogos das equipas de formação no estádio, por forma a permitir uma maior aproximação dos Sportinguistas.


O que posso fazer?

Antes de mais, dizer que, como sempre, está nas mãos dos Sportinguistas o futuro do Sporting Clube de Portugal.
Mobilizados seremos mais fortes a OBRIGAR ESTA DIRECÇÃO A OUVIR OS SÓCIOS E MUDAR DE PARADIGMA DE GESTÃO.
Criar condições para discutir estes assuntos em Assembleia Geral Extraordinária.
Apoiar e estimular novas propostas de gestão, credíveis, que se identifiquem com os ideais do Sporting: ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO E GLÓRIA.

Como Sportinguistas temos esse direito e esse dever

Envie-nos um e-mail com o seu contacto. Faremos chegar a sua voz, através deste manifesto, à direcção.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A teia


Em seguida transcrevemos um artigo publicado no Ofensiva1906 sobre o escândalo que esteve na origem do Calciocaos:

A teia de Luciano Moggi

"A investigação conduzida sob máximo segredo pelo Ministério Público de Nápoles, Turim e Roma, durante a época de 2004/05, não deixa margem para grandes dúvidas. Luciano Moggi, director-geral da Juventus desde 1994, montou uma teia criminosa que estendia o seu raio de acção a vários sectores do futebol e da sociedade italiana. A investigação tem por base escutas telefónicas realizadas a Moggi e seus cúmplices. No caso do director-geral, a tarefa foi imensa: Moggi utilizava regularmente entre seis e dez telemóveis (dois deles registados na Eslovénia) e tinha, em média, 416 conversas telefónicas por dia. A partir do conteúdo destas chamadas e posteriores interrogatórios efectuados pelos investigadores, a imprensa pôde deduzir, nos últimos dias, a forma como funcionava a rede mafiosa de Moggi

Árbitros

A peça mais importante da enorme teia construída por Luciano Moggi chama-se Massimo De Santis, o árbitro italiano com mais prestígio na era pós-Collina (Santis era um dos árbitros nomeados para o Mundial da Alemanha, mas foi afastado na sequência do escândalo). Tal como se pode ler nas conclusões preliminares dos investigadores italianos, Santis era um homem com uma “enorme capacidade criminosa e uma grande habilidade para apagar pistas e provas”. Santis, que conduz um Jaguar, tinha uma influência decisiva na elaboração das listas de árbitros que eram promovidos ou despromovidos no final de cada época. Além de Santis, outros oito árbitros foram suspensos. As escutas telefónicas revelam que a teia de Moggi/Santis não se limitava a assegurar arbitragens favoráveis à Juventus e clubes aliados (como a Lázio ou o Messina). Também se preocupavam em afundar clubes inimigos (como o Bolonha) e em massacrar com cartões amarelos e vermelhos os jogadores – defesas, sobretudo – das equipas que nas jornadas seguintes defrontavam a Juventus, de forma a que pelo menos um deles ficasse impedido de jogar.

Banca

A família Moggi contava com aliados importantes no sector financeiro. Chiara Geronzi, filha do banqueiro Cesare Geronzi – o homem-forte do Capitalia, um dos maiores bancos de Itália –, integra a Gea World SpA, dirigida por Alessandro Moggi. Os investigadores da procuradoria de Nápoles concluíram que os Moggi utilizaram essa ligação à Capitalia para pressionar – e eventualmente desmantelar – a AS Roma, um clube que vencera o campeonato em 2001 e que insistia em não acatar as instruções de Turim. Em 2004, Luciano Moggi decidiu contratar o treinador Fabio Capello e o médio brasileiro Emerson, da AS Roma. E utilizou, para isso, a influência do Capitalia. O clube romano devia, nessa altura, mais de 150 milhões de euros ao banco. O Capitalia deixou bem claro que qualquer resistência aos desejos da Juventus provocaria um corte imediato da linha de crédito e complicaria as negociações da AS Roma com a Sky com vista à venda dos direitos televisivos. Franco Sensi, proprietário da AS Roma, acabou por ceder.

Media

A influência de Moggi chegava ao ponto de controlar “Il Processo di Biscardi”, um programa muito popular – transmitido à segunda-feira pelo canal La7 da televisão italiana – onde se fazia a análise das jogadas mais duvidosas do fim-de-semana. Numa das conversas telefónicas, ouve-se Moggi a dar instruções a Biscardi para que um golo que a Juventus marcou em claríssimo fora-de-jogo fosse transformado num “lance duvidoso, um erro compreensível do árbitro”. O canal cancelou o programa na sequência do escândalo das escutas. Em 2005, o diário “La Gazzetta dello Sport” suspendera a coluna semanal de análise aos lances duvidosos que era escrita pelos responsáveis pela nomeação dos árbitros. Na altura, o director do jornal nunca justificou a decisão, tomada na sequência de uma coluna particularmente facciosa a favor da Juventus. Fê-lo agora – com um ano de atraso.

Futebolistas

A Gea World SpA é uma das protagonistas do escândalo. Fundada em Outubro de 2001 por filhos de grandes figuras do mundo do futebol e da finança, a empresa tem uma carteira de futebolistas/clientes com mais de duas centenas de nomes. Além de Chiara Geronzi (Capitalia), a Gea conta ainda com a colaboração de Davide, filho do actual seleccionador nacional, Marcello Lippi. Muitos jogadores estavam convencidos de que a Gea lhes abriria a porta para a internacionalização com a camisola da selecção italiana. A empresa, dirigida por Alessandro Moggi (filho de Luciano), Franco Zavaglia e Riccardo Calleri, teve lucros de seis milhões de euros nos últimos cinco anos. As suas ramificações estendem-se a todo o mundo do futebol, empregando homens de confiança como Aldair – “olheiro” da Gea para o mercado brasileiro (em Portugal, o “canal de preferência” é Dimas, o antigo jogador da Juventus que recentemente lançou a agência de “football management” JOD, com sede em Cascais). Nas últimas épocas, a Gea monopolizou quase por completo o mercado italiano de transferências de jogadores e de treinadores (Gigi Del Neri, ex-treinador do FC Porto, é um dos cerca de 30 técnicos representados pela Gea). Quando um clube se negava a vender jogadores à Juventus, Moggi aconselhava esses jogadores – como aconteceu com Cannavaro, Emerson ou Ibrahimovic – a jogar mal e fingir depressão. As autoridades estão a analisar, igualmente, os contratos de vários jogadores da Juventus por suspeita de pagamentos ilegais.
Polícia
Luciano Moggi mantinha contactos estreitos com polícias das corporações de Turim, Nápoles e Roma. Alguns deles – incluindo um graduado supostamente encarregado de combater a corrupção no futebol – colaboravam directamente com Moggi, fornecendo informações ou actuando como guarda-costas. Em troca, Moggi oferecia prendas, bilhetes para jogos e acesso às grandes estrelas do futebol.

Sinais do passado

Luciano Moggi era provavelmente a figura mais poderosa e obscura do futebol italiano. Nascido em Julho de 1937, Moggi iniciou-se na carreira de dirigente desportivo profissional na década de 70. Passou por vários clubes, incluindo Roma, Lázio, Torino, Nápoles e, desde 1994, Juventus. A passagem pelo Torino ficou marcada, aliás, pelo primeiro escândalo. Uma investigação jornalística revelou, na altura, que Moggi contratara várias prostitutas para “adocicar” os árbitros dos jogos do Torino na Taça UEFA de 1991/92. A equipa chegou à final depois de eliminar cinco adversários (incluindo o Boavista) e sempre com vitórias em casa. Uma das prostitutas, Monica Morini, revelou que tinha sido contratada para “fazer companhia” a um senhor estrangeiro – um dos árbitros – hospedado num hotel da cidade. O caso chegou ao tribunal de Turim e Luciano Moggi argumentou, em sua defesa, que nunca contratara qualquer prostituta: “Apenas solicitei os serviços de intérpretes”, disse ele, acrescentando, no entanto, que era “prática corrente” oferecer presentes aos árbitros. O tribunal não conseguiu provar a ligação entre as prostitutas e Moggi ou o Torino. A UEFA ignorou o caso. "
Paulo Anunciação

1906

Luta & Resiste!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Freitas rua - parte II


Então vamos lá a ver se conseguimos perceber, então é assim:

PRIMEIROS TEMPOS

1.Freitas entrou em Alvalade em 1999, após o exito das contratações cirurgicas, que conduziram ao título, apanhou-lhe o gosto e no verão seguinte contratou 15 jogadores??!

A ANATOMIA DE UM CRIME PERFEITO

2.Após tantas e tão boas aquisições nessa pré-época as coisas não estavam a correr bem, e foi necessário proceder a algumas aquisições no mercado de inverno. E é assim que surge em Alvalade Rodrigo Tello, o jogador mais caro da história do SCP -7,5 milhões de euros.

Convém referir que Tello (ou o dinheiro que com ele foi gasto), só apareceu (ou desapareceu de acordo com uma prespectiva financeira), porque foi necessário justificar a saída de uma elevada verba dos cofres de Alvalade. Á falta de melhor desculpa vai-se buscar um jogador á américa do sul, diz-se que é o melhor extremo do mundo que os papalvos engolem.

E os papalvos engoliram e aguentaram-se durante 7 anos com um jogador pouco mais que mediano, pago a peso de ouro, como tantos e tantos outros, Tello apenas se destaca por ter sido o mais caro.
Consultando os jornais da época, porque tudo tem um contexto:
O SCPortugal tinha perdido 3-0 com o benfica. Inácio foi despedido por Duque, Mourinho era treinador do benfica e o mesmo benfica estava a eleições, nas quais Vilarinho tinha vencido.

Após o exito com os Leões, Mourinho fazia os 1ºs avisos, de que tentava visualizar opções caso não continuasse.
Logo 3 dias depois já era Duque, pressionado pelos sócios quem desmentia a existência de um contrato secreto com Mourinho.
Depois destas declarações durante quase um mês alimentou-se uma polémica esteril com várias acusações a serem disparadas pelas 3 partes intervenientes para todos os lados.

Durante o processo Duque colocou o lugar á disposição, o "voz de robot" Malheiro afirmava que Duque e Mourinho se tinham encontrado e assinado contrato.
Na opinião de Dias da Cunha e de muitos sócios e adeptos do Sporting, Mourinho nunca seria hipotese, uma vez que já por mais de uma vez tinha afrontado de maneira especialmente insidiosa o Clube que já tinha servido na condição de adjunto.

Entretanto a polémica era levantada através de acusações de espionagem, declarações ofendidas por parte do Sporting e do benfica.

Passava o tempo e Mourinho declarava-se impressionado com Duque.
Depois houve a oportunidade para Dias da Cunha dar a sua opinião numa tentativa de acalmar as águas, tendo igualmente Duque espaço para uma pequena contrição.

E é pois a 31 de Dezembro de 2000, que surge a notícia da contratação de Tello pelo Sporting.
Poucos dias depois é anunciado que o "Grupo Sporting" tinha adquirido o passe por 6 milhões de dólares ao Universidade do Chile.
A 7 de Janeiro Rodrigo Tello aterra em Lisboa, e é levado para a tribuna VIP no jogo SCPortugal vs Campomaiorense.
Posteriormente através dos relatórios contabilísticos chegou-se á conclusão que Tello teria custado não 6 mas sim 7,5 milhões de dólares.
Muito curiosamente já na altura Soares Franco era o rei no desporto nacional de arrotar postas de pescada em altura, como se pode ver por aqui.

O QUE DE FACTO SE PASSOU

3. Neste como em muitos outros casos (Ver caso JVPinto, ficou espelhado o conluio e o compadrio na destruição dos interesses do Clube.
Mourinho efectivamente assinou contrato com o Sporting, contra a vontade da maior parte de sócios e adeptos, inclusive contra a vontade de Dias da Cunha.
Duque ensaio a fuga para a frente negando a existência de qualquer contrato.
O Clube viu-se na obrigação de indemenizar Mourinho por quebra do contrato, a ocasião fez o ladrão, e como o mercado de inverno estava a abrir, foi-se buscar um jogador mediano por um preço astronómico de maneira a encobrir a saída da verba de indemenização a Mourinho.

CONCLUSÃO

4. Freitas já vai tarde, pelos 5 ou 6 bons trouxe dezenas de jogadores, que nem sequer sabiam andar, quanto mais jogar á bola.
Jogadores indicados pelos amigos Moggi e D´onofrio, Duque bateu com a porta pouco depois, nesse mesmo ano, mas deixou o seu delfim Freitas a acabar o trabalho.
Foram ínumeros os barretes enfiados ao longo destes quase 9 anos: Cáceres, Nalitzis,Dimas, Mahon, Kirovski, Kutuzov, Marcos Paulo,Robaina, Pinilla, Farnerud, entre muitos, muitos outtros, e que acabavam todos por sair a custo zero ou emprestados com "direitos de opção", após terem sido apresentados como emprestados ou a "custo zero" (o que normalmente significava um prémio de assinatura de 1 milhão de euros).
O SCPortugal apenas vai conseguir readquirir o seu estatuto quando se libertar em definitivo desta parasitagem, e apostar em definitivo no levantamento da sua vocação desportiva e eclética.


1906

Luta & Resiste!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Ideias fortes


As ideias fortes que pudemos recolher apartir das entrevistas que tem sido transcritas nos últimos dias:


Alex Ferguson: Apelo á participação do público, público constrangido pelo negócio futebol cinema.

De tendência cada vez mais securitária temendo sempre que surja no ambiente da bola um qualquer hipotético motim que derrube o regime que o sustenta.

Se já agora protestam contra os stewards o que diriam então, dos cordões policiais, das várias polícias e das revistas a que uma família tem de enfrentar para assistir a 90 minutos de mau futebol pago a peso de ouro?



Vukecevic: Entrevista fluída e inteligente de um homem que sabe ser grato.

Reconheceu a grandeza do Clube, revelando que a sua atitude como jogador é como encara a vida: um vencedor.

Mandou uma estocada no futebol moderno revelando ainda que não gosta de futebol, não tem ídolos, apenas sente prazer em jogar.

Compreendeu as causas que estiveram na origem dos protestos dos adeptos, deixando no ar a frase que por vezes muitos se esquecem: nós (jogadores) apenas existimos

Pelo cunho de personalidade e pelo carácter que deixou transparecer na entrevista, ou muito nos enganamos ou podemos ter encontrado um verdadeiro líder em campo.

em discurso directo

"R- O Clube superou as suas expectativas?

V- Estou muito feliz aqui. Tenho tudo o que preciso para dar sempre o melhor em todos os treinos e jogos. O clube tem também grandes adeptos e um grande treinador. Estou feliz com toda a gente que aqui trabalha.

R- Mas é mais ou menos do que aquilo que esperava?

V- Mais, sem dúvida! É um dos dez melhores clubes da Europa!"



Liedson: No extremo quase oposto, revelando uma postura quase de birra e de profundo desrespeito perante colegas, Clube e adeptos.
O aspecto positivo consistiu apenas em referir que estando há 5 anos no Clube, ainda alcançou poucos títulos, dando alguma nota de inconformismo.



Meireles: Acusou Afra de compadrio, lamentou a falta de credibilidade no negócio do futebol. Insistiu na ideia de passar Alvalade e a Academia para a SAD, de modo a conferir maior valor ás acções e desta forma atrair (ser mais fácil vender a) investidores.
Mais á frente defendeu a extinção de modalidades, acusou o presidente de populismo, de vaidade e de ter pouca contenção verbal, referindo ainda que a actual gestão em nada abona na efectiva redução da dependência da banca. Colocando ainda como hipótese uma futura alienação de Alvalade e da Academia.
Revela que defendeu a ideia de Alvalade com 42 mil lugares que teria permitido dessa maneira a construção de um pavilhão para as modalidades.
Rematou com a demarcação dos protestos ocorridos no jogo com o Louletano e apelou á constituição de um único grupo que abarcasse todas as claques na Sul.
Ficou por falar na tal falta de amortização do passivo e do que é que efectivamente aconteceu aos 26 milhões de euros.
Medo? Coacção? Reflexão assertiva? O facto é que a montanha acabou por parir um rato!



Soares Franco: O Sporting não se irá desviar da sua linha de concentrações.
Só quando estiver resolvido o problema do passivo é que se pode começar a pensar no pavilhão!
Existe muita gente no Sporting que ainda não percebeu o que faz Carlos Freitas.
Part-time: "Vou ser completamente claro: trabalho no 6.º andar e o Sporting é no 7.º"
As pessoas que trabalham nas suas empresas não podem perceber que o Sporting é a prioridade, tal como cada vez mais sportinguistas já se começaram a aperceber.
Rebateu algumas críticas lançadas por Meireles e acrescentou que espera renegociar o total da dívida. Vamos lá a ver se percebemos, ora bem, existe uma dívida, 1º paga-se e depois renegoceia-se, não teria de ser ao contrário?
A confissão de que por ser como é, provavelmente faz mal ao Sporting, ao não conseguir tomar posições de força.
Até Junho de 2008, reduzir o passivo para os 150/160 milhões de euros.
Atingir a meta de 100 mil sócios já em 2008.
Os autores morais dos protestos em Alvalade foram esses malandros dos grupos de pressão e dos blogs, que se defendem sob a capa do anonimato.

1906

Luta e Resiste!

Realidade Informativa



Salvarguardando as devidas distâncias, transcrevemos um artigo que surgiu no DN, que detalha um pouco a asfixia a que o futebol cinema submete hoje em dia o futebol e os seus adeptos:

"Adeptos reagiram com críticas aos 'stewards' e ao treinador escocês


O treinador do Manchester United, Alex Ferguson, não ficou satisfeito com o apoio que os adeptos dos red devils deram à equipa na última partida e comparou o ambiente no estádio Old Trafford ao de um funeral. Os apoiantes reagiram logo, criticando o treinador e o sistema de segurança do estádio.Ferguson atacou o comportamento dos fãs na partida de anteontem, ante o Birmingham (1-0), dizendo que "a multidão estava morta. Foi o grupo de adeptos mais silencioso que vi até hoje. Parecia um funeral". O treinador admitiu que o clube "precisava dos adeptos para alcançar uma boa exibição e voltar ao bom caminho" e lamentou: "Não foi isso que aconteceu."

Os alvos das frases de Alex Ferguson é que ficaram furiosos e reagiram de imediato, com críticas ao treinador e aos stewards que tratam da segurança em Old Trafford. Colin Hendrie, porta-voz de uma associação de adeptos do United, afirmou que o futebol inglês vive num "estado policial". "Uma pessoa já não se pode levantar e fazer barulho; se o faz, os stewards expulsam-na e tiram-lhe o lugar de época", explicou Hendrie, completando: "Se uma pessoa se levanta, os seguranças agarram- -na pelo braço e expulsam-na do estádio." Ante estas circunstâncias, "que atmosfera quer Alex Ferguson?" questionou o porta-voz dos adeptos.

Hendrie disse ainda que os apoiantes do rival Manchester City têm melhores condições para apoiar a equipa e também não poupou Alex Ferguson. "Ele demonstra falta de compreensão sobre o que é ser adepto de futebol em 2008", acusou.Liverpool decepcionaNos jogos que fecharam ontem a 21.ª jornada da Premier League destaque para o empate cedido pelo Liverpool, em casa, frente ao Wigan.

Os comandados de Rafael Benítez foram ultrapassados pelo City de Eriksson (2-0 em Newcastle) no quarto lugar e já estão a 12 pontos da liderança. Uma derradeira nota para o golo de Mc Carthy, que valeu a vitória do Blackburn sobre o Sunderland. "

ps: Colocaram os stewards nos estádios portugueses para supostamente se evitar a presença da policia nas bancadas e fornecer um ar mais amigável que pudesse atrair mais familias aos estádios.

Actualmente para além dos stewards, temos spoters, policia normal, policia de choque e unidades de intervenção!

Contra o futebol moderno!

1906

Luta & Resiste!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Realidade informativa


O Luta & Resiste continua a providenciar a todos os seus leitores o serviço público desta feita, de transcrever não totalmente na íntegra a entrevista que Vukecevic deu ao jornal Abola a 28 de Dezembro de 2007:

"
O Clube:

Record -Como está a ser a experiência no Sporting?
Vukcevic -Não sei o que dizer. Estamos em 3ºlugar na Liga e não esperávamos isso. Mas penso que tudo vai correr bem, pois temos meio ano para mudar as coisas....
Nada está ainda decidido. Penso que temos boas chances de ser campeões.

R- Mantem a opinião de que o Sporting é o maior clube portugês?
V- Claro! Pensava isso quando cheguei e vou sempre pensar da mesma forma. Depois de alguns meses aqui em Portugal não mudei a minha opinião.

R- O Clube superou as suas expectativas?
V- Estou muito feliz aqui. Tenho tudo o que preciso para dar sempre o melhor em todos os treinos e jogos. O clube tem tambem grandes adeptos e um grande treinador. Estou feliz com toda a gente que aqui trabalha.

R- Mas é mais ou menos do que aquilo que esperava?
V- Mais, sem dúvida! É um dos dez melhores clubes da Europa!

(....)

A atitude:

R- Mesmo quando não joga bem toda a gente elogia a sua entrega. Aque se deve essa atitude?
V- É simples: tennho a minha forma de jogar. Primeiro entro só para ganhar. Para ganhar!

R- É obcecado pela vitória?
V- Sou!

R- Até na playstation?
V- oh[risos]...Não posso jogar...fico demasiado nervoso...Não sei perder!

R- Então aquela fase do Sporting má custou-lhe muito...
V- Se custou!

R- Dorme mal, quando perde?
V- Nem consigo dormir. Estou até ás 5 ou 6 hda manhã ás voltas na cama a pensar no jogo. Simplesmente não consigo dormir. Nem consigo explicar. Só quero é ganhar!

Critícas dos adeptos

O sporting passou por mau momento, cinco jogos sem ganhar, empates e derrotas comprometedores. E logo as críticas dos adeptos, principalmente da claque Juventude Leonina.

R- Estava habituado á pressão dos fanáticos adeptos do Partizan. Como reagiu ás críticas exarcerbadas depois do jogo com o Louletano?
V- Estava habituado a coisas daquelas na Juguslávia[risos]. Para mim foi tudo normal. Eles podem criticar. Mas posso dizer, e falo por mim, nunca, mas mesmo nunca, sou capaz de suportar uma derrota! Posso partir para uma luta contra 100 pessoas e não vou a pensar que a perco!
Pode acontecer um mau dia, em que não consegues marcar...Não podes ganhar sempre, eu sei, mas não suporto uma derrota.

R- Pensa que a reacção dos adeptos foi exagerada?
V- Talvez não tenha sido o momento certo, tínhamos ganho por 4-0... mas compreendi.

R- No Partizan passou por momentos mais dificeis?
V- Os adeptos do Partizan são fantásticos, gosto muito deles. Passei lá muitos anos é como uma segunda casa.

R- E pensas que vai conseguir conquistar de igual forma os adeptos do Sporting?
V- Claro!

R- No final do jogo com o Marítimo os adeptos cantaram o seu nome. Qual foi a sensação?
V- Quando as coisas não estão a sair, isso dá-me mais força para jogar. Se os adeptos cuidarem de mim posso fazer sempre mais alguma coisa.

R- E aquela reacção de devolver as camisolas?
V- Foi numa má altura e uma forma incorrecta de mostrar o desagrado. Mas compreendo o desalento dos adeptos. Eles querem ganhar, mas nós só ganhamos por eles.

Na vida

R- Algum filme o marcou mais?
V- Talvez o Cinderella Man, com o Russel Crowe. Também gostei muito de O Gladiador; Os condenados de Shawshank; Á espera de um Milagre; O Patriota; Braveheart...

R- A atitude guerreira que põe em campo tem inspiração no Braveheart?
V- Claro! Gosto desse tipo de filmes. E inspiro-me no campo.

R- Tem alguma personalidade que admire?
V- Não...mas gosto de James Braddock, o boxeur que emprestou a história para o Cinderella Man. É uma história verdadeira e admiro a pessoa que ele foi.

A revelação

R- É cinturão negro. O Karaté foi o primeiro desporto que praticou...
V- Quando era miudo, antes do futebol treinei Karaté durante um ano. Era mesmo bom, mas o meu pai disse-me que tinha de jogar futebol, que podia ser um grande jogador e blá, blá, blá [risos]...Eu não queria ir para o futebol. De ínicio até chorava no meio dos treinos.

R- Foi carrasco de Portugal no Europeu Sub-21, que se disputou no nosso País. O joão Moutinho estava nessa equipa, lembra-se dele?
V- Não joguei muito e não me lembro dele, já foi há algum tempo. E depois, eu relamente não gosto de futebol. Não gosto de ver futebol, mesmo quando é uma final da Liga dos Campeões, não vejo.

R- Só gosta de jogar?
V- Sim só isso.

R- Tem algum jogador que admire?
V- Não, não gosto de futebol...

"

1906

Luta & Resiste

Realidade informativa


Não há Dezembro sem pais natal, renas e trenós, malta nos hipermercados e um caso Liedson.
Transcrevemos a entrevista que abriu o deste ano:


"Liedson da Silva Muniz. O 31 leonino, ídolo dos últimos anos em Alvalade pelos 102 golos que já leva nos cinco anos de leão ao peito, era repositor de supermercado e hoje, aos 30 anos, é estrela no mundo do futebol. Levezinho, Liedshow são as alcunhas que os adeptos leoninos lhe deram, ele que antes de chegar a Alvalade passou por Poções, Prudentópolis, Coritiba, Flamengo e Corinthians.

Recusando o rótulo de indisciplinado, Liedson diz que se sabe de mais em termos públicos do que se passa no balneário leonino e que, por vezes, o que se sabe não é verdade. No entanto, o Levezinho confirma que foi castigado por não ter querido treinar a marcação de grandes penalidades, mas diz que o castigo foi injusto. O atacante admite sair do Sporting, mas salienta que ainda não recebeu qualquer proposta concreta.

Vai completar cinco anos no Sporting e venceu apenas uma Taça de Portugal e uma Supertaça. Não acha pouco?

Claro que é pouco, sobretudo estando no Sporting, um clube grande. É pouco, não só pelo mérito das outras equipas, mas também pelas dificuldades cada vez maiores que o campeonato apresenta. Mas quero mais e espero ainda poder alcançar mais no Sporting

Mas pela quantidade de golos que marca e pelo que trabalha defensivamente e ofensivamente acredita que é a melhor montra para si?


Quando entro em campo tento fazer o melhor para o Sporting, marcando muito, pouco ou nada. Preciso mais da equipa do que ela de mim, mas ela também precisa de mim pela minha experiência. Estou cá há cinco anos e sou uma referência.

Completou 30 anos este mês. Considera que é a idade ideal para dar o salto para um campeonato maior?


Para ir para outro clube tenho de estar bem no Sporting. Se aparecer uma boa proposta, vamos sentar-nos, colocar as coisas na mesa e ver o que é melhor para todas as partes.

Teve alguma proposta?

A mim não chegou qualquer proposta. O meu empresário não me disse nada e eu pedi-lhe que só me dissesse quando fosse algo de concreto, porque não gosto de me iludir e já não tenho idade para ser iludido".

Vai então esperar pelo final da época. Será a altura ideal?

Pode ser. Mas estou preparado para sair ou continuar. Já tenho 30 anos, sinto-me bem aqui, mas às vezes temos de mudar de ares para mudar alguma coisa. Mas ainda não recebi nada. Se aparecer vamos conversar

O conflito com Vukcevic na Madeira está sanado?

Tudo sanado. É uma situação de jogo, os dois tentámos fazer o melhor para o clube. Por vezes, as ideias não batem e acaba por ser normal.

Tem registos de vários episódios de indisciplina que motivaram intervenção directa do técnico. O último foi ter-se recusado a treinar grandes penalidades. Não teme ficar com o rótulo de indisciplinado?


Não temo nada isso. Tento fazer o melhor para o clube e, por vezes, as pessoas não entendem assim. Se é ser indisciplinado dizer que não vou bater um penálti, porque deixei de os marcar nos jogos, ou isto aqui é uma ditadura ou um quartel-general. Se recusar bater um penálti é indisciplina, é complicado. Não quero atrapalhar o trabalho de ninguém e, se um dia achar que o estou a fazer, peço para me ir embora.

Mas ficou de fora na Taça por castigo...

Pois é, acho que fiquei de fora castigado injustamente

Estes episódios dificultam a sua saída para um clube maior?

Não, acho que não. Se as pessoas perceberem o fundo da questão, não. Por vezes não é o que sai na Imprensa. Também não sei porque é que sai tanta coisa aqui do Sporting para a Imprensa. Quando acontece algum episódio em que só estão jogadores e técnicos, não só este como outros, e passam duas ou três horas e toda a gente já sabe. O Sporting tem de ter cuidado com isso, porque estas coisas não podem ser divulgadas desta maneira, porque pode prejudicar um plantel. Tem de haver mais defesa do grupo, estas coisas resolvem-se com o grupo. Se alguém fizer alguma coisa tem de ser chamado e tem de se conversar com o grupo. Tem de ser entre a direcção, os técnicos e os jogadores.

Uma saída pode facilitar o acesso a uma selecção. A brasileira ou a portuguesa?

É um assunto delicado. Tenho passaporte brasileiro e o que me agrada neste momento é a selecção brasileira, porque tenho o passaporte brasileiro. Se um dia tirar o passaporte português e não for à brasileira e, se receber um convite de Portugal, ficaria muito feliz. Mas o objectivo maior é, sem dúvida, a brasileira. Mas a portuguesa agradava-me muito. Ninguém me procurou ou me disse nada acerca disso.


"Sete anos sem ganhar é muito tempo"

Esta época tem sido marcada pela irregularidade da equipa. Deve-se a quê?


É complicado dizer o que a provoca. Temos um plantel muito jovem. Por vezes fazemos as coisas bem e, no final, o resultado não tem nada a ver com aquilo que imaginámos. Estamos a tentar inverter a situação, que não é boa, mas já esteve pior. Estamos a melhorar jornada a jornada.

Nesta altura, o F. C. Porto é inalcançável?


Não, claro que não. Temos consciência da vantagem que tem, que é muito confortável, mas nada está decidido. Temos toda a segunda volta pela frente. Mas primeiro temos de pensar no segundo lugar, Queremos alcançar e passar o Benfica e depois, jogo a jogo, tentar encurtar e eliminar essa diferença.

Acredita ainda na conquista do título?


Claro que sim. Sabemos que não dependemos de nós, isso dificulta muito a tarefa, mas estamos tranquilos e cientes do nosso valor. Temos de torcer pelos tropeções dos adversários, mas temos esperança

Nos cinco anos que leva de Sporting viu o F.C. Porto conquistar três campeonatos e o Benfica um. Que diferença há do F. C. Porto para os restantes?

O Porto faz grandes investimentos e quem quer ser campeão tem de fazer grandes investimentos. Após a conquista da Liga dos Campeões receberam muito dinheiro e puderam investir em grandes jogadores. Quando se tem mais dinheiro, melhor qualidade se compra. Dentro de campo não se nota, mas é uma boa ajuda ter os melhores jogadores no plantel.

Sete anos sem um campeonato é muito tempo para o Sporting...

É muito tempo, de mais, para um clube da dimensão do Sporting estar sem ganhar um título de campeão nacional. Espero que este ano possa ainda chegar, apesar da distância e das dificuldades que temos de enfrentar.

José Luís Pimenta" In-JN 26 jANEIRO DE 2007

sábado, 29 de dezembro de 2007

Realidade informativa


No suplemento Sport do Correioda manhã foi hoje publicada uma entrevista, que optámos novamente por publicar na integra:


"- Correio Sport – Por que motivo saiu do Sporting?

- Rui Meireles – O presidente Soares Franco disse-me que o resultado de um estudo pedido a uma empresa externa apontava para uma estrutura empresarial assente na direcção-geral comercial, à qual ficariam subordinadas todas as restantes áreas. Foi entendido não haver espaço para mim.

- Ficou convencido?

- Eu sou uma pessoa incómoda, penso pela minha cabeça e não presto vassalagem. Após a saída de Dias da Cunha, passei a ser um alvo a abater pelo poder que tinha. Foi necessário gastarem largas dezenas de milhares de euros por um estudo que sustentasse a minha saída. A solução foi um fato à medida.

- Sentiu-se traído por Pedro Afra, actual director-geral do grupo Sporting?

- Traído não. Já conheço Pedro Afra há vários anos e conheço a forma insinuante como gere a sua carreira junto do poder. O Sporting não pode funcionar numa base de ‘compadrio’. Quando tal acontece vão chegar pessoas incompetentes a lugares críticos.

- Era preciso fazer um despedimento colectivo na Sporting Património e Marketing?

- Era preciso reduzir o número de efectivos do Grupo Sporting e não apenas da Património e Marketing. O despedimento colectivo foi um acto irresponsável, de falta de coragem, afrontação e de inexistência de argumentos válidos. Quando a vida de pessoas está em jogo, não se pode fazer despedimentos colectivos por um lado e tomar medidas despesistas por outro.

- Colocava limites a Carlos Freitas ou a Paulo Andrade, ex-administrador da SAD, nas contratações?

- Havia um acordo com a banca que implicava limitações, nomeadamente no investimento em novos jogadores.

- Dias da Cunha é arguido no processo João Pinto. Surpreende-o?

- Foi constituído arguido, porque lhe solicitei que na qualidade de administrador procedesse à assinatura de um contrato. Caso fosse administrador, teria sido eu a assinar o documento e seria eu o arguido.

- José Veiga actuou como empresário ou amigo de João Pinto?

- Como empresário. Os amigos, entre aspas, não recebem comissões.

- É verdade que o Sporting pagou a João Pinto de maneira que ele fugisse aos impostos?

- É completamente falso.

- Está preocupado com a cotação das acções do Sporting?

- Estou preocupado com a falta de credibilidade na indústria do futebol. A cotação das acções resulta em parte desta falta de credibilidade.

- Investidores estrangeiros devem entrar na Sporting SAD?

- O projecto de reestruturação que defendo tem na abertura de capital a investidores fortes, nacionais ou estrangeiros, um dos seus principais alicerces. Numa estrutura societária em que considero só haver razão para existir o clube e a Sporting SAD, importa transferir valor para a empresa cotada, nomeadamente através do Estádio e da Academia. Em termos de mercado a sociedade desportiva passará a ser mais apetecível para os grandes investidores. Com a entrada de novos fundos haverá uma melhoria dos capitais próprios, uma redução do endividamento e dos juros bancários, libertando recursos para investir no futebol e nos serviços aos sócios e accionistas.

- Equaciona a hipótese de o clube ter directa ou indirectamente uma participação minoritária na SAD?

- Não é nenhum drama. Sempre defendi que dificilmente conseguimos cativar capitais mantendo o clube a maioria do capital. O clube teria a participação máxima permitida por lei que é de 40 %.

- Defende a extinção de modalidades como meio de contenção de custos?

- Sim. O próprio Soares Franco era um acérrimo defensor desta posição quando não era presidente. Lamento que o presidente tenha optado por uma gestão populista e não por uma gestão racional em prol dos reais interesses do Sporting.

- Está de acordo com o rumo que o Sporting está a tomar?

- Tenho assistido a uma gestão populista, de exteriorização de muita vaidade e de pouca contenção verbal. Não consigo identificar motivos para satisfação da actual gestão. O processo com a Câmara de Lisboa tarda em concretizar-se, a receita da venda do património não desportivo não proporcionou a redução prevista no passivo financeiro, as dificuldades financeiras e de tesouraria agravaram-se, os resultados desportivos tardam em aparecer e a aproximação aos sócios e adeptos do Sporting continua a ser uma aposta adiada.

- Soares Franco disse que o Projecto Roquette deu um prejuízo de 50 milhões de euros.

- Foi um projecto pioneiro, mas o Sporting está a pagar erros crassos, alguns decorrentes desse pioneirismo, outros pelos excessos cometidos e que a vaidade dos principais mentores não deixou estancar.

- Quando saiu estava prevista uma renegociação do Project-Finance do Sporting?

- Comecei a dar passos importantes para fazer ajustamentos aos planos da dívida financeira, no entanto surgiram iniciativas novas que entorpeceram o processo e um ano e meio depois do início das minhas iniciativas não se conhecem os resultados.

- O Sporting depende da Banca?

- Já devia ter uma gestão equilibrada, em que o peso do serviço da dívida financeira fosse cada vez menor na estrutura dos fluxos de tesouraria. A gestão seguida em nada abona a favor de uma redução da dependência da banca.

- O Sporting ainda precisa de alienar mais património?

- A construção de um Estádio exclusivo do Sporting foi um erro e que muito está a penalizar a actividade desportiva com a dispersão dos recursos financeiros. A alienação do restante património (Estádio e Academia) é um cenário possível, mas só deve ser ponderado depois de esgotadas outras alternativas como é o caso do naming do Estádio.

- Pedro Barbosa só entrou no Sporting pela amizade com Carlos Freitas e Paulo Bento?

- Não sei o que ele faz no Sporting para além daquilo que vejo nos jogos. No entanto, estou convicto de que não foi o factor amizade que prevaleceu na sua contratação, até porque Pedro Barbosa viu a remuneração-base ser duplicada no espaço de um ano.

- Concorda com o prémio de 86 mil euros pago a Carlos Freitas?

- Foi Soares Franco que me pediu para o pagar. Mas os prémios de gestão devem ser atribuídos. Eu próprio recebi 29 mil euros, prémio que teve a ver com a minha intervenção num acordo com a Banca. Foi o único em 12 anos.

- Admite candidatar-se à presidência do Sporting?

- Não, mas o futuro a Deus pertence.

- Arrependeu-se de ter jantado com Abrantes Mendes.

- De maneira alguma. Depois das eleições acedi a um convite de um amigo comum para que jantássemos juntos e a primeira coisa que Abrantes Mendes fez foi pedir-me desculpa pelos ataques pessoais. E nunca me fez uma pergunta sobre a vida interna do Sporting.

- Abrantes Mendes dava um bom presidente para o Sporting?

- Se conseguir arranjar uma boa equipa, o que não foi o caso na última candidatura e ele sabe disso, poderá ser um bom presidente do clube.

- Soares Franco deve recandidatar-se?

- Há poucos meses disse que não sabia se ia acabar o mandato, o que constituiu um factor de instabilidade evitável, agora vem dizer que já está a trabalhar na recandidatura.

- O Sporting tinha necessidade de um estádio com 50 mil lugares?

- Para o nível médio de assistências é excessivo. Defendi que o Estádio do projecto inicial, com 42 mil lugares, era a melhor solução, não só porque teria um custo substancialmente mais baixo, como teria permitido a construção de um pavilhão multidesportivo no espaço onde foi erguido o Alvaláxia (solução de recurso) e também porque o Estádio seria ainda mais acolhedor com o público praticamente em cima do recinto de jogo, à inglesa, com uma forte pressão dos adeptos em geral e das claques em particular.

- Soares Franco foi insultado pelas claques...

- Durante vários anos tive a responsabilidade de gestão das claques que conduziu à criação de um protocolo, actualmente suspenso. Sou favorável à existência de claques mas de acordo com um conjunto de regras e responsabilidades para ambas as partes. Mas sou completamente contra as reacções desencadeadas no jogo com o Louletano para a Taça de Portugal. As claques têm o direito à indignação mas a forma como o fizeram é condenável.

- Diz ser favorável à existência de claques...

- No caso do Sporting as claques têm sido a principal mola de incentivo para os jogadores, acompanham a equipa a todo o lado. Em tempos fiz-lhes um desafio, sem sucesso, para que se unissem e formassem uma só claque no topo sul. Seria a maior claque portuguesa que faria de Alvalade um autêntico inferno. Tenho esperança de que um dia isso venha a acontecer.

ERROS DE CÁLCULO (Opinião do jornalista João Querido Manhã)

Uma polémica de bastidores entre um director financeiro e um grupo de administradores pode ter um efeito devastador para a imagem de uma instituição bancária, mas é praticamente insignificante na vida de um clube de futebol.

Pouco ou nada preocupados com o processo entre o presidente Soares Franco e o ex-director financeiro Rui Meireles, os sportinguistas por estes dias só querem perceber e avaliar o alcance do ‘levantamento’ do seu goleador contra a disciplina férrea do treinador Paulo Bento. De algum modo, porém, uma coisa tem a ver com a outra.

Rui Meireles foi uma figura cinzenta escura ao longo dos doze anos que serviu o Sporting, numa área administrativa, mas com salário de futebolista mediano, beneficiando de uma posição estratégica ao serviço do presidente José Roquette, o homem que introduziu no Sporting o conceito de clube empresa em que, num quadro de autêntico caos orgânico, acabaram por florescer os conceitos administrativos e multiplicar-se as empresas e serviços, um prometido paraíso de gestão que redundou no agravamento do quadro geral das finanças do clube, em consequência dos resultados negativos acumulados por toda essa actividade improdutiva, parasita do futebol.

Conhecido como o ‘homem do BES’ nos ‘mentideros’ do clube, cultivou o low profile característico da rapaziada das finanças, mas não deixou de sentir o apelo do futebol, já na gestão de Dias da Cunha, quando a equipa leonina ficou nas mãos da linha burocrática. Sem sensibilidade desportiva, cometeu o erro fatal de abandonar um jogo marcante, quando a equipa perdia copiosamente, em Paços de Ferreira, deixando os jogadores e o treinador José Peseiro à mercê da fúria dos adeptos.

Esse erro de cálculo foi-lhe fatal, bem como o alinhamento com o candidato Abrantes Mendes, derrotado nas eleições que se seguiram à demissão de Dias da Cunha. O seu profundo conhecimento da crítica condição financeira do clube permitiu-lhe manter o emprego durante mais dois anos e agora ameaça prolongar-se como uma sombra da restruturação empreendida por Soares Franco.

O presidente do Sporting veio anunciar uma redução do défice na ordem dos 28,5 milhões de euros, mas o ex-director financeiro desmente-o e ainda levanta suspeitas sobre o destino de mais 24 milhões resultantes da venda do património imobiliário.

Sem as consequências dramáticas, inclusive para a estabilidade económica do clube, de um possível confronto entre Liedson e Paulo Bento, as alegações de Rui Meireles lançam uma nuvem de descrédito sobre uma instituição cotada em bolsa, com custos irreparáveis sobre a sua imagem, aos olhos dos investidores.

Quando Meireles foi afastado, embora negando a indemnização milionária que tanto indispusera os membros do Conselho Leonino, o presidente Soares Franco elogiou o profissional e desmentiu a ideia de um confronto entre as partes, resultante do alinhamento declarado dele com uma lista opositora, no processo eleitoral. Percebe-se agora a fragilidade dessa cordialidade, em contraste com as ameaças de procedimento cível e de expulsão de sócio. Outro clamoroso erro de cálculo, com um lesado único: o Sporting.
Nuno Miguel Simas "

1906

Luta & Resiste

Realidade informativa


Optámos por publicar na íntegra a entrevista dada ao Record, pelo presidente do SCPortugal:

PRESIDENTE DO SPORTING EM ENTREVISTA EXCLUSIVA A RECORD

Sobre o Futebol :

RECORD – Em época de Natal, é quase obrigatório começarmos por falar de compras e presentes?
FILIPE SOARES FRANCO – Podemos falar do que quiserem, mas sobre essa matéria? O Sporting tem uma estrutura profissional dentro da SAD. A única coisa que faço é quando se chega ao último processo de decisão. Quando têm tudo acordado entre eles, eu entro.

R – Tem uma almofada para a eventualidade de necessitar de reforços em Janeiro. Quais são os valores em causa?
FSF – Não revelo e por uma razão muito simples – a SAD é uma empresa cotada e a partir de determinados valores de investimento que faz é obrigada a dar nota à CMVM. Enquanto as coisas não estiverem bem planeadas e definidas nada devo adiantar.

R – Atendendo à actual conjuntura, reconhece que é preciso reforçar a equipa?
FSF – Não sei se é preciso reforçar a equipa porque ainda ninguém teve uma conversa comigo sobre esse assunto.

R – E qual é sua sensibilidade? Considera que a equipa precisa de ser reforçada?
FSF – Considero é que o Sporting ao longo desta época tem tido um conjunto de situações, nomeadamente no capítulo das lesões, que obrigaram a repensar todo o seu esquema de jogo. Aliás, é claro e é público. O Sporting tinha contratado dois jogadores com características semelhantes, que o Paulo Bento queria porque faziam muita pressão na frente, o Derlei e o Liedson. Queria ainda um jogador que tivesse velocidade, o Djaló, e outro de área para determinados jogos, o Purovic. Era isto que estava idealizado. Infelizmente, um dos pilares fundamentais de toda a estratégia do Sporting teve uma lesão logo no início da época e isto fez com que o esquema de jogo tivesse de ser mudado. O Sporting passou a ter de jogar sempre ou com o jogador de área, e ele não foi contratado para fazer uma posição diferente, ou com o jogador veloz, que também não fazia exactamente a mesma posição de Derlei. Não tendo a equipa sido preparada ao longo da pré-época para jogar daquela maneira, acabou por ressentir-se na confiança e nas exibições.

R – Sendo o ponta-de-lança um objectivo prioritário, como parece ser, admite que a contratação seja por compra ou por empréstimo?
FSF – Tudo depende do tipo de oportunidade que aparecer. O Sporting não tem dinheiro para comprar um avançado por 9 ou 10 milhões de euros. E por isso?

R – Está fora de causa?
FSF – Está completamente fora de causa!

R – Isso quer dizer que o Sporting nunca gastará tanto dinheiro num jogador?
FSF – Não. Quer dizer que hoje não tem dinheiro. Tomara eu? Não há no mercado nenhum avançado de reconhecido mérito e valor, afirmado no futebol, com categoria internacional, por menos de 9/10 milhões de euros. Não existe! Pura e simplesmente não existe. E, portanto, a política que o Sporting tem seguido, não tendo 9 ou 10 milhões de euros para investir, é fazer aquilo que tem feito com a sua formação. É comprar jogadores ainda jovens, com potencial valor, que possam valorizar-se. O caso do Purovic é típico.

R – Na reabertura de mercado, o Sporting não poderá correr o risco de estar à espera que um jovem possa integrar-se?
FSF – O Sporting não se desvia da sua linha de contratações.

R- Portanto, o critério será idêntico àquele tem sido seguido?
FSF – O critério tem de ser o mesmo ou parecido. Tem de se fazer o que o Sporting tem feito, que é contratar jogadores a título de empréstimo antes de fazer a opção de os comprar. Porque quem tem pouco dinheiro para fazer investimentos tem de saber racionalizar o investimento que faz, tem de estar mais seguro. Ninguém tem a pretensão, julgo eu, de acertar 100 por cento nas suas contratações. E nestas regras do futebol, se contratamos um jogador temos de levar o contrato até ao fim. Isto não é uma empresa normal.

R – E se aparecer, como no Verão, a possibilidade de empréstimo de alguém como Maxi López? O conceito é diferente da cedência de Izmailov, porque uma coisa é ter um jogador cedido pelo Lokomotiv e outra é ter um do Barcelona?
FSF –Estamos abertos a todo o mercado dos empréstimos. Não sei qual é o conceito do Maxi López e não me preocupo com isso. Preocupo-me, isso sim, com os nossos conceitos e com o que nós conseguimos fechar.

R – Mas já garantiu que não vai comprar só por comprar. Dentro dessas limitações que focou agora, é possível adquirir um jogador com provas dadas?
FSF – Não sei, não sei. Devem perceber mais de futebol do que eu. Não sei se é ou não possível.

R – Dentro das limitações?
FSF – Se eles [na SAD] aparecerem com nomes, é porque acham que é possível. Não sou propriamente um especialista na área do futebol. Não sou. Gosto muito de futebol, mas não passo o meu tempo a ler e a recolher informação sobre futebol.

R – O que resulta das conversas que tem tido com Paulo Bento, do atraso em relação ao líder, das lesões? Está preparado para usar a tal almofada para reforços?
FSF – Se disse que tinha uma almofada é porque estou preparado para usá-la.

R – Só para o ataque?
FSF – Não! Apenas dei o exemplo daquilo que se passou no ataque. Até pode ser que seja para outras áreas. Pode haver algumas mexidas. É preciso ter alguma paciência e calma para ver como o mercado se comporta.

R – Já tem uma ideia exacta do número de jogadores a contratar? Há sempre oportunidades?
FSF – Não tive ainda conversas sobre essa matéria.

R -- O técnico disse-lhe, objectivamente: “Queremos um defesa, um médio e um ponta-de-lança”?
FSF – Não disse rigorosamente nada.

R – Há um carácter de urgência, por o mês de Janeiro poder ser decisivo para o Sporting? Isto é, tem a disputa da Taça da Liga?
FSF – ?. Temos um calendário muito apertado.

R – Isso significa que tem de antecipar as contratações, ou melhor, não deixar que elas se arrastem até 31 de Janeiro, quando costumam aparecer as melhores oportunidades?
FSF – Não devemos cometer um erro, pelo simples facto de podermos eventualmente ter a pressão de fazer as coisas mais depressa.

R – Mas poderá acontecer, num cenário complicado, o Sporting distanciar-se mais do FC Porto e perder até o acesso à final da Taça da Liga?
FSF – Não gosto de falar sobre suposições ou cenários. E o problema não é o valor técnico da equipa. O campeonato não nos tem corrido favoravelmente, mas soubemos dar a volta na Taça da Liga; batemo-nos na Liga dos Campeões; e ganhámos a Supertaça ao FC Porto no início da época. Portanto, eu não crucifico, não vejo que o panorama da seja tão negro como vocês o pintam? Acho que existe um problema de motivação, no campeonato, fruto do atraso pontual que temos.

R – Insistindo no tema “mercado” – o Sporting estará disposto a ultrapassar um pouco a tal almofada que tem para investir em reforços, assumindo o risco, para depois garantir o retorno através do acesso directo à Liga dos Campeões e respectivo encaixe financeiro?
FSF – O que é “um pouco”?

R – Está disposto a arriscar? A assumir um investimento um “bocadinho” maior do que o Sporting pode?
FSF – Não sei o que consideram um “bocadinho”, portanto não sei responder à pergunta.

R – Também não sabemos qual é a almofada, por isso também não podemos precisar?
FSF – Quando se estabelece um ‘plaffond’ de investimento, se variar mais 5 por cento para cima ou para baixo não faz grande diferença. Mais do que isso não. Ou há ‘plaffond’ ou não há. E nós temos um. Uma coisa é certa: o Sporting já viveu 102 anos e tem de viver, pelo menos, mais 102 anos. Portanto, não pode fazer uma política de curto prazo. Eu não estou disposto, enquanto for presidente, a estabelecer uma política de curto prazo. Enquanto eu for presidente, o Sporting terá uma política de médio/longo prazo, de forma a que possa ser um projecto desportivo de sucesso. E, se não for comigo, que seja com o meu sucessor. Eu tudo farei para que seja comigo, mas, se não for, que seja com o meu sucessor e que ele tenha as bases para poder construir esse projecto. Agora, investir fora do baralho, para ter sucesso e deixar o clube numa situação não sustentada, não faço.

R –O número de reforços poderá estar directamente relacionado com o número de saídas em Janeiro?
FSF – Desconheço.

R – Não pôs essa condição à SAD?
FSF – Eu não. Eu disse que tinha uma almofada, que é com o plantel que temos. Não é condicionada a alterações no grupo que temos.
R – Não era possível ter feito mais para manter o Caneira ou o Ricardo?
FSF – Não. Pelo Caneira não podia fazer absolutamente nada.

R – Mas é essa a ideia que passa na opinião dos sócios. Se havia 25 milhões do Nani, não era possível arranjar 4 milhões para oferecer pelo Caneira?
FSF – Mas quem é que lhe disse a si que não o fizemos. O Caneira saiu do Sporting porque o Valencia quis.

R – Mas, o Sporting fez alguma proposta concreta ao Valencia para adquirir o passe do Caneira?
FSF – Fez. Fez tudo o que era possível fazer, até onde achou que poderia fazer para ficar com o Caneira. Agora, isto tem as condições da negociação.

R – Está de alguma forma arrependido por não ter mantido um desses jogadores? O Caneira, o Tello, o Ricardo? eram dos mais experientes da equipa.
FSF – Eu tenho a maior pena que todos eles tenham ido embora. Vou dizer-lhe com franqueza: não tínhamos condições para renovar com o Tello, como ele saiu; não tínhamos condições para segurar o Ricardo, por aquilo que ele pretendia; o Caneira foi-se embora porque o Valencia quis; e o Nani porque bateram a cláusula de rescisão. Ponto. Eu não podia fazer absolutamente nada.


Sobre o pavilhão:

R –Durante as eleições disse que queria construir um pavilhão, agora fala em projectar um pavilhão. Porque é que mudou de discurso?
FSF – Não mudei. Também disse que ia resolver o passivo do clube até finais de 2006. Estamos em finais de 2007, ainda não consegui resolver o problema do passivo e enquanto não resolver não me posso candidatar a fazer mais investimentos. Não posso e não devo.

R – Há alguma área estudada para o pavilhão? Já existem possíveis parceiros? Fala-se da Caixa Geral de Depósitos?
FSF – Existe uma série de coisas faladas, mas nada materializado porque enquanto o Sporting não tiver luz verde para fazer isto não o pode fazer. Preciso de ter resolvido o problema do loteamento, não só pelo processo do loteamento em si como também por causa do espaço do loteamento, assim como preciso ter resolvida a questão de refinanciamento do Sporting. São duas questões vitais. No dia em que estiverem resolvidas poderemos pensar nisso. Agora, isto não depende de nós? As decisões administrativas da Câmara não dependem de mim. Esta última decisão que ainda vai a votação já era para ter ido, mas resolveram remeter para um comissão que tinha de fazer um relatório. Não estou disposto a ceder mais! Não consigo perceber: quando há boa fé de todas as forças partidárias para resolver o problema, quando sabem que vai para agenda um tema como este, que é tão quente e tão importante para o Sporting, deixam chegar ao dia da assembleia, à hora da assembleia, para colocar uma proposta para isto ir a uma comissão. Chama-se a isto, a meu ver, jogo político puro.


Sobre Liedson:

R – Fala-se na possibilidade de Liedson sair. Qual é a sua posição sobre o tema?
FSF – Mas quem é que falou que o Liedson podia sair?

R – Diz-se até que pode sair por menos dinheiro do que previsto…
FSF – Não estou preocupado com isso. O Liedson está bem integrado no clube e sente-se bem no Sporting.

R – O próprio Liedson diz que pretende ficar mas que, se surgir uma oportunidade, não a descarta. Por outro lado, é um jogador que tem 30 anos e que terá ambições de jogar noutro campeonato, com mais visibilidade, como o seu empresário já veio a público dizer…
FSF – Os clubes portugueses – mas só falo do Sporting – que têm recursos financeiros abaixo dos seus competidores europeus só têm duas formas de se defenderem do ataque dos clubes europeus sobre os jogadores que fazem parte da sua equipa. Primeiro, ter contratos relativamente longos, com aqueles jogadores que quer. Segundo, ter cláusulas de rescisão e épocas em que elas possam ser aplicadas. É o que nós temos feito. Mas, se aparecerem condições excepcionais, que nós não podemos acompanhar, temos de nos cingir às regras do mercado.

R – Isso poderá querer dizer que os sportinguistas terão de estar preparados para a eventualidade de perder Liedson?
FSF – Não. Se aparecesse algum clube europeu que batesse a cláusula de rescisão e quisesse o Liedson, e ele preferisse esse clube a ficar no Sporting, eu nada poderia fazer. Mas é a única arma que tenho para me defender. E eu não quero que o Liedson saia do Sporting.

R – Poderá sair já em Janeiro?
FSF – Não.

R –Tem-se sido muito focada a melhoria dos contratos de Liedson e Polga por causa de questões fiscais. Esse dossiê já lhe chegou às mãos? Admite reavaliar essa questão ou é assunto fechado?
FSF – Não. Esse é um assunto que tem estado há algum tempo em cima da mesa e o Sporting tem abertura para falar dele. Mas devo dizer que desde as últimas negociações com o Polga e com o Liedson que esses assuntos estão muito minorados, se não estão já solucionados. Agora, houve um pequeno ajustamento que nós temos de pensar.

R – Quando a equipa da SAD chega ao presidente do Sporting com um possível reforço, a sua intervenção é meramente sob o ponto de vista financeiro ou dá a sua opinião sobre o assunto? Colocamos esta questão concretamente a propósito de Rochemback: perante um nome como Rochemback, vacilava ou era de caras, se porventura fosse viável?
FSF – Primeiro, dentro do Sporting nunca se falou de Rochemback. Quem falou de Rochemback foram os media, porque ele veio a Portugal recuperar de uma lesão e esteve na Academia, onde tem melhores condições do que no clube que ele representa, que é o Middlesbrough. O Rochemback não é um problema. Quando me chegam com uma proposta, o que faço, primeiro, é satisfazer a minha curiosidade. Também sou curioso. Gosto de saber porquê, para onde, quais são as razões, qual é a sustentabilidade daquilo. Depois pergunto, normalmente, de onde é que vem, que informações é que temos, antes de discutir a componente financeira. Sou curioso…

R – De onde vem? Refere-se ao clube, ao empresário?
FSF – De onde é que vem a informação; de que clube; como é ou não é [o jogador].


Sobre Derley e Paredes:

R – O facto de vir de determinado empresário suscita alguma dúvida ou reserva?
FSF – Nunca.

R – Nunca vetou uma contratação?
FSF – Não. Mas se querem uma revelação dessas, posso dizer-lhes que quando me falaram do Derlei ia-me caindo o cabelo todo.

R – Foi difícil convencê-lo?
FSF – Não. Não. Ao princípio, apanhei um choque.

R – Arrependeu-se dessa reacção inicial?
FSF – Não, não é arrepender-me, mas? ‘O Derlei? Do Benfica?’

R – E se lhe vierem falar do Rochemback?
FSF –Eu não falo sobre “ses”, mas sobre factos. Falei do Derlei, porque foi um facto. Agora, o “se” não existe.

R – Já pensou em renovar com Derlei?
FSF – Não. Tenho o maior carinho e estima pelo Derlei, tenho apreciado muito o esforço que ele tem feito no sentido de acelerar a sua recuperação, mas o Derlei é um jogador maduro, com alguma idade, que teve uma lesão que é grave, que já teve essa mesma lesão no outro joelho. Portanto, é preciso saber em que moldes é que ele está recuperado e como é que ele próprio se sente, para nos podermos sentar à mesa e avaliar o assunto.

R – Admite a possibilidade de renovar com ele, se essa recuperação for favorável?
FSF – Admito todas as possibilidades com o Derlei, desde que o dossiê me chegue, para eu poder dizer sim ou não.

R – Há reforços desta época que o tenham desiludido profundamente?
FSF – Não. Desta época, não.

R – E da outra?
FSF – Há jogadores que hoje, reconhecidamente, não contrataria.

R –Paredes?
FSF – O Paredes é um exemplo típico. É um facto. Não tem jogado e não tem sido opção do técnico. E era um grande jogador, reconhecido, com currículo, que tinha feito uma grande época e várias temporadas no FC Porto.

R – Em relação a Izmailov, já foi assumido publicamente que é um jogador que o Sporting quer manter. Pode ser esse o primeiro reforço de Janeiro?
FSF – Não. Falamos no fim da época. Não temos de nos pronunciar em Janeiro sobre decisões que temos de tomar até Maio ou Junho.


Nani e Miguel Veloso:

RECORD –Nani tinha uma cláusula de 20 milhões de euros mas saiu por um valor superior. Um mês e meio depois, Alex Ferguson veio dizer que, se calhar, era preferível ele ter ficado mais uma época no Sporting?

FILIPE SOARES FRANCO – ?E dois ou três meses depois diz que ele é lindamente bem utilizado e o professor Carlos Queiroz diz que ele se integrou lindamente no Manchester e que hoje em dia é um jogador essencial para o plantel, etc., etc. Portanto, não são só os treinadores portugueses que se dizem e desdizem. Os ‘sirs’ da vida também se dizem e desdizem e cometem alguns erros de apreciação.

R – A hipótese de ele permanecer mais um ano foi falada?
FSF – Não. Mas era bom que vocês soubessem porque é que eles pagaram os 25, 5 milhões de euros?

R – E foi porquê?
FSF – Pesquisam tanta coisa e esta não são capazes de pesquisar?

R – Era por ele já ter um acordo para renovar?
FSF – Isso não obriga a nada!

R - O Sporting assegurou direito de preferência sobre Nani caso ele venha para Portugal directamente do Manchester?
FSF – Estou convicto que não é só se ele vier para Portugal. O Sporting terá sempre o direito de preferência sobre a venda do Nani.

R – O Miguel Veloso é um caso, para já, adiado para o final da época. Mas não foi surpreendido pelas declarações que ele fez após o jogo com a U. Leiria, quando disse que para ficar também era preciso que fizessem alguma coisa. Como é que interpretou isso?
FSF – Ele já corrigiu essas declarações.

R – Foi um desabafo inoportuno ou uma declaração infeliz?
FSF – Nem uma coisa nem outra. Acho que é o resultado da razão por que eu me aborreci com a situação dele. Estamos a falar de um jovem jogador, que tem 21 anos e que integrou o plantel principal na época passada, sem ninguém acreditar seriamente que iria ser o titular. Ele teve uma oportunidade e, de repente, começou uma ascensão surpreendente. Quando começou a nova época, porém, não havia semana que não aparecesse uma página ou um artigo sobre o Miguel Veloso, a dizer que ou era o Arsenal, ou o Chelsea, ou o Manchester , ou o Real Madrid, ou o Barcelona, ou o Inter, ou o Milão ou? a minha tia, a minha prima!

R – Mas isso também aconteceu com Nani. E depois?
FSF – Não, não, não? Primeiro, com o Nani passou-se muito menos e muito mais para o fim da época. O Nani – as pessoas esquecem-se – no ano passado por esta altura era assobiado no estádio. Hoje têm todos pena dele, mas no ano passado fartou-se de ser assobiado. Portanto, é natural que um jovem de 21 anos que vê um amigo dele que saiu do Sporting e foi para o Manchester e vingou, com toda esta campanha a enaltecer as suas qualidades, a dizer que ele tem oportunidades no clube A, B, C, D, E ou F, às tantas tenha uns desabafos, uma frase menos feliz, por acreditar nele próprio. Eu não digo que ele não deva acreditar nele próprio. Essas coisas têm é de ser mais bem geridas no campo emocional, de forma que as pessoas se possam concentrar e focalizar naquilo que é essencial para um jogador e para a vida dele. Não para o Sporting, para a vida dele, que é fazer todos os anos uma época melhor do que a anterior. Um grande jogador é aquele que todos os anos faz uma época melhor do que a anterior. E, para isso, tem que trabalhar muito e concentrar-se na sua profissão, na sua vida pessoal, e estar focalizado naquilo que ele quer ser.

R – Receia pelo futuro do Miguel Veloso?
FSF – Não. Não tenho receio nenhum sobre a vida do Miguel Veloso, porque ele tem uma enorme potencialidade. Mas – de uma forma geral, porque o Miguel Veloso não é excepção –, tem de estar muito focalizado na sua profissão.

R – Censura este apelo pela moda?
FSF – Não tenho de censurar, porque não tenho sequer o direito de me intrometer na vida privada do Miguel Veloso. Mas espero que ele esteja sempre muito focalizado com aquilo que quer da vida dele como profissional e que tenha incutido no seu espírito competitivo que para ser um grande jogador todas as épocas tem que fazer melhor do que na época anterior?

R – Foi com base neste tipo de situações que fez o seu recente discurso na Batalha, ao afirmar que o Sporting dá um contrato aos 16 anos mas depois quer que os jogadores o cumpram até ao fim?
FSF – Claro. Eu expliquei na Batalha que o Sporting não tem todo o programa que tem na formação para ser campeão de infantis, juvenis e juniores. O programa de formação do Sporting é produzir jogadores para a sua equipa principal. Não contratamos jogadores com 16 ou 17 anos para sermos campeões de juniores. Esqueçam.

R – Em relação a Miguel Veloso há dois factores que podem ser avaliados. Um é a escolha que ele já fez na direcção de uma carreira paralela, ao estabelecer um contrato com uma agência de moda. Outro, é o enquadramento que ele tem por parte do empresário. Inclusive, escreveram-se notícias dando conta que alegadamente Paulo Barbosa preferiria o Real Madrid e Miguel Veloso o Arsenal. Como avalia este tipo de actuação?
FSF – Não me pronuncio sobre isso. O Miguel Veloso tem um contrato com o Sporting e é com o Sporting, por enquanto, que tem de se preocupar, em cumprir esse contrato. Se alguma vez houver motivo para não o cumprir, o primeiro que tem de saber é o Sporting.

R – Falou pessoalmente com o jogador durante este período?
FSF – Não. Não tenho por costume ter conversas pessoais com os jogadores, sem ser cumprimentá-los e falar com eles uma ou duas vezes durante o ano, quando o faço em conjunto, como sucedeu recentemente.

R – Porque sentiu essa necessidade de ir ao balneário falar com o grupo?
FSF – Porque a equipa estava a sofrer de elevados níveis de ansiedade, sem razões para ter de passar por isso.


Ódios de estimação:

RECORD – Considerava Rui Meireles e Carlos Queiroz seus amigos?
FILIPE SOARES FRANCO – Nem um, nem outro. O dr. Rui Meireles nunca foi meu amigo, apenas uma pessoa que conheci dentro do Sporting e que aprendi a respeitar como profissional. Sempre tive consideração por ele e manifestei isso quando saiu. Enquanto esteve ao serviço do Sporting, prestou serviços relevantes ao clube. O assunto Carlos Queiroz é um assunto que não gostava de comentar? Mas devo dizer com objectividade que não o conheço de lado nenhum. Se calhar cumprimentei-o três ou quatro vezes na minha vida. Não é meu amigo. Nem sequer conhecido.

R – Considera normal a reacção de Alex Ferguson?
FSF – Não vou comentar mais nenhuma reacção seja de quem for sobre essa matéria, que foi demasiadamente empolada para a importância que teve. Tenho a consciência daquilo que disse e quando disse. Não fiz mais do que dois comentários breves e curtos.

R – Mas como reage ao pedido de retratação de Alex Ferguson?
FSF - Já disse o que tinha a dizer sobre essa matéria.

R – Sente-se triste por ver o Sá Pinto a defender o Iordanov?
FSF – Nada. Tanto o Sà Pinto como o Oceano têm o direito de defender o Iordanov mas acho que ambos deviam conhecer em detalhe o problema para poderem ser testemunhas abonatórias. E, assim, teriam de conhecer as duas versões. Nem um nem outro pediram ao Sporting qualquer esclarecimento sobre a situação do Iordanov para poderem fazer um juízo de valor sobre o assunto. Mas, pelas declarações públicas que fizeram, parece-me que queriam que o Sporting chegasse a um entendimento com o Iordanov?

R – O Iordanov diz que é no local, no dia e na hora que o Sporting quiser. Reiterou-o muito recentemente?
FSF – Eu sei. Mas ainda nenhum jornal relatou exactamente aquilo que eu disse sobre a situação do Iordanov. Há obrigações entre partes: as formais e institucionais e as de índole moral ou comportamental. O Sporting deu a mão ao Iordanov. Não se desaparece durante quatro meses sem um telefonema a dizer se está na Roménia ou na Grécia. Não duvido um mílimetro que se esteve a tratar mas censuro a conduta. Esse comportamento não pode acontecer entre pessoas e entidades que se querem relacionar a bem. Sou o actual presidente do Sporting e não tenho de fazer juízos de valor sobre o passado.

R – Mas o Sporting pode ser obrigado a realizar o jogo de homenagem ?
FSF – O Sporting honrará qualquer decisão que o Tribunal tome sobre essa matéria. Não me sinto com conhecimentos de causa para fazer juízos sobre essa matéria. Não tenho problema nenhum nem com o Iordanov, nem com o Oceano, nem com o Sá Pinto, nem institucional nem pessoal. Só tenho factos relatados em cima de uma mesa e perante isso achei por bem que era melhor ir a Tribunal.


Paulo Bento, Carlos Freitas e Pedro Barbosa e o Sporting é no 7º piso:

RECORD – No final do jogo com a U. Leiria, Paulo Bento viu pela primeira vez lenços brancos e houve contestação aberta. Isso não o fez vacilar na intenção de mantê-lo e tentar torná-lo no Alex Ferguson do futebol português?
FILIPE SOARES FRANCO – Eu, no jogo com o Louletano, também fui ofendido pelas claques e não pensei em demitir-me do Sporting. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

R – Mantém confiança plena em Paulo Bento. É isso que está a dizer?
FSF – Permitam-me que responda assim: nem respondo à vossa pergunta.

R – Subscreve todos os actos de disciplina da equipa que o treinador tem assumido?
FSF – Até hoje todos. E mesmo as opções que ele tem tomado em prol do lançamento dos jovens no plantel. Agora, o que é preciso é a massa associativa do Sporting perceber que nós temos um projecto a prazo, corporizado na formação, apostando nos jovens para fazer uma grande equipa. Isto, às vezes, demora mais tempo do que nós queremos, exactamente porque eles são jovens.

R –Esse momento de contestação de que falamos em relação a Paulo Bento atingiu de forma mais ampla e contínua o administrador Carlos Freitas. No contexto de toda a polémica, o prémio de 86 mil euros por sucesso desportivo parece-lhe normal, numa campanha em que o Sporting só ganhou a Taça?
FSF - Foi transmitido à CMVM, está no relatório e contas do Sporting. 86 mil euros comparativamente com os prémios que são atribuídos pelos nossos concorrentes, correria o risco de dizer que é quase ridículo. Ganhámos uma Taça de Portugal e fomos apurados para a Liga dos Campeões. O Carlos Freitas recebeu um prémio, tal e qual como recebeu a equipa técnica, tal e qual como recebeu ou pode receber o director de futebol e como recebe toda a equipa de futebol. Os prémios estão estipulados em função do êxito. Quando há receitas adicionais, eles têm prémio, quando não as há, não têm direito a prémio.

R - Qual é a importância do Carlos Freitas e do Pedro Barbosa na estrutura do futebol do Sporting?
FSF - Se foram contratados é porque têm importância. O Carlos Freitas está há muitos anos no Sporting. Já fez muitas omeletas com muito poucos ovos, já teve de inventar alguns ovos, já fez óptimas omeletas, médias e más omeletas. Isso acontece a todos. Os terceiros que apreciam o trabalho de Carlos Freitas dizem exactamente isso. Nós, dentro da administração do Sporting, temos um enorme apreço pelo trabalho que ele desenvolve. O público em geral não se apercebe por vezes do trabalho que ele faz. Pensam que ele só compra e vende jogadores, que vai ao supermercado e compra e vende jogadores. Ele é um verdadeiro gestor de activos e nessa função tem de fazer muito mais do que comprar e vender. Tem de acompanhar e integrar esses jogadores, gerir as suas carreiras e acompanhá-los, até no campo psicológico. O tempo consumido, independentemente de ter de fazer, igualmente, prospecção, contactos com os empresários e todo o resto do trabalho, é ciclópico. É preciso compreender bem qual é a função e considero que mesmo no Sporting não é, em geral, bem compreendida, tal como entre a própria imprensa.

R - No Sporting? Também a nível de organização?
FSF – Não. Estou a falar em termos de adeptos, mas posso dizer que muitas vezes há algum desconhecimento entre alguns membros dos órgãos sociais do clube acerca do contudo funcional do trabalho de Carlos Freitas.

R - Ficou aliviado pelo facto de ele ter optado por ficar no Sporting após o auto-imposto período de reflexão? Seria um problema?
FSF – Não era um problema. Há frases feitas que não deixam de ter o seu fundo de verdade, como as que dizem que “numa organização só faz falta quem está” e que “os cemitérios estão cheios de pessoas insubstituíveis”. Com isto só quero dizer que independentemente da valia e da falta que as pessoas possam fazer numa organização, esta tem de reagir pela positiva quando tem problemas. Ninguém quer ter uma pessoa contrariada, porque deixa de ser um activo para passar a ser um passivo, porque é uma pessoa desmotivada que não cumpre bem a missão e, por isso, só pode trazer problemas e não alegrias. É muito importante saber resolver esses problemas mais cedo do que mais tarde. Garanto, no entanto, que na altura em que ele decidiu permanecer fiquei contente. Trata-se de um activo que faz falta ao clube. Obviamente que se ele quisesse sair, não era eu que o ia impedir.

R – Admite, porém, que ele é avaliado pelos resultados desportivos?
FSF – Tal e qual como eu. Nem mais nem menos. O Carlos Freitas tem uma função para cumprir dentro de determinadas regras e pressupostos que não é ele que dita. É o Conselho de Administração da SAD que os dá. Nem sempre pode fazer tudo o que quer, nem como ele quer, nem trazer ou vender pelo Sporting como ele quer. São necessários consensos e é preciso que as pessoas percebem que ele não é responsável total e absoluto, é sim responsável dentro do quadro e do enquadramento das funções que pode exercer.

R – Falou em omeletas. Considera que ele fez uma boa omeleta esta época?
FSF – Claro que sim. O Sporting investiu 7 milhões de euros. Entre reforços, pagamentos de empréstimos e de passes gastou essa verba. Está contabilizado.

R - Era o ‘plaffond’ que existia?
FSF - Não.

R – No início da época falou-se em 9 milhões de euros. Isso quer dizer que sobram 2 milhões para Janeiro?
FSF – Isso são vocês que estão a deduzir.

R – É a tal almofada para reforços?
FSF – O montante da almofada não vem só daí.

R - Ainda em relação a Carlos Freitas, uma das críticas que ficou da polémica com Carlos Queiroz foi que o Sporting faria contratações por catálogo. Não é assim?
FSF - Se tirarem Queiroz da pergunta, eu respondo?

R - É que foi a última pessoa a utilizar?
FSF - ?Mas eu não respondo ao Carlos Queiroz.

R - Não respondeu, há pouco, à importância que o Pedro Barbosa tem na estrutura do futebol. O que faz o ex-capitão?
FSF - Tem uma importância fulcral dentro da estrutura. É o director do futebol, que acompanha o Paulo Bento, que organiza toda a logística do clube dando apoio ao Eurico Gomes. Tem também alguns contactos com os jogadores e está permanentemente presente no dia-a-dia do futebol. Está no Sporting há cerca de um ano e tem um espaço enorme para progredir. Pode ser um belíssimo dirigente do futebol do Sporting.

R – Pode ser como o Rui Costa no Benfica, ou seja, pode ser futuro presidente do Sporting, tal como Luís Filipe Vieira disse de Rui Costa no Benfica?
FSF – Não sou o presidente do Benfica, não indigito sucessores, porque isto não é uma monarquia e não me pronuncio sobre essa matéria. O ser um excelente profissional não quer necessariamente dizer que tenha capacidade para ser um excelente presidente do Sporting. São duas coisas diferentes.

R – Pensa nele apenas e só como futuro dirigente do futebol ou pode englobar uma função mais abrangente no Sporting?
FSF - Pode evoluir. O campo de progressão de uma pessoa é quase ilimitado. Eu quando tinha a idade do Pedro Barbosa era director da Vista Alegre ligado à área da exportação e, hoje em dia, tenho uma actividade própria e dei um salto qualitativo de director para gestor e de gestor para empresário. A margem de progressão depende da energia, da força de vontade, das competências e da dedicação das pessoas.

R – Por falar em presidência, admite recandidatar-se?
FSF – Nunca falei sobre isso. É muito que cedo para tratar dessa questão. A vida de presidente do Sporting nem sempre é totalmente compatível com alguém que tem uma vida profissional intensa e com alguém que considera para si próprio que merece de ter um pouco de vida própria. Costumo dizer, por graça, que à segunda, quarta e sexta gosto de ser presidente do Sporting, às quintas, terças e sábados não gosto e no domingo depende do resultado do jogo. É uma boa forma de caricaturar... Devo dizer que gosto imenso de ser presidente do Sporting. Tenho grande motivação para cumprir esta missão e vou, seguramente, cumprir esta missão até ao fim. Só quando chegar perto do fim farei uma avaliação, primeiro sobre o meu desempenho e, depois, sobre a necessidade e vontade que os sportinguistas tenham de que continue. E da minha própria motivação para continuar. Mas estamos ainda longe, muito longe...

R – Se não avançar, considera que há soluções credíveis?
FSF – Não tenho que achar ou deixar de achar. Isto não é um reinado. Não apontamos delfins. Nessa altura, que apareçam os candidatos que têm de surgir. Devo dizer que uma das coisas que gostava era que o Sporting, como o dirigismo em geral no país, fosse revitalizado. É preciso uma nova geração que se interesse por estas causas. A vida competitiva que existe em Portugal por vezes não permite que as pessoas tenham tempo para dedicar a estas causas. Há muitos interesses que apareceram na sociedade e que levam as pessoas a fugir destas funções. De certa maneira, é preocupante? O Sporting tem tido uma cultura que não sei se no futuro será boa – os órgãos sociais, nomeadamente o Conselho Directivo, não é remunerado e, portanto, o presidente do Sporting é não remunerado. E perde muito tempo no clube. Hoje sou muito criticado por ter dito uma vez que dedicava uma hora por dia ao clube. Vou ser completamente claro: trabalho no 6.º andar e o Sporting é no 7.º. Portanto, as horas que dedico ao Sporting confundem-se. Estou a erguer um projecto empresarial onde tenho alguns milhares de pessoas que dependem de mim e precisam de ter a minha confiança e atenção. Portanto, não podem perceber que o Sporting é a minha primeira prioridade. O Sporting não é minha primeira prioridade em termos de vida. Agora, dedico ao Sporting todo o tempo que precisa e dedico às minhas empresas todo o tempo que elas necessitam. Tenho feito tudo isto abdicando do tempo que reservo para mim próprio, para a minha família, para os meus filhos e para a minha vida pessoal. Chego a passar semanas e semanas – e quando digo isto não é exagero – sem ter um único dia para mim. Isto não é sustentável por muitos anos?

R – Os problemas com a Câmara poderiam fazê-lo abdicar mais facilmente da presidência do Sporting?
FSF – Não. Mais facilmente continuarei a bater com a cabeça na parede até acabar o mandato.


A falta de símbolos no Clube:


Há espaço no Sporting para Sá Pinto? Chegou a fazer-lhe uma proposta?
FSF – Hoje em dia, dentro da SAD do Sporting, no lugar onde penso que o Sá Pinto se revê, com a estrutura e modelo que temos do negócio, não há espaço. Não podemos criar empregos só pelo facto das pessoas serem uma referência do Sporting e Sá Pinto é, sem dúvida, uma referência do clube. Na altura em que decidiu ir jogar para o Standard de Liége, foi-lhe oferecido um lugar dentro da estrutura do futebol profissional, que ele entendeu não aceitar, porque ainda queria prolongar a sua carreira de jogador. Foi isso, pelo menos, que nos transmitiu. Eu penso que tem muito a ver com a forma como acabou a época no Sporting. Estou a exprimir o que me vai na alma e nunca falei com o Sá Pinto sobre essa matéria, mas foi, para mim, uma reacção mais emocional do que racional.

R - Nessa altura, aconselhou-o a formar-se e a valorizar-se, dando-lhe esperanças de regresso. Ele está a formar-se, provavelmente, com esse objectivo?
FSF –É preciso haver oportunidade, mas os comboios não passam muitas vezes pela mesma estação. Por isso, para se ter uma oportunidade também é preciso saber apanhar o comboio quando este está a andar.

R - Não há lugar para Sá Pinto em termos de organização ou em função das pessoas que estão actualmente na estrutura?
FSF - O Sporting não tem lugares em função das pessoas e não cria lugares para pessoas. Tem um modelo organizativo que está publicado e é escrito desde o tempo do Dr. José Eduardo Bettencourt e é actualizado todos os anos. Foi, no ano passado, num encontro na Beloura e este ano voltará a sê-lo, nos princípios de Janeiro, na Academia com toda a estrutura do futebol e formação profissional. Daí nascem os modelos organizativos e a forma como nos queremos estruturar e preparar para o futuro.

R – Está prevista alguma mudança de fundo em termos de organização?
FSF – Estes encontros são modelos de reflexão. Há sempre propostas de alterações ao modelo organizativo. Posteriormente, vê-se se são aprovados ou não em função do debate, que é participativo.

R - Qual é a importância e contributo de Tomaz Morais nessas reuniões, sabendo-se que ele tem uma relação próxima com Paulo Bento?
FSF – O Tomaz Morais teve um acordo com o Sporting em que fundamentalmente organizou esses encontros, não só dos modelos organizativos como da componente psicológica e motivacional. Infelizmente, por compromissos que teve relativamente ao râguebi e à ida de Portugal ao Mundial e a problemas familiares, ao longo desta época não tem sido possível contar com a colaboração dele. Nesta altura, não há nenhum vínculo com ele.

R - Gostava de o ter como quadro do Sporting, sem ter de dispensá-lo à selecção de râguebi?
FSF - Nesta altura e pela forma como evoluiu a estrutura organizativa não sei se, tal como Sá Pinto, há cabimento para haver emprego em ‘full-time’ para uma pessoa com as qualidades e competências do Tomaz Morais. Mas podia haver uma plataforma para uma colaboração entre o Tomaz Morais e o Sporting.


Passivo, Cardozo e a CML:

RECORD – O que leva Rui Meireles, ex-director financeiro do clube que conhecia e conhece a realidade do Sporting, dizer que a venda de património não tinha abatido passivo?
FILIPE SOARES FRANCO – Tem de lhe perguntar a ele, não me pode perguntar a mim.

R – Mas se é tão claro, o que é que pode levar a essa dúvida?
FSF – É completamente claro e transparente! Não tenho nenhuma dúvida sobre aquilo que estou a dizer e o dr. Rui Meireles também não, porque foi ele que passou o cheque no dia a seguir. Ele sabe que amortizou 28.5 milhões do Project Finance e que 16.5 milhões foram para abater o défice de tesouraria, até porque ele confirmou na própria entrevista que havia um défice de tesouraria. Isso ele confirma?

R –O Sporting continua a ter défice de tesouraria? De quanto?
FSF – Tem. Tem? Vamos fazer as contas assim, para você perceber. Se o Sporting tivesse mantido o endividamento que tinha – 270 milhões de euros – à taxa de juro actual, isso é que era bom! Eu faço todos os empréstimos a 4,5 por cento, que é a Euribor. Em cima disso há o ‘spread’, que é o que os bancos aplicam? Agora, a Euribor está a 4,78 ou 4,79 e, em cima disso, há 2 por cento de ‘spread’ e o imposto de selo. Dá 7. Multiplique 7 por 270 milhões de euros e faça-lhe a conta? 19 milhões de euros de serviço de dívida, fora aquilo que tem que amortizar. Isso é só custo. A tesouraria é o que faz o desembolso e nós temos de desembolsar. E, no Project Finance, o Sporting é obrigado a pagar 27 milhões de euros se não conseguir renegociar a sua dívida. Ora, 27 milhões é mais de metade do total das receitas do Sporting. Portanto, enquanto o Sporting não conseguir reformular o seu refinanciamento terá sempre défice de tesouraria. O dr. Rui Meireles não deu novidade a ninguém, nem a ele próprio. O que fez foi, sabendo de tudo isto, mandar uma mensagem preocupante para os sócios. Só temos, salvo o erro, e não lhe quero mentir, 230 e tal milhões de euros de passivo. Tínhamos 270 milhões antes do património? Obviamente que temos défice de tesouraria mas porque existem desembolsos para fazer.

R – Está há uma ano e meio na presidência do Sporting e a um ano e meio de sair. Nestes 18 meses vai ter de renegociar essa dívida?
FSF – Estamos a renegociar essa dívida.

R – Esse processo vai ficar concluído até ao final do seu mandato?
FSF – Espero que sim!

R – Mas se não renegociar vai continuar a ter défice na tesouraria?
FSF – Sinceramente, espero que consiga! Mas as condições em que operamos não têm ajudado muito. E sabe porquê? Não é por falta de vontade e de iniciativa do Sporting. Dos dois bancos financiadores, infelizmente para todos, um tem passado por grande perturbação interna que não tem facilitado nada o processo de decisão. Isto dificulta muito os ‘timings’. Mesmo assim, acredito que vamos conseguir porque já conseguimos sensibilizar o BCP para a necessidade da reformulação.

R – O seu objectivo era chegar aos 150 milhões num ano?
FSF – Entre os 150 e os 170 milhões?

R – E está nos 200 milhões, com a Câmara?
FSF – Estamos em cerca de 230, mas espero que, em breve, a Câmara aprove o interface e o processo do loteamento. O protocolo com a Câmara diz que é em Março, portanto até Março. Se isso se concretizar, o endividamento baixará substancialmente e andará entre os 200 e os 210 milhões. A partir daí, temos de fazer uma operação que está na reestruturação da dívida, para baixar o passivo para os 150/160 milhões.

R – Aí será só engenharia financeira? O ‘naming’ do estádio, que chegou a ser opção, não é hipótese neste momento?
FSF – O estádio tem um ‘naming’: Estádio José Alvalade. Isso seria fazer mais uma rotura total com o passado, porque é tirar o nome do fundador e junta-lo a uma entidade que possa patrocinar... Para isso, é preciso que, culturalmente, o Sporting esteja preparado e não sei se está. Eu, pelo menos, não sinto que esteja. E ainda vai demorar algum tempo a mudar um conjunto de mentalidades, no fenómeno desportivo e associativo, não só no Sporting mas também noutros clubes.

R – Isso aplica-se também à alienação de acções da SAD? Chegou a dizer que era preciso mudar mentalidades?
FSF – Eu não disse que era a alienação. Eu disse que não era necessário ter a maioria de uma SAD para ter o domínio da SAD. São duas coisas completamente diferentes.

R – Estamos a falar do aumento do capital social da SAD?
FSF – Não estamos a falar de aumento de capital nenhum, eu não posso falar sobre o aumento de capital ?

R – Mas disse, no início da entrevista, que íamos falar de tudo?
FSF – ?

R – Um dos seus objectivos não era alienar 27 por cento do capital da SAD?
FSF – Até ficar com 51. Isso faz parte do plano de redução do passivo, mas não posso dizer nada sobre isso.

R – Não se pode, pelo menos, saber se já existem parceiros definidos?
FSF – Não posso falar sobre essa matéria.

R – E quando é que vai poder falar?
FSF – Quando estiver fechado. E comunicado à CMVM.

R – Quer dizer que já encontrou parceiros?
FSF – Não quer dizer nada. E não posso fechar isto sem ter o acordo dos bancos. O que tenho de dizer aos bancos é que chego aos 150 milhões de uma maneira? certo? E, depois, vamos partir dos 150 milhões. Portanto, primeiro tenho de fechar esta equação para depois chegar lá e vender isto. Só depois posso. Até lá não!

R – Porque é que em Dezembro de 2006 disse que a dívida chegaria aos 150 milhões em Junho de 2007? E porque é que houve esse atraso?
FSF – Facílimo! Tínhamos 50 milhões da venda de património, mais 30/35 dos projectos imobiliários. Isto faz 85 milhões. Se tivéssemos concretizado tudo isto na altura que disse, não tínhamos sofrido o desgaste da dívida financeira até hoje e não tínhamos sido penalizados pelo contínuo crescimento das taxas de juro. Depois, derrapámos também com a venda do património, porque primeiro foi chumbado. Só me deixaram vender sete ou oito meses depois? Tudo isto custou uma pipa de massa! A venda deste património deve somar qualquer coisa como 40 milhões. Se você puser, fazendo uma taxa média de 6 por cento, 30 milhões a 6 por cento, dá 1,8 milhões por ano. Se não forem 32 e forem 30, ponha-lhe 2 milhões? Passaram sete anos, faz 14 milhões sem a capitalização de juro. Se o fizer dá uns 16 milhões. Se lhe tirar os primeiros dois anos, que era o normal o projecto demorar na câmara até ser aprovado, temos, só de prejuízo directo, 13 ou 14 milhões de euros.

R – Isso é em relação à Câmara?
FSF – Não, não é em relação à Câmara. Isto são as razões pelas quais o Sporting não pode comprar o Cardozo. É importante a massa associativa perceber isto, e não estou a fazer censura aos outros clubes, atenção! Mas o FC Porto teve uma situação excepcional: o Plano de Pormenor das Antas foi aprovado em situações fantásticas e a Academia ou o centro de treinos foi dado. Não teve que investir. Portanto, o endividamento do FC Porto comparado com o do Sporting é comparar a estrada da Beira com a beira da estrada. E em relação ao Benfica? Fez os mesmos protocolos que nós com a Câmara mas recebeu-os em 2003. Antes do Euro. Foram lá e bancaram tudo. E, na altura em que falei da questão do pavilhão, o presidente do Benfica diz: ‘Vou estar atento se a Câmara der mais um euro ao Sporting do que ao Benfica’. Mas o Sporting, relativamente ao Benfica, já leva uma desvantagem de 12 milhões de euros por causa da derrapagem dos projectos na Câmara?

R – Mas, quando se candidatou, não acreditava que, nesta altura, já teria conseguido sanear as contas?
FSF – Acreditava! Mas passava-lhe pela cabeça que, em termos políticos, houvesse algum partido na Câmara de Lisboa, depois de o Sporting ter feito o que fez por Lisboa para o Euro’2004, ter sido o primeiro clube a fazer o seu estádio, ter sido o primeiro clube a fazer uma Academia, ter sido o primeiro clube a reformular e a reestruturar uma zona urbana que estava completamente degradada, ao fim de sete anos ainda não ter os seus projectos aprovados na Câmara? Passava-lhe pela cabeça que primeiro fosse o PS a não querer votar e agora é o PSD que umas vezes vota contra e outras vezes a favor? A mim não! Partidos que aprovaram tudo, na Câmara, no executivo, na Assembleia Municipal, que ratificaram protocolos, uma, duas, três, quatro vezes? Com uma instituição de utilidade pública, com tudo o que o Sporting já deu à cidade de Lisboa, não me passava pela cabeça?

R – E já lhe passou pela cabeça tomar uma medida radical em relação à Câmara?
FSF – Não sou capaz? Por uma questão de educação e formação não sou capaz? E às vezes tenho pena de não ser capaz? Já pensei várias vezes que não devo ser presidente do Sporting porque, enquanto for, não consigo alterar os meus padrões de conduta, a minha postura, os meus princípios e os meus valores. Agora, este país muitas vezes não está formatado para quem tem os meus padrões de conduta.

R – Acha que essa atitude faz mal ao Sporting?
FSF – Acho. Acho mesmo que faço mal ao Sporting. Se olhasse para a vida de outra maneira já tinha, pelo menos, agitado muito mais os problemas do que agitei.

R – Sente que há má vontade política contra o presidente do Sporting?
FSF – Não. Sinto que os interesses políticos se sobrepõem, muitas vezes, aos compromissos que as pessoas assumem.

R – Não querendo meter consigo, tem mesmo azar?
FSF – ?

R – Mas tem mesmo. Quer renegociar a dívida com a banca e o banco atravessa problemas. Deseja ver os projectos imobiliários aprovados e os elementos da Câmara não se entendem. Há eleições e de aprovação nada? Isto é muito azar?
FSF – Não. Tive mais azar ainda logo no princípio, não foi aí? Tive uma campanha do António Dias da Cunha a dizer que eu não devia vender património?

R – Era a posição do antigo presidente do Sporting?
FSF – ...

R – Houve mesmo uma tentativa deliberada de fazer cair Dias da Cunha?
FSF – Graças a Deus, tenho perfeitamente documentada e escrita a altura em que saí da administração da SAD e porque saí. Tenho a consciência totalmente tranquila sobre isso. E sei que disse na altura que gostava que ele fosse o presidente do centenário do Sporting. Portanto, não tenho qualquer problema sobre essa matéria.

R – Mas saiu das sociedades ?
FSF – Se estiver frontalmente contra um conjunto de decisões, se acha que vão prejudicar o futuro dessa mesma sociedade e se não tem capacidade de inverter essas decisões, a única coisa que pode pedir é que não o façam ser solidário com isso.

R – Mas não quer revelar essas decisões?
FSF – Se quisesse, tinha-o feito na altura. Mas o dr. Rui Meireles sabe. Garanto-lhes que sabe. Se ele quis dizer o que disse a responsabilidade é dele mas que ele sabe, sabe.

R – Qual é o passivo consolidado do Sporting?
FSF – À volta de 230 milhões de euros.

R – E como é que se chega a este passivo?
FSF – Os investimentos que o Sporting fez andaram à volta de 190 milhões de euros. Na Academia, no estádio, no Holmes Place, na clínica, no Alvalaxia? Houve projectos imobiliários que vendemos em conjunto como o Holmes Place, a Clínica CUF, o Alvaláxia e a sede. Projectos que, em termos de caixa, davam prejuízo ao Sporting. Fundamentalmente porque o Alvaláxia perdia dinheiro. O consolidado disto era um prejuízo acumulado ao longo dos anos. O arrastamento dos projectos da Câmara já nos custou 14 milhões de euros e nos primeiros anos a SAD perdeu muito dinheiro.

R – Se era para perder dinheiro porque é que se fez o projecto imobiliário?
FSF – Quando chega a um cruzamento tem sempre várias opções. Não conheço tudo em pormenor mas o projecto empresarial que o Sporting tinha e pôs no papel na altura em que constituiu a SAD – e que passava por uma empresa multimédia, um projecto de franchising e por estes projectos imobiliários – era rentável. Não consigo ir recuperar hoje os documentos que estiveram nessa origem mas o merchandising renderia hoje ao Sporting cerca de cinco milhões de euros por ano. O projecto multimédia rende zero e era para valer muito dinheiro pois íamos vender os conteúdos e uma série de coisas, coisas da economia não real que havia na altura. Mas a nova economia foi um flop em todos os mercados, países e continentes. A base de sustentação era essa e tudo isso aconteceu no Mundo. O projecto imobiliário assentava em dois projectos sólidos: o Holmes Place, que se veio a verificar que era; e a clínica CUF, que rendia muito menos porque não tivemos fundos para a acabar e foram eles que terminaram. Já o centro comercial foi feito por causa do Euro 2004 – o estádio era para ter para 40 mil lugares e um pavilhão. Hoje em dia, nem temos um estádio com 40 mil lugares nem um pavilhão. Hoje, um estádio de 40 mil lugares serviria perfeitamente os interesses do Sporting e era excelente que tivéssemos um pavilhão? Mas isso não censuro. De todo! Estou a constatar factos e eu não censuro as opções tomadas porque, quando foram feitas, tinham fundamento. Essa coisa de acertar no totobola à segunda-feira é porreira, mas ninguém sabe o futuro. Os dirigentes do Sporting eram pessoas superiormente inteligentes, com boas visões estratégicas. O dr. José Roquette já fez empresarialmente coisas muito melhores do que eu. Não creio que não acreditasse na visão que estava a ter do negócio. E quando decidiu, fe-lo bem. O único erro que foi cometido foi passar o estádio dos 40 para os 50 mil lugares porque está provado hoje em dia que não se constrói um centro comercial sem ter um operador na mão. É exactamente como fazer um hotel: se quer vender um hotel já necessita ter a cadeia garantida. Acabámos por ter de ser nós a explorar o centro comercial?

R – Em termos práticos quanto é que o Sporting perdeu?
FSF – 50 milhões de euros, contas redondas.

R – Considera que há má vontade?
FSF – Não. É jogo político. Não é incompetência política. É jogo político puro.

R – Mas porque é que o Sporting não toma uma posição de força?
FSF – Porque o Sporting tem um mau presidente. Tem um mau presidente para defender essas causas, porque se eu fosse?

R – Quais são os princípios que um presidente deve ter para essas causas irem para a frente?
FSF – Maus princípios de conduta.

R – Existe concorrência desleal?
FSF – Se quiser exercer pressão política séria e se quiser utilizar uma instituição de utilidade pública como o Sporting como arma, com a capacidade de mobilização que o Sporting tem, e fazer disto uma arma de arremesso político, consegue. Mas comigo não! Garanto-lhes que um presidente do Sporting, no dia em que sentir que a Câmara o está deliberadamente prejudicar, se quiser mobilizar uma manifestação em frente aos Paços do Concelho, organiza à vontade!

R – Já pensou nessa hipótese?
FSF – Não consigo. Não faço isso porque não corresponde à minha forma de estar na vida. As coisas têm de ser resolvidas pelas entidades competentes, com princípios e valores de bem. É bom que na vida não seja preciso socorrermo-nos destas armas para resolvermos aquilo que nos devem e que devem resolver. Não vou utilizar essas armas.

R – É uma pessoa desiludida com os políticos em Portugal?
FSF – Não se pode generalizar. Não sou um desiludido com os políticos em Portugal. Sou um desiludido com alguns políticos?

R – ?Com os da Câmara de Lisboa?
FSF – Não tenho razões de queixa de nenhum dos presidentes da Câmara ao longo do processo de loteamento. Todos se portaram impecavelmente bem. De qualquer modo, eles são presidentes da Câmara, não são um partido que está dentro da Câmara. Mas tive algumas desilusões com o PS e com o PSD

R – O que é que já foi feito em termos de reorganização empresarial do Sporting?
FSF – O Sporting tinha quatro directores-gerais, hoje tem um. Tinha mais cerca de 30 funcionários e uma série de actividades, nomeadamente na área da comunicação, que eram negativas e que hoje estão equilibradas. Tinha também um sistema informático que não funcionava e que está em vias de corresponder às necessidades que o clube tem.

R – Quanto é que esta estrutura custa menos do que a anterior?
FSF – 1.1 milhões de euros por ano.

R – Quando é que espera que o Sporting fique financeiramente estável?
FSF – Espero que, até Junho, o Sporting fique financeiramente estável. Espero? Mas isso não depende de mim. Nós fizemos tudo! Comprometi-me a vender o património, vendi; comprometi-me a lutar para que os projectos imobiliários fossem aprovados e estão a ser; comprometi-me a reestruturar e reorganizar o Sporting, já o fiz; falta-me agora concretizar dois projectos: fechar o problema financeiro do Sporting e propor a construção de um pavilhão.

R – Falou nos 230 milhões de passivo. Tem alguma meta para o eliminar?
FSF – Até Junho de 2008, espero reduzir para os 150/160 milhões de euros.

R – E eliminá-lo na totalidade?
FSF – Isso é uma equação surreal – há sempre um montante de dívida que se consegue suportar e, depois, porque o património tem sempre o seu valor. Não serve para nada estar a pagar impostos em vez de juros. O dinheiro vai sempre para o mesmo lado. É preferível não fazer o esforço financeiro de alavancar a actividade para pagar endividamento e canalizar esse esforço para uma equipa mais competitiva e que obtenha melhores resultados.


Racionalismos vs ecletismos:

R – As modalidades do Sporting estão em perigo?
FSF – Não! O problema não está aí. O problema está no que os sportinguistas querem que o Sporting seja. Entre 80/90 por cento das receitas que o Sporting gera estão ligadas ao futebol. Só há uma margem de 10/15 por cento que estão ligadas às modalidades. Não só às modalidadas mas ao universo do Sporting. Depois, o clube tem uma série de outros custos para suportar: o museu que custa dinheiro, a estrutura do Conselho Directivo, relações públicas, secretárias? Tem também uma estrutura de núcleos... O que acontece é que as modalidades, no seu todo, não dão dinheiro, dão prejuízo. A partir daqui passa por uma decisão dos sportinguistas. A especialização implica rentabilização e o Sporting não pode ter modalidades de alta competição se não forem rentáveis, porque significa que estamos a tirar dinheiro bom para colocar em cima de problemas. Não consigo resolver nenhum problema mandando dinheiro bom para cima do problema. Isso é escamotear o problema! O Sporting perdia, em média, 10 milhões de euros por ano em média.

R – Isso era devido às modalidades?
FSF – Era devido à estrutura que tinha. Não tinha feito o novo estádio, não tinha uma Academia, não tinha feito os investimentos que fez. Não digo que vou acabar com o ecletismo, mas também não vou decidir sobre essa matéria. A alta competição no Sporting tem de ser para competir e ganhar. Ou se tem alta competição para competir e para ganhar – e deve-se ter –, e elas têm ou devem ser autosustentáveis, ou senão o que é que estamos a fazer: a tirar dinheiro da formação para pôr nessas modalidades, a tirar dinheiro do futebol profissional para pôr nessas modalidades, a tirar dinheiro da quotização para pôr nessas modalidades? No fundo, é mandar dinheiro para cima de um problema. Depois, temos outro tipo de modalidades, as modalidades onde temos competição e praticantes como a ginástica, a natação ou o karaté.

R – Essas são autosustentáveis?
FSF – Essas são “superhabitárias”. Os praticantes pagam. O Sporting, quando nasceu, foi fundado para fomentar o desporto, para ter praticantes. Não nasceu para ter atletas profissionais. Agora, é uma equação que eu não vou decidir?

R – Mas pretende fazer um referendo sobre as modalidades?
FSF – Não!

R – Mas então como é que os sportinguistas vão decidir?
FSF – No dia em que tiver o clube devidamente estruturado, vou apresentar as contas a todas aos sportinguistas numa Assembleia Geral e eles vão saber directamente o que cada uma custa. A partir daí, vão começar a formular uma opinião?

R – Existe alguma modalidade de alta competição que se autosustente?
FSF –Não, nem o próprio futsal.

R – Qual a solução?
FSF – O futsal está a caminho do equilíbrio. Mas há uma modalidade que o Sporting não vai acabar seguramente nunca, que é o atletismo.

R – O Sporting já fez um apelo ao Governo referente ao atletismo. Como é que está essa situação?
FSF – O Sporting é o clube que até mais medalhas deu a Portugal no atletismo. Cinquenta por cento das vezes que estes atletas correm, competem com a camisola da Selecção Nacional e são pagos pelo Sporting e não pela Selecção. O Governo tem um papel fundamental no fomento e na dinamização do atletismo de alta competição no país. É completamente inaceitável que não tenhamos Em Lisboa uma pista coberta. Com os campeões que temos produzido em pista coberta nas várias modalidades, é inaceitável que o Governo não possa sacrificar do meio dos seus orçamentos 15 ou 20 milhões de euros para fazer uma pista coberta. As medalhas que Portugal ganhou em pista coberta valem muito mais do que os 15 milhões de euros de investimento que depois pode ser autosustentado.

R – Há uma dívida moral relativamente ao atletismo do Sporting?
FSF – Sim. O Governo tem essa dívida moral, que nunca conseguirá pagar. Nem que faça hoje uma pista coberta em Lisboa!

R – O Sporting também tem uma dívida moral com a história e tradição do hóquei em patins no clube?
FSF – Como podia ter com o ciclismo? Mas o Sporting tem hóquei em patins de formação, não tem de competição mas tem de formação.

R – Como é que se entende que João Lagos, conhecido sportinguista, patrocine a equipa de ciclismo do Benfica e não do Sporting?
FSF – Porque os projectos empresariais não se decidem em função da cor da camisola. Decidem-se em função dos projectos que são apresentados. O Sporting não apresentou ao João Lagos nenhum projecto de ciclismo.

R – Porquê? Não considera que poderia ser rentável?
FSF – Não sei se pode ser rentável ou não. Não tenho as contas do Benfica. Duvido que o projecto de ciclismo do Benfica seja rentável, mas admito que até possa ser. O ciclismo é uma modalidade extremamente popular e se o Sporting pudesse encarar algum dia o ciclismo como modalidade devia fazê-lo. É preciso alguém dentro do Sporting que possa pilotar esse projecto, levar esse projecto para a frente. O ciclismo leva o Sporting a todos os pontos de Portugal. A Volta a Portugal tem grande popularidade. Pude assistir a duas etapas na última edição e fiquei fascinado, mas nesta altura não temos nenhuma estrutura interna para respondermos a esse tipo de desafio. Enquanto não sentir o Sporting financeiramente estável não avanço para mais desafios que possam pôr em risco a estabilidade financeira do clube.


Alianças com Porto, Benfica, análise do Apito Dourado e Vitor Pereira:
RECORD – Como estão as relações do Sporting com o Benfica e com o FC Porto?
FILIPE SOARES FRANCO – As relações com todos os clubes, à excepção do Nacional, são relações institucionalmente correctas e saudáveis.

R – Normalmente, nunca há equidistância em relação aos outros dois grandes. Neste momento há?
FSF – Julgo que sim. Da minha parte há o respeito e consideração por eles como concorrentes e adversários. De certa maneira e por uma questão de história, haverá mais rivalidade com o Benfica, muito embora o FC Porto seja o clube com mais títulos conquistados nos últimos anos e ser o adversário a superar em termos de êxitos desportivos, mas não vejo razão para não existirem relações correctas.

R – Mas almoça publicamente com o presidente do Benfica e não o faz com o presidente do FC Porto. Há alguma razão especial para isso?
FSF – Almocei com o presidente do Benfica a solicitação de um jornal que queria fazer um número sobre o centenário do dérbi e, por acaso, até jantei com o presidente do FC Porto, quando o Sporting foi ao Dragão.

R – De qualquer modo, o presidente Filipe Soares Franco não parece muito atreito a alianças. Por que razão?
FSF – Porque neste mercado, neste negócio, não tem de haver alianças quando não há razões para as fazer. No meu mercado, o da construção, temos de fazer alianças, às vezes porque há que fazer consórcios para concorrer a determinada obra. Neste caso, não há nada que me obrigue a uma aliança com A, B ou C, porque sou sempre um concorrente directo dele.

R – Acredita, então, nos manifestos como aquele que foi feito entre Dias da Cunha e Luís Filipe Vieira?
FSF – Isso é completamente diferente. O manifesto tinha um único objectivo, o de lutar pela transparência do futebol. Só não foi um êxito, porque houve muitos clubes que não aderiram ao manifesto. Não antevejo que nada no futebol português se faça verdadeiramente sem probabilidade de retrocesso ou desvios nos seus objectivos se não englobar de uma forma sincera, verdadeira e transparente os três maiores clubes de Portugal.

R – Foi um dos grandes defensores da Taça da Liga. Está a corresponder às suas expectativas?
FSF – O modelo organizativo, totalmente. O calendário, totalmente. A forma como algumas equipas encararam a prova, obviamente não.
R – Está a referir-se ao FC Porto e ao Benfica?
FSF – Se nós chegássemos a esta altura e tivéssemos em prova o Sporting, o Benfica, o FC Porto e o Sp. Braga ou o V. Setúbal ou o V. Guimarães?

R – Quer dizer que vai bater-se pela alteração das regras da prova, obrigando as equipas?
FSF – Não, não, não? Porque isso depende da gestão que cada equipa entende fazer do seu plantel e da importância que dá à Taça da Liga. Agora, terei uma enorme alegria se o Sporting ganhar a primeira Taça da Liga. Ficará na história. Terei imenso orgulho.

R – Mas vai rever a forma de encarar a Taça da Liga na próxima época?
FSF – Eu? Eu não.

R – É a favor de o vencedor ter acesso a uma competição europeia?
FSF – Para isso, a Taça da Liga tem de ter currículo. Sem currículo não se consegue fazer nada. Não é regulamentando internacionalmente e impondo uma regra para a Taça da Liga que nós vamos descobrir se ela é ou não importante para a competitividade das equipas portuguesas.

R – Está satisfeito com a actual direcção da Liga de Clubes?
FSF – Com a direcção da Liga, de uma forma geral, estou e estou de acordo até com as normas e com os projectos que o Dr. Hermínio Loureiro tem posto em cima da mesa. Com todos os órgãos da Liga não estou e, por vezes, isso faz-me ter algumas opiniões, sobretudo no campo da imagem da Liga e da actuação do próprio presidente, que não tem autoridade nem responsabilidade sobre as áreas disciplinar e de arbitragem.

R – Mas acha que devia ter?
FSF – Não, não? Mas tem de pugnar para que a Liga seja um órgão exemplar nas várias decisões que toma. Portanto, quando faz a sua lista tem de ter a certeza absoluta de que está a escolher pessoas que têm os mesmos padrões de conduta, valores e princípios e que vão actuar da mesma forma que ele actua.

R – Considera que ele não conhecia bem as pessoas?
FSF – Eventualmente.

R – Está desiludido com a actuação de Vítor Pereira?
FSF – Estou. Mas fundamentalmente? Vou repetir isto, porque já o disse várias vezes? Primeiro, não tenho nada contra o senhor Vítor Pereira, até porque acho que não o conheço pessoalmente. Sou capaz de o cumprimentar, se o encontrar, mas não o conheço pessoalmente. Sobretudo, no que estou extremamente desiludido com ele é com a dualidade de critérios que ele tem tido ao longo desta época. E isso preocupa-me.

R – Quer dar uns exemplos?
FSF – Não vale a pena. São sobejamente conhecidos.
R – Ainda não conseguiu ganhar a sua batalha de criar um organismo autónomo para a arbitragem?
FSF – Mas vou ganhar. Mas vou ganhar. Estou convencidíssimo que vou ganhar. Porquê? Estou convencido.
R – Como vê a esta distância o processo Apito Dourado?
FSF – É um caso que foi espoletado pelo Sporting, com muito mérito do Dr. Dias da Cunha, e do qual se desligou no dia em que o processo foi aberto pela Justiça. Considerei que a Justiça tinha de ter o seu espaço de manobra sem ser pressionada para realizar a sua tarefa. Como os portugueses em geral, eu também estou desiludido com o tempo que se tem demorado a avaliar as consequências do Apito Dourado. Espero, tal e qual como prometeram, que fique concluído em tempo oportuno no decorrer desta época. É um processo que tem duas áreas de actuação: a desportiva que se prende com as consequências desportivas sancionadas ou não pelos órgãos da Liga e da Federação, e a da justiça propriamente dita, que é a área criminal e que não me compete a mim avaliar.

A Academia e a formação de jovens valores:

RECORD – Os talentos não ficam mais do que uma época nos seniores e saem com cláusulas de 25/30 milhões. Será preciso começar a negociar essas cláusulas para os 50 milhões?
FILIPE SOARES FRANCO – Saem todos! Saem todos! Saem todos!

R – Mas, se tiverem uma cláusula de 50 milhões…
FSF – A cláusula é negociada, não é imposta. Quando se faz um contrato com um jogador, ele tem de ser negociado. Ou julgam que há algum jogador com 18 anos que aceita uma cláusula de rescisão de 50 milhões de euros?

R – Então, como mantê-los mais tempo?
FSF – Não é possível. Se aparece cá alguém e bate a cláusula de rescisão, não é possível.

R – A aposta terá de ser claramente na formação. O Sporting tem de formar cada vez mais jogadores como Nani, Simão ou Quaresma para poder tornar-se competitivo. Não há outra forma. Ou há?
FSF – Há, a forma de ter equipas competitivas e criar mais receita no futebol. E o meio de criar mais receita é, nomeadamente, os clubes terem mais adeptos e assistências nos jogos. O futebol em Portugal já só pode crescer através das receitas. Nós, no Sporting, não podemos reduzir mais custos na área do futebol para nos rentabilizarmos. Temos de crescer é nas receitas. E isso é um trabalho ciclópico que temos pela frente. Todos!

R – Há outros valores emergentes na Academia. Quais são, neste momento, as preocupações do Sporting, tendo em vista as cláusulas de rescisão e a garantia de activos a longo prazo?
FSF – A minha preocupação no Sporting é precisamente não revelar quem são esses talentos, para que não digam que estão a ser cobiçados [risos]…

R – Há um nome incontornável e que já é cobiçado, que é o Adrien Silva.
FSF – Desconheço.

R – Mas, não é uma preocupação da administração da SAD?
FSF – Renovar é. O Adrien é um talento em embrião. Tem muito, muito, muito para trabalhar, antes de ser um senhor jogador. Acreditamos nele, mas daí a dizer-se que ele já está a ser cobiçado e que vão pagar e que vão fazer…

R – Rui Patrício já é um valor mais seguro?
FSF – Tem 19 anos. Como guarda-redes tem muito para crescer. Se fosse o Stojkovic a fazer o que o Rui Patrício tem feito, se calhar tínhamos outro tipo de reacção. Mas é natural, ele tem 19 anos.

R – O Sporting teve um protocolo de cooperação com o Manchester United. Colheu alguns benefícios práticos desse acordo?
FSF – Que eu conheça, não houve um grande benefício desse protocolo mas colhemos uma coisa positiva: uma excelente relação com o Manchester United.

R – Mas nada ficou beliscado com esta última polémica?
FSF – Da minha parte, não. E creio que da parte do CEO do Manchester, do administrador delegado e do presidente executivo, também não.

R – Houve também um protocolo que acabou por não dar em nada com o Roeselare, que previa a ida de jogadores no âmbito da formação…
FSF – Vocês sabem mais coisas do Sporting do que eu [risos]…
R – Mas admite fazer acordos na América do Sul e África?
FSF – Temos, no papel, um projecto de internacionalização da Academia que gostávamos de levar à prática. Mas isso implica criar dentro da SAD uma estrutura completamente autónoma e dedicada a esse projecto.

R – África é um filão que gostaria de explorar?
FSF – Não só. Hoje em dia não é só África. Precisamos de ter consciência de que, para recrutar novo e bom, dentro das nossas capacidades, temos mais hipóteses nos países ditos emergentes do que em países desenvolvidos onde o bem-estar é outro, onde os clubes estão bem implantados com observadores, formação…

R – Uma Academia em Angola chegou a ser ou é uma hipótese?
FSF – Foi um projecto que esteve no papel. Em termos conceptuais, a ideia foi-nos apresentada mas nunca chegou a ser implementada porque, para isso, seja em que país for, é preciso um parceiro local disposto a investir e alguém que esteja ligado a três valores muito importantes: a língua, a percepção do Direito e a noção de inserção numa comunidade. Enquanto não dominarmos estas variáveis não estamos seguros e a única forma de o fazer é ter um parceiro local.

R – Essa estrutura vai arrancar?
FSF – Falta o tal encontro de quadros do clube em Janeiro.
R – Hoje em dia contrata-se cada vez mais cedo. Há uma questão relacionada com aquele miúdo de Braga que tem 8 anos e não pode jogar, porque o Benfica e o Sporting estão em guerra…

FSF – Desculpe, não há guerra nenhuma! O Sporting tinha um protocolo com os pais da criança, que previa a vinda dele para a Academia quando tivesse idade para o fazer. Até lá era jogador da Bragafut, competia pelo Bragafut e, eventualmente, viria à Academia realizar uns estágios e participar em alguns torneios. A situação do Benfica é diferente porque o Benfica inscreveu esta época o rapaz como seu jogador. A validade do contrato é só de um ano. É um problema entre o Benfica, o Bragafut e o rapaz.

R – Como vê a concorrência a este nível? O Benfica e o FC Porto estão, também, mais despertos e a apostar muito nesta área…
FSF – É com enorme orgulho que vejo o Benfica e o FC Porto a procurarem conhecer as melhores práticas do Sporting, montando projectos e tentando melhorá-los. Aí temos uma grande vantagem competitiva porque existe uma organização bem estruturada, profissional e competente montada há muitos anos. Por isso, acredito que, durante alguns anos, vamos conseguir vencer nessa competitividade.

R – Não sente minimamente ameaçada essa supremacia?
FSF – Sinto. Por isso, temos de fazer mais e melhor.

R – A criação de Academias com a marca Sporting espalhadas pelo país foi mais um passo que lhe permite estar à frente da concorrência?
FSF – Essa foi uma das decisões produzida num dos encontros em que reunimos as equipas de formação e a profissional. Chegámos à conclusão que, para manter o caminho vitorioso, era preciso enraizar essa pesquisa e recrutamento de forma mais sólida no País. Lançámos esse projecto, no ano transacto, com experiências piloto e este ano estamos a dinamizar. Aliás, o FC Porto quer implementar qualquer coisa do género com a marca “Dragon”...

Modelo a seguir:

RECORD – Que clube europeu serve de modelo ao Sporting?
FILIPE SOARES FRANCO – O Sporting tem o seu projecto próprio, que é muito distinto da realidade dos outros clubes europeus, até porque estes vivem noutras sociedades, com outra cultura e com outros padrões de vida. Há alguns anos, dizia-se que o Sporting tinha de se inspirar no Ajax pela afinidade em termos de formação, mas o Ajax não tem sido, nos últimos anos, o clube vencedor da Holanda, que tem estado sempre na Liga dos Campeões…

R – Para José Roquette, o clube modelo era o Manchester United…
FSF – Não digo que não seja um clube modelo, mas é outra realidade. O Manchester United não tem sócios, só tem accionistas. Praticamente só tem uma modalidade. É uma grande organização, eficiente, muito bem gerida e com uma maximização total das receitas. Pertence, porém, a outro campeonato e a outro negócio. O Manchester United, se foi comprado, não foi com muitos capitais próprios. Não se bancou o dinheirinho… Se pensarem no grupo Sporting, na SAD e na dívida consolidada adaptada ao Manchester, e se for apurar a dívida dos ingleses, terá uma grande surpresa..

R – Qual é o clube do campeonato do Sporting que pode servir como modelo?
FSF – Daqueles que eu conheço, o mais parecido é o Lyon. E considero que o Ajax tem muitas afinidades. Embora o Lyon seja também outra realidade, é uma instituição que aposta na formação, é bem gerida, organizada e está numa área metropolitana mais parecida com a nossa.

R – O Sporting já foi estudar como funciona o Lyon?
FSF – Já visitámos o Lyon e, mais recentemente, o Ajax. Perceberam-se as vicissitudes dos holandeses e como é que o Ajax superou alguns problemas. Conseguiu-o muito à conta dos patrocínios que obteve, nomeadamente do banco ABN, que é o grande financiador e impulsionador do futuro do clube.

R – É com base nesse tipo de modelos que o Sporting tem recrutado jogadores muito novos em detrimento de futebolistas seniores já feitos?
FSF – É por uma questão prática. Enquanto tivermos as taxas de juro e a dívida que temos no país, não podemos libertar dinheiro para determinados investimentos e para aumentar a massa salarial. Por isso, é importante num projecto desportivo dar machadadas na dívida em alturas de crise. Se conseguirmos ser o clube equilibrado que fomos nos últimos anos, esse dinheiro pode ser canalizado para o projecto desportivo.


"Não quero imitar o benfica":

RECORD – Perante uma conjuntura desportiva algo desfavorável, como pensa mobilizar as pessoas tendo em conta a estratégia de atingir os 100 mil sócios a curto prazo?
FILIPE SOARES FRANCO – Há uma única mensagem a passar. Primeiro, embora nós possamos fazer tudo para ganhar, nem sempre se ganha. Segundo, o Sporting tem que ser vivido com alguma emoção e muita paixão. E, depois, a equipa será tanto melhor e corresponderá tanto melhor, quanto mais for apoiada.

R – Quando pretende atingir os 100 mil sócios?
FSF – Gostava que isso acontecesse no ano de 2008.

R - O importante é como os captar…
FSF - É verdade e aí temos de fazer exactamente o que o FC Porto e o Benfica fizeram em relação ao futebol de formação do Sporting, isto é, analisar aquilo que foi feito pelos nossos directos concorrentes e por outros concorrentes na Europa.

R - Pode optar por imitar o projecto do kit do Benfica?
FSF – Não posso, não devo e não quero imitar o projecto do kit do Benfica, mas não me importo nada de reconhecer que tenho de me inspirar numa campanha tipo kit do Benfica por forma a promover um projecto com melhorias relativamente a esse.

R - Depois dos contactos que tem mantido com os núcleos, grupo Stromp e outras organizações ligadas ao clube, continua a considerar que o Benfica é maior do que o Sporting?
FSF - Em termos de adeptos e sócios, é maior do que o Sporting. O Sporting ainda não conseguiu passar dos 85 mil sócios, enquanto o Benfica tem registados mais do que esse número e diz que são mais de 150 mil. Nessa área, não há como negar. O que temos de pensar é em procurar ser melhores do que os nossos adversários. No dia em que formos melhores, teremos a grande oportunidade de sermos maiores. Nesta altura, não somos maiores, muito embora em vários segmentos de mercado sejamos melhores.


O problema somos nós:

R – Como analisa reacções como a da Juventude Leonina?
FSF – Não admito por uma questão cultural, de padrões e princípios de vida. As claques que têm protocolos com o Sporting são ajudadas para apoiarem o Sporting. Não patrocinamos claques para irem vaiar jogadores...

R – Que tipo de ajudas dá o Sporting às claques?
FSF – Facilita-se bilhetes, têm retorno sobre os sócios que angariam, sede no clube e uma série de facilidades. Têm também um número de bilhetes quando há uma final da Taça e, quando vão com o clube ao estrangeiro, têm um determinado número de bilhetes salvaguardado.

R – Suspendeu esse apoio depois dos últimos incidentes?
FSF – Não. As claques têm multas conforme as atitudes que tomam.

R – Portanto, foram multadas…
FSF – É um regulamento que está a ser aplicado. Mas estou convencido que o problema não é propriamente das claques mas de alguns grupos de pressão que estão à margem e que, quando estas estão mais fracas, aproveitam-se delas para tomar um conjunto de atitudes que não são meritórias. E não são meritórias porque as pessoas não dão a cara.

R – Quer revelar algum rosto desses grupos de pressão?
FSF – Não.

R – Mas sabe quem são?
FSF – Claro que sim! Ou achamos que sabemos… Os grupos de pressão são como os bloguistas. Não aceito bem que pessoas escrevam com base no anonimato. Tenho total desprezo por quem escreve sob o anonimato. Não leio blogues, nem tenho tempo...

R – Devolver a camisola do capitão do Sporting é já uma situação limite…
FSF – O João Moutinho já respondeu a essa questão. São os jogadores que têm de reagir sobre o que lhes vai na alma. Não compete ao presidente do Sporting fazer muitos mais comentários depois do que o capitão do clube fez sobre essa matéria.

R – Mas é o próprio clube que está em causa…
FSF – O João Moutinho já disse tudo o que havia para dizer sobre essa matéria.

R – Já recuperou a confiança no Conselho Leonino?
FSF – Essas afirmações têm a ver com uma única situação – uma informação que entendi que devia dar ao Conselho Leonino sobre o despedimento colectivo que se estava a preparar. Essa informação saiu no dia a seguir nos jornais. Teve a ver com isso.

R – Existe a possibilidade de se formar uma espécie de Conselho Geral em detrimento do Conselho Leonino?
FSF. – Não. Já várias vezes se falou no Conselho Leonino, no Conselho Directivo e até já se falou em termos de Assembleia Geral que devia haver uma reformulação do regulamento do Conselho Leonino e dos Estatutos. Essa incumbência foi dada ao presidente do Conselho Leonino, que é o presidente da AG. Não me meto nessa matéria. Não quero regular os estatutos do Sporting.

R – Mas é necessária essa reformulação?
FSF – É preciso haver uma actualização. Faz sentido. Não tenho problema nenhum em ter o Conselho Leonino que tenho, nem tenho problema nenhum de o Conselho Leonino ser eleito pelo método de Hondt. Não tenho problema nenhum sobre essa matéria… No entanto, penso que, a partir do momento em que há eleições, existem órgãos sociais que ganham e, em princípio, não deveria existir oposição dentro desses órgãos.

R – Sente essa oposição?
FSF – Não. Vivo bem com ela. Não tenho qualquer problema com isso.

R – Liga esses grupos de pressão a elementos de oposição do Conselho Leonino?
FSF – Não tenho esse tipo de problema na vida, falo com toda a gente. Não houve nenhum elemento do Conselho Leonino que me tenha pedido um esclarecimento que não tenha dado, que não tenha tido toda a informação. Ninguém nesse órgão que possa repreender-me por ter faltado eticamente aos meus deveres e obrigações.


1906

Luta & Resiste