sexta-feira, 27 de abril de 2012

Atentado CAMARATE - A confissão!!! Exclusivo Escrito





"Eu Fernando Farinha Simões {O mais baixo de bigode, o outro é o ex-presidente Franco}, decidi finalmente, em 2011, contar toda a verdade sobre Camarate. No passado nunca contei toda a operação de Camarate, pois estando a correr o prrocesso judicial, poderia ser preso e condenado. Tambem porque durante 25 anos não podia falar, por estar obrigado por parte da CIA, mas esta situação mudou agora, ao que acresce o facto da CIA, me ter abandonado completamente desde 1989. Finalmente decidi falar por obrigação de consciência.
Fiz o meu primeiro depoimento sobre Camarate, na Comissão de Inquérito parlamentar, em 1995. Mais tarde prestei alguns depoimentos em que fui acrescentandofactos e informações. Cheguei a prestar declarações para um programa da SIC, organizado por Emilio Rangel, que não chegou contudo a ir para o ar. Em todas essas declarações públicas contei factos sobre o atentado de Camarate, que nunca foram desmentidos, apesar dos nomes que citei e da gravidade dos factos que referi. Em todos esses relatos, eu desmenti a tese oficial de acidente, defendida pela Polícia Judiciária e pela Procuradoria Geral da República. Nunca tive duvidas de que as Comissões de Inquérito Parlamentares estavam no caminho certo, pois Camarate foi um atentado. Devo também dizer que tendo eu falado de factos sobre Camarate tão graves, e do envolvimento de certas pessoas nesses factos, sempre me surpreendeu que essas pessoas tenham preferido o silêncio. Então neste caso o {agraciado em 2001 como CGO da Ordem Militar de Cristo em 2001, envolvido com Roquette e Dias Loureiro na Plêiade/BPN} Tenente Coronel Lencastre Bernardo ou o Major Canto e Castro. Se se sentissem ofendidos pelas minhas declarações, teria sido lógico que tivessem reagido. Quanto a mim, este seu silêncio só pode significar que, tendo noção do que fizeram, consideram que quanto menos se falar neste assunto melhor.


2. Nessas declarações que fiz, desde 1995, fui relatando, sucessivamente, apenas parte dos factos ocorridos, sem nunca ter feito a narração completa dos acontecimentos. Estávamos ainda relativamente próximos dos acontecimentos, e não quis portanto revelar todos os pormenores, nem todas as pessoas envolvidas nesta operação. Contudo, após terem passado mais de 30 anos sobre os factos ocorridos, entendi que todos os portugueses tinham o direito de conhecero que verdadeiramente sucedeu em Camarate. Não quero contudo deixar de referir, que estou hoje profundamente arrependido de ter participado nesta operação, não apenas pelas pessoas que aí morreram, e cuja a qualidade humana só mais tarde tive ocasião de conhecer, como o prejuízo que constituiu, para o futuro do País, o desaparecimento dessas pessoas. Nesta altura contudo, Camarate era apenas mais uma operação em que participava, pelo que não medi as consequências. Peço por isso desculpa aos Familiares das vítimas, e aos portugueses em geral, pelas consequências da operação em que participei.
Gostaria assim de voltar atrás no tempo, para explicar como acabei por me envolver nesta operação. Em 1974 conheci na Afica do Sul, a agente dupla alemã, Uta Gerveck, que trabalhava para a BND – Serviços de Inteligência Alemães Ocidentais, e ao mesmo tempo para a Stassi. A cobertura legal de Uta Gerveck é feita através do Conselho Mundial das Igrejas (uma espécie de ONG), e é através dessa fachada que viaja practicamente pelo mundo todo, trabalhando ao mesmo tempo para a BND e para a Stassi.

3. Fez um livro em alemão que me dedicou, e que ainda tenho, sobre a luta de libertação do PAIGC na Guiné Bissau. O meu trabalho para a Stassi veio contudo a verificar-se posteriormente, quando já estava a trabalhar para a CIA. A minha infiltração na Stassi dá-se por convite de Uta Gerveck, em 1976, com a concordância da CIA, pois isso interessava-lhes muito.
Uta Gerveck apresenta-me, em 1978, em Berlim Leste a Marcus Wolf, então director da Stassi. Fui para este efeito então clandestinamente a Berlim Leste, com um passaporte espanhol, que me foi fornecido por Uta Gerveck. O meu trabalho de infiltração na Stassi consistiu na elaboração de relatórios pormenorizados acerca das “toupeiras” infiltradas na Alemanha Ocidental pela Stassi, que actuavam nomeadamente junto a Helmut Khol, Helmut Shmidt e de Hans Jurgen Wischewski. Hans Jurgen Wischewski era o responsável pelas relações e contactos entre a Alemanha Ocidental e de Leste, sendo presidente da Associação Alemã de Cooperação e Desenvolvimento ( ajuda ao terceiro mundo), e também ia ás reuniões do Grupo Bilderberg. vIabilizou também muitas operações clandestinas, nos anos 70 e 80, de ajuda a grupos de libertação, apartir de da Alemanha Ocidental. Estive também na Academia da Stassi, várias vezes em Postdan – Eiche.
Relativamente ao relato dos factos, gostaria de começar por referir que tenho contactos, desde 1970, em Angola, com um agente da CIA, que é o jornalista e apresentador Paulo Cardoso ( já falecido). Conheci Paulo Cardoso em Angola, com quem trabalhei na TVA – Televisão de Angola na altura.



4. Em 1975, formei em Portugal, os CODECO com José Esteves, Vasco Montez, Carlos Miranda e Jorge Gago ( já falecido). Esta organização pretendia defender, em Portugal, se necessário por via da guerrilha, os valores do mundo Ocidental => Ver operação Gladio!!!!
Através de Paulo Cardoso, sou apresentado, em 1975, no Hotel Sheraton, em Lisboa, a um agente da CIA, antena, ( recolha de informações), chamado Philip Snell. Falei então, durante algum tempo, com Philip Snell. O Paulo Cardoso estava então a viver no Hotel Sheraton. Passados poucos dias, Philip Snell diz-me para levantar gratuitamente, um bilhete de avião, de Lisboa para Londres, a uma ag~encia de viagens na Av. De Ceuta, que trabalhava para a embaixada dos EUA. Fui então a uma reunião em Londres, onde encontrei um amigo antigo, Gary Van Dyk, da Afica do Sul, que colaborava com a CIA.

Fui então entrevistado pelo chefe de estação da CIA para a Europa que se chamava Jonh Logan. Gary Van Dyk defendeu nessa reunião, a minha entrada para a CIA, dizendo que me conhecia bem de Angola, e que eu trabalhava com eficiência. Comecei então a trabalhar para a CIA, tendo também para esse efeito pesado o facto de ter anteriormente colaborado com a NISS – National Intelligence Security Service ( Agência Sul Africana de Informações). Gary Van Dyk era o antena, em Londres, do DONS- Department Operational of National Security (Sul Africana).

Regressado a Lisboa, trabalhei para a embaixada dos EUA, em Lisboa, entre 1975 e 1988, a tempo inteiro. Entre 1976 e 1977, durante cerca de um ano e meio, vivi numa suite no Hotel Sheraton em Lisboa, o que pode ser comprovado, tudo pago pela embaixada dos EUA. Conduzia então um carro com matricula diplomática, um Ford, que estacionava na garagem do Hotel. Nesta suite viveu também a minha mulher Elza, já grávida da minha filha Eliana.

5. O meu trabalho incluía recolha de informações e contra informações, informações sobre o tráfico de armas, de operações de combate ao tráfico de armas, de operações de combate ao tráfico de droga, informações sobre terrorismo, recrutamento de informadores, etc. Estas actividades incluem contactos com serviços secretos de outros países, como a Stassi, a Mossad, e a “Boss” (Sul Africana), depois NISS, depois DONS e actualmente SASS. Era pago em Portugal, recebendo cerca de USD 5.000 por mês. Nestas actividades facilita o facto de eu falar 6 linguas. Actuei utilizando vários nomes diferentes, com passaportes fornecidos pela embaixada dos EUA em Lisboa. Facilita também o facto de falar um dialecto Angolano o Kimbundo.

A embaixada dos EUA tinha também uma casa de recuo na Quinta da Marinha que me estava entregue, e onde ficavam frequentemente agentes e militares americanos, que passavam por Portugal. Era a vivenda “Alpendrada”.
A partir de 1975, como referi, passei a trabalhar directamente para a CIA. Contudo, a partir de 1978, passei a trabalhar como agente encoberto, no chamado “ Office of Special Operations”, a que se chamava serviços clandestinos, e que visavam observar um alvo, incluindo perseguir, conhecer e eleiminar esse alvo, em qualquer pais do mundo, exepto nos EUA. Por pertencermos a este Office, éramos obrigados a assinar uma clausula que se chamava “Plausible denial”, que significa que se fossemos apanhados nestas operações com documentos de identificação falsos, a situação seria por nossa conta e risco, e a CIA nada teria a ver com essa situação. Nessa circunstância, tínhamos o discurso preparado para explicar o que estávamos a fazer, incluindo estarmos preparados para aguentar a tortura. Trabalhei para o Office of Special Operations até 1989, ano em que saí da CIA.


7. Para fazer face a estes trabalhos e operações, as minhas contas dos cartões de crédito do VISA, Amercan Express e Dinners Club, tinham cada uma, um plafond de 10000 USD, que podiam ser movimentados em caso de necessidade. Estes cartões eram emitidos no Brasil, em bancos estrangeiros sedeados no Brasil, como o Citibank, po Bank of Boston ou o Bank of America. Entre 1975 e 1989, portanto durante cerca de 14 anos, gastei com estes cartões cerca de 10 milhões de USD, em operações em diversos países, nomeadamente pagando a informadores, políticos, militares, homens de negócios, e também a traficantes de armas e de droga, em ligação com a DEA (Drug Enforcement Agency). Existiram outros valores movimentados á parte, a partir de um saco azul “ em cash”, valores esses postos á disposição pelo chefe de estação da CIA, do local onde as operações eram realizadas. Este saco azul servia para pagar despesas como viajens, compras necessárias, etc.

Posso referir que a operação Camarate, que a seguier irei transcrever custou, a preços de 1980, entre 750.000 e 1 milhão de USD. Só o Sr. José António dos Santos Esteves recebeu 200.000 USD. Estas despesas relacionadas com a operação Camarate, incluíram os pagamentos a diversas pessoas e participantes, como o Sr. Lee Rodrigues, como seguidamente irei descrever.
Ente 1975 e 1988, participei em vários cursos e seminários em Langley, Virginia e Quantico, pago pela CIA, sobre informações, desinformação, contra-informação, terrorismo, contra-terrorismo, infiltrações encobertas, etc, etc.



8. Trabalhei em serviços de infiltração pela CIA e pela DEA, em diferentes países, como Portugal, El Salvador, Bolivia, Colômbia, Venezuela, Peru, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Chile, Líbano, Síria, Egipto, Argélia, Marrocos e Filipinas.
A minha colaboração com a DEA, iniciou-se em 1981, através de Richard Lee Armitage. Em 1980, Richard Armitage viria também a estar comigo e com Henry Kissinger em Paris. Richard Armitage era membro do CFR ( Council for Foreign Affairs and Relations) e da Organização e Cooperação para a Segurança da Europa (OSCE), criada pela CIA. Richard Armitage era também membro na altura, do grupo Carlyle, do qual o CEO era Frank Carlucci. O grupo Carlyle dedica-se á construção civil, imobiliário e é um dos maiores grupos de tráfico de armas do mundo, junto com o grupo Halliburton, chefiado por Richard “ Dick” Cheney. O Grupo Carlyle pertence a vários investidores privados dos EUA, por regra do Partido Republicano. Este grupo promove nomeadamente vendas de armas, petróleo e cimento para países como o Iraque, Afeganistão e agora para países da primavera árabe.

A lavagem do dinheiro do tráfico de armas e da droga era feito na altura, pelo Banco BCCI, ligado á CIA e á NSA – National Security Agency. O BCCI foi fundado em 1972 e fechado no principio dos anos 90, devido aos diversos escândalos em que esteve envolvido.

Oliver North pertencia ao Conselho Nacional de Segurança, ás ordens de William Walker, ex-embaixador dos EUA em El Salvador. Oliver North seguiu e segue sempre as ordens da CIA, dependente de William Casey. Oliver North está hoje retirado da CIA, e é o CEO de vários grupos privados americanos tal como Frank Carlucci.



9. Da DEA conheci Celerino Castillo, Mike Levine, Anabelle Grimm e Brad Ayers, tendo trabalhado para a DEA entre 1975 e 1989. Da CIA trabalhei também com Tosh Plumbey, Ralph Mcgehee – Tenente coronel da NSA, actualmente reformado. Da Cia trabalhei ainda com BO Gritz e Tatum. Estes dois agentes tinham a sua base de operações em El Salvador, ( onde eu também estive, nos anos 80, durante o tráfico Irão-Contras), desenvolvendo nomeadamente actividades de tráfico de armas. Uma das suas operações consistiu no transporte de armas dos EUA para El Salvador, que eram depois transportadas para o Irão e a Nicarágua. Os aviões, normalmente panamianos e colombianos, regressavam depois para os EUA com droga, nomeadamente cocaína, proveniente de países como a Colombia, Bolivia e El Salvador, que serviam para financiar a compra de armas. Esta actividade desenvolveu-se essencialmente desde os finais dos anos 70 até 1988.

A cocaína vinha nomeadamente da Ilha Norman´s Cay, nas Bahamas, de que era proprietário Carlos Lheder Rivas. Carlos Rivas era um dos chefes do cartel de Medellin, trabalhando para este cartel e para ele próprio. Carlos Rivas era, neste contexto, um personagem importante, sendo o braço direito de Roberto Vesco, que trabalhava para a CIA e para a NSA. Roberto Vesco era proprietário de bancos nas Bahamas, nomeadamente o Columbus Trust. Carlos Rivas fazia toda a logística de Roberto Vesco e forneciam armas a troco de cocaína, nomeadamente ao movimento de guerrilha colombiano M19. Roberto Vesco está hoje refugiado em Cuba.



10. O dinheiro das operações de armas e de droga são lavadas no Banco BCCI e noutros bancos, com o nome de código "Amadeus". Há no entanto contas activas nas Bahamas e em Norman's Cay, nas Ilhas Jersey, que gerem contas bancárias, nomeadamente para o tráfico de armas para os “Contras” da Nicarágua, e para o Irão.

Como acima referi, muito desse dinheiro foi para bancos americanos e franceses, o que em parte explicará porquê é que Manuel Noriega foi condenado a 60 anos de prisão, tendo primeiro estado preso nos EUA, depois em França, e actualmente no Panamá. Foi preso porque era conveniente que estivesse calado, não referindo nomeadamente que partilhava com a CIA, o dinheiro proveniente da venda de armas e da venda de drogas. Noriega movimentava contas bancárias em mais de 120 bancos, com conhecimento da CIA. Noriega fazia também parte da operação Black Eagle, dedicada ao tráfico de armas e de droga, que em 1982 se transformou numa empresa chamada Enterprise, com a colaboração de Oliver North e de Donald Gregg da CIA. Em face do grau de informações e de conhecimento que tinha, é fácil de perceber porquê se verificou o derrube e a prisão de Noriega. Devo dizer que estou pessoalmente admirado que não o tenham até agora “suicidado", pois deve ter muitos documentos ainda guardados. Noriega tinha a intenção de contar tudo o que sabia sobre este tráfico, nomeadamente sobre os serviços prestados à CIA e a Bush Pai, tendo por isso sido preso. Washington e a CIA são assim veículos importantes do tráfico de armas e de droga, utilizando nomeadamente os pontos de apoio de South Flórida e do Panamá.



11.No início dos anos 80 conheci um traficante do cartel de Cali, de nome Ramon Milian Rodriguez, que depois mais tarde perante uma comissão do Senado Americano, onde falou do tráfico de armas e de droga, do branqueamento de dinheiro, bem como das cumplicidades de Oliver North neste tráfico às ordens de Bush Pai e do Donald Gregg.

Muito do dinheiro gerado nessas vendas foi para bancos americanos e franceses. Este dinheiro servia também para compras de propriedades imobiliárias. Por estar ligado a estas operações, Noriega foi preso pelos EUA.

Foi numa operação de droga que realizei na Colômbia e nas Bahamas, em 1984, onde se deu a prisão de Carlos Lheder Rivas, do Cartel de Medallin, em que eu não concordei com os agentes da DEA da estação de Maiami, pois eles queriam ficar com 10 milões de dólares e com o avião "lear-jet" provenientes do tráfico de droga. Não concordando, participei desses agentes ao chefe da estação da DEA de Miami. Este chefe mandou-lhes então levantar um inquérito, tendo sido presos pela própria DEA. A partir de aí a minha vida tornou-se num verdadeiro inferno, nomeadamente com a realização de armadilhas, e detenções, tendo acabado por sair da CIA em 1989, a conselho de Frank Carlucci. O principal culpado da minha saida da CIA foi e da DEA foi John C. Lawn, director da estação da DEA e amigo de Noriega e de outros traficantes. John Lawn encobriu, ou tentou encobrir, todos os agentes da DEA que denunciei aquando da prisão de Carlos Rivas. Após a minha saída da CIA, Frank Carlucci continuou contudo a ajudar-me com dinheiro, com conselhos e com apoio logístico, sempre que eu precisei até 1994.

Regressando contudo à minha actividade em Portugal, anteriormente a Camarate e ao serviço da CIA, devo referir que conheci Frank Carlucci, em 1975, através de duas pessoas: um jornalista Português da RTP, já falecido, chamado Paulo Cardoso de Oliveira, que conhecera em Angola, e que era agente da CIA, e Gary Van Dyk, agente da BOSS (Sul Africana) que conheci também em Angola.



12.Mantive contactos directos frequentes com Frank Carlucci, sobretudo entre l975 e 1982, de quem recebi instruções para vários trabalhos e operações. Os meus contactos com Frank Carlucci mantêm-se até hoje, com quem falo ainda ocasionalmente pelo telefone. A última vez que estive com ele foi em Madrid, em 2008, na escala de uma viagem que Frank Carlucci realizou à Turquia.

Em Lisboa, também lidei e recebi ordens de William Hasselberg - antena da CIA em Lisboa, que além de recolher informacões em Lisboa actua como elo de ligação entre portugueses e americanos. Tive inclusivamente uma vida social com William Hasselberg, que inclui uma vida nocturna em Lisboa, em diferentes bares, restaurantes, e locais públicos. William Hasselberg gostava bastante da vida nocturna, onde tinha muito gosto em aparecer com as suas diversas “conquistas” femininas. Trabalhei também com outros agentes da CIA, nomeadamente Philip Agee. Neste ambito, trabalhei em operações de tráfico de armas, e em infiltrações em organizações com o objectivo de obter informações políticas e militares, “Billie” Hasselberg fala bem português, e era grande amigo de Artur Albarran, Hasselberg e Albarran conheceram-se numa festa da embaixada da Colômbia ou Venezuela, tendo Albarran casado nessa altura, nos anos 80, com a filha do embaixador, que foi a sua primeira mulher.



13. Das reuniões que tive com a embaixada americana em Lisboa, a partir de 1978, conheci vários agentes da CIA. O Chefe da estação da CIA em Portugal, John Logan, oferece-me um livro seu autografado. Conheci também o segundo chefe da CIA, Sr. Philip Snell, Sr. James Lowell, e o Sr. Arredondo. Da parte militar da CIA conheci o cor Wilkinson, a partir de quem conheci o coronel Oliver North e o coronel Peter Bleckley. O coronel Oliver North, militar mas também agente da CIA e o coronel Peter Bleckley, são os principais estrategas nos contactos internacionais, com vista ao tráfico e venda de armas, nomeadamente com países como Irão, Iraque, Nicarágua, e o El Salvador. Na sequência do conhecimento que fiz com Oliver North , tendo várias reuniões com ele e com agentes da CIA, por causa do tráfico e negócio de armas. Estas reuniões têm lugar em vários países, como os EUA, o México, a Nicarágua, a Venezuela, o Panamá. Neste último país contacto com dois dos principais adjuntos de Noriega, José Bladon, chefe dos serviços secretos do Panamá, que me disse que práticamente todos os embaixadores do Panamá em todo o Mundo estavam ao serviço de Noriega.

Blandon pediu-me na altura se eu arranjava um Rolls Royce Silver Spirits, para o embaixador do Panamá em Lisboa, o que acabei por conseguir. Em meados de 1980, Frank Carlucci refere-me, por alto, e pela primeira vez, que eu iria ser encarregue de fazer um "trabalho" de importância máxima e prioritária em Portugal, com a ajuda dele, da CIA, e da Embaixada dos EUA em Portugal, sendo-me dado, para esse efeito, todo o apoio necessário.

Tenho depois reuniões em Lisboa, com o agente da CIA, Frank Sturgies, que conheço pela primeira vez. Frank Sturgis é uma pessoa de aspecto sinistro e com grande frieza, e é organizador das forças anti-castristas, sediadas em Miami, e é elo de ligação com os "contra" da Nicarágua. Frank Sturgis refere-me então, que está em marcha um plano para afastar, definitivamente, (entenda-se eliminar) uma pessoa importante, ligada ao Governo Português de então, sem dizer contudo ainda nomes.



14.Algum tempo depois, possívelmente em Setembro ou Outubro de 1980, jogo ténis com Frank Carlucci quase toda a tarde, na antiga residência do embaixador dos EUA, na Lapa. Janto depois com ele, onde Frank Carlucci refere novamente que existem problemas em Portugal para a venda e transporte de armas, e que Francisco Sá Carneiro não era uma pessoa querida dos EUA. Depois já na sobremesa, juntam-se a nós o General Diogo Neto, o Coronel Vinhas, o Coronel Robocho Vaz e Paulo Cardoso, onde se refere novamente a necessidade de se afastarem alguns obstáculos existentes ao negócio de armas. Todos estes elementos referem a Frank Carlucci que eu sou a pessoa indicada para a preparação e implementação desta operação.

Em Outubro de 1980, num juntar no Hotel Sheraton onde participo eu, Frank Sturgies (CIA), Vilfred Navarro (CIA), o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas (já falecidos), onde se refere que há entraves ao tráfico de armas que têm de ser removidos. Depois há um outro jantar também no Hotel Sheraton, onde participam, entre outros, eu e o Coronel Oliver North, onde este diz claramente que "é preciso limar algumas arestas" e "se houver necessidade de se tirar alguém do caminho, tira-se", dando portanto a entender que haverá que eliminar pessoas que criam problemas aos negócios de venda de armas. Oliver North diz-me também que está a ter problemas com a sua própria organização, e que teme que o possam querer afastar e "deixar cair", o que acabou por acontecer.




15.Há também Portugueses que estavam a beneficiar com o tráfico de armas, como o Major Canto e Castro, o General Pezarat Correia, Franco Charais e o empresário Zoio. Sabe-se também já nessa altura que Adelino Amaro da Costa estava a tentar acabar com o tráfico de armas, a investigar o fundo de desenvolvimento do Ultramar, e a tentar acabar com lobbies instalados. Afastar essas duas pessoas pela via política era impossível, pois a AD tinha ganho as eleições. Restava portanto a via de um atentado.
Passados alguns dias, recebo um telefonema do Major Canto e Castro (pertencente ao conselho da revolução), que eu já conhecia de Angola, pedindo para eu me encontrar com ele no Hotel Altis. Nessa reunião está também Frank Sturgis, e fala-se pela primeira vez em "atentado", sem se referirem ainda quem é o alvo. referem que contam comigo para esta operação. O Major Canto e Castro diz que é preciso recrutar alguém capaz de realizar esta operação.

Tenho depois uma segunda reunião no Hotel Altis com Frank Sturgies e Philip Snell, onde Frank Sturgis me encarrega de preparar e arranjar alguns operacionais para uma possível operação dentro de pouco tempo, possívelmente dentro de 2 ou 3 meses. Perguntam-me se já recrutou a pessoa certa para realizar este atentado, e se eu conheço algum perito na fabricação de bombas e em armas de fogo. Respondo que em Espanha arranjaria alguém da ETA para vir cá fazer o atentado, se tal fosse necessário. Quem paga a operação e a preparação do atentado é a CIA e o Major Canto e Castro. Canto e Castro colabora na altura com os serviços Secretos Franceses, para onde entrou através do sogro na época. O sogro era de Nacionalidade Belga, que trabalhava para a SDEC, os serviços de inteligência franceses, em 1979 e 1980. Canto e Castro casou com uma das suas filhas, quando estava em Luanda, em Angola, ao serviço da Força Aérea Portuguesa. Em Luanda, Canto e Castro vivia perto de mim.

16.Tendo que organizar esta operação, falo então com José Esteves e mais tarde com Lee Rodrigues ( que na altura ainda não conhecia). O elo de ligação de Lee Rodrigues em Lisboa era Evo Fernandes, que estava ligado à resistência moçambicana, a Renamo. Falo nessa altura também com duas pessoas ligadas à ETA militar, para caso do atentado ser realizado através de armas de fogo.

Depois, noutro jantar em casa de Frank Carlucci, na Lapa, na Mansarda, no último andar, onde jantamos os dois sozinhos, Frank Carlucci diz abertamente e pela primeira vez, o que eu tinha de fazer, qual era a operação em curso e que esta visava Adelino Amaro da Costa, que estava a dificultar o transporte e venda de armas a partir de Portugal ou que passavam em Portugal, e que havia luz verde dada por Henry Kissinger e que essa ordem me seria dada directamente de Paris.

Poucos dias depois voo com Philipp Snell para Paris, ficando no Hotel Baltimore, na avenida Bis Kleber. Philip Snell faz uma reserva para um alto cargo dos EUA, no Hotel George V. Depois, juntamente com Philip Snell, desloco-me ao restaurante Fouquet, nos Champs Elisées, onde me encontro com Henri Kissinger e Oliver North. Cumprimento ambos, referindo que sou "o homem deles em Lisboa".



17.Três semanas antes dos atentado, Canto e Castro e Frank Surgies, referem pela primeira vez, que o alvo do atentado é Adelino Amaro da Costa. O Major Canto e Castro afirma que irá viajar para Londres. Frank Sturgies pede-me que obtenha um cartão de acesso ao aeroporto para um tal Lee Rodrigues, que é referido como sendo a pessoa que levará e colocará a bomba no avião.

Recebo depois um telefonema de Canto e Castro, referindo que está em Londres e para eu ir ter lá com ele. Refere-me que o meu bilhete está numa agência de viagens situada na Av. da Republica, junto à pastelaria Ceuta. Chegado a Londres fico no Hotel Grosvenor, ao pé de Victoria Station. Canto e Castro vai buscar-me e leva-me a uma casa perto do Hotel, onde me mostra pela primeira vez, o material, incluindo explosivos, que servirão para confeccionar a "bomba" nesta operação. Essa casa em Londres, era ao mesmo tempo residência e consultório de um dentista indiano, amigo de Canto e Castro, Canto e Castro refere-me que esse material será levado para Portugal pela sua companheira Juanita Valderrama. O Major Canto e Castro pede-me então que vá ao Hotel Altis recolher o material. Vou então ao Hotel acompanhado de José esteves, e recebemos uma mala e uma carta da senhora Juanita, José Esteves prepara então uma bomba destinada a um avião, com esses materiais, com a ajuda de Carlos Miranda.

O Major Canto e Castro volta depois de Londres, encontra-se comigo, e digo-lhe que a bomba está montada. Lee Rodrigues é-me apresentado pelo Major Canto e Castro. Alguns dias depois Lee Rodrigues telefona-me e encontramo-nos para jantar no restaurante Galeto, junto ao Saldanha, juntamente com Canto e Castro, onde aparece também Evo Fernandes, que era o contacto de Lee Rodrigues em Lisboa. Fora Evo Fernandes que apresentara Lee Rodrigues a Canto e Castro. Lee Rofrigues era moçambicano e tinha ligações à Renamo.

19.Nesse jantar alinham-se pormenores sobre o atentado. Canto e Castro refere contudo nesse jantar que o atentado será realizado em Angola. Perante esta afirmação, pergunto se ele está a falar a sério ou a brincar, e se me acha com “cara de palhaço"- fazendo tenção de me levantar. Refiro que, através de Frank Carlucci, já estava a par de tudo. Lee Rodrigues pede calma, referindo depois Canto e Castro que desconhecia que eu já estava a par de tudo, mas que sendo assim nada mais havia a esconder.

Possivelmente em Novembro, é-me solicitado por Philip Snell que participe numa reunião em Cascais, num iate junto á antiga marina (na altura não existia a actual marina). Vou e levo comigo José Esteves. Essa reunião tem lugar entre as 20 e as 23 horas, nela participando Philips Snell, Oliver North, Frank Sturgies, Sydral e Lee Rodrigues e mais cerca de 2 ou 3 estrangeiros, que julgo serem americanos. Nesta reunião é referido que há que preparar com cuidado a operação que será para breve, e falam-se de pormenores a ter em atenção. É referido também os cuidados que devem ser realizados depois da operação, e o que fazer se algo correr mal. A língua utilizada na reunião é o Inglês. José Esteves recebeu então USD 200.000 pelo seu futuro trabalho. Eu não recebi nada pois já era pago normalmente pela CIA. Eu nessa altura recebia da CIA o equivalente a cinco mil dólares, dispondo também de dois cartões de crédito Diner's Club e Visa Gold, ambos com plafonds de 10.000 Doláres.

20.Lee Rodrigues pede-me então que arranje um cartão para José Esteves entrar no aeroporto.
Para este efeito, obtenho um cartão forjado, na mouraria, em Lisboa, numa tipografia que hoje já não existe. Lee rodrigues diz-me também que irá obter uma farda de piloto numa loja ao pé do Coliseu, na Rua das Portas de Santo Antão. A meu pedido, João Pedro Dias, que era carteirista, arranja também um cartão para Lee Rodrigues. Este cartão foi obtido por João Pedro Dias, roubando o cartão de Miguel Wahnon, que era funcionário da TAP. Apenas foi necessário mudar-se a fotografia desse cartão, colocando a fotografia de Lee Rodrigues.

José Esteves prepara então em sua casa no Cacém, um engenho para o atentado. Conta com a colaboração de outro operacional chamado Carlos Miranda, expecialista em explosivos, que é recrutado por mim, e que eu já conhecia de Angola, quando Carlos Miranda era comandante da FNLA e depois CODECO em Portugal. José Esteves foi também um dos principais comandantes da FNLA, indo muitas vezes a Kinshasa.

Depois do artefacto estar pronto, vou novamente a Paris. No Hotel Ritz, à tarde, tenho um encontro com Oliver North, o cor. Wilkison e Philip Snell, onde se refere que o alvo a abater era Adelino Amaro da Costa, Ministro da Defesa.
Volto a Portugal, cerca de 5 ou 6 dias antes do atentado. É marcado por Oliver North um jantar no hotel Sheraton. Nesse jantar aparece e participa um indivíduo que não conhecia e que me é apresentado por Oliver North , chamado Penaguião. Penaguião afirma ser segurança pessoal de Sá Carneiro. Oliver North refere que Penaguião faz parte da segurança pessoal de Sá Carneiro e que é o homem que conseguirá meter Sá Carneiro no Avião. Penaguião afirma, de forma fria e directa que sá Carneiro também iria no avião, "pois dessa forma matavam dois coelhos de uma cajadada! " Afirma que a sua eliminação era necessária, uma vez que Sá Carneiro era anti-americano, e apoiava




21.incondicionalmente Adelino Amaro da Costa na denúncia do tráfico de armas, e na descoberta do chamado saco azul do Fundo de Defesa do Ultramar, pelo que tudo estava, desde o início, preparado para incluir as duas pessoas. Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. Fico muito receoso, pois só nesse momento fiquei a conhecer a inclusão de Sá Carneiro no atentado. Pergunto a Penaguião como é que ele pode ter a certeza de que Sá Carneiro irá no avião, ao que Penaguião responde de que eu não me preocupasse pois que ele, com mais alguém, se encarregaria de colocar Sá Carneiro naquele avião naquele dia e naquela hora, pois ele coordenava a segurança e a sua palavra era sempre escutada. No final do jantar, juntam-se a nós três o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas.

Fico estarrecido com esta nova informação sobre Sá Carneiro, e decido ir, nessa mesma noite, à residência do embaixador dos EUA, na Lapa, onde estava Frank Carlucci, a quem conto o que ouvi. Frank Carlucci responde que não me preocupasse, pois este plano já estava determinado há muito tempo. Disse-me que o homem dos EUA era Mário Soares, e que Sá Carneiro, devido à sua maneira de ser, teimoso e anti-americano, não servia os interesses estratégicos dos EUA. Mário Soares seria o futuro apoio da política americana em Portugal, junto com outros lideres do PSD e do PS. Aceito então esta situação, uma vez que Frank Carlucci já me havia dito antes que tudo estava assegurado, inclusivamente se algo corresse mal, como a minha saída de Portugal, a cobertura total para mim e para mais alguém que eu indicasse, e que pudesse vir a estar em perigo. Isto é a usual "realpolitik" dos Estados Unidos, e suspeito que sempre será.




22.Três dias antes do atentado há uma nova reunião, na Rua das Pretas no Palácio Roquete, onde participam Canto e Castro, Farinha Simões, Lee Rodrigues, José esteves e Carlos Miranda. Carlos Miranda colaborou na montagem do engenho explosivo com José Esteves, tendo ido várias vezes a casa de José esteves. Nessa reunião são acertados os últimos pormenores do atentado. Nessa reunião, Lee Rodrigues diz que ele está preparado para a operação e Canto e Castro diz que o atentado será a 3 ou 4 de Dezembro. Nessa reunião é dito que o alvo é Adelino Amaro da Costa. No dia seguinte encontramo-nos com Canto e Castro no Hotel Sheraton, e vamos jantar ao restaurante "O Polícia".

No dia 4 de Dezembro, telefono de um telefone no Areeiro, para o Sr. William Hasselberg, na Embaixada dos EUA, para confirmar que o atentado é para realizar, tendo-me este referido que sim. Desse modo, à tarde, José Esteves traz uma mala a minha casa, e vamos os dois para o aeroporto. Conduzo José esteves ao aeroporto, num BMW do José Esteves.

Já no aeroporto, José Esteves e eu entramos no aeroporto, por uma porta lateral, junto a um posto da Guarda Fiscal, utilizando o cartão forjado, anteriormente referido. Depois José Esteves desloca-se e entrega a mala, com o engenho, a Lee Rodrigues, que aparece com uma farda de piloto e é também visto por mim. Depois de cerca de 15 minutos, sai já sem a mala, e sai comigo do aeroporto. Separamo-nos, mas mais tarde José esteves encontra-se novamente comigo no cabeleireiro Baeta, no centro comercial Alvalade. Depois José esteves aparece em minha casa com a companheira da época, de nome Gina, e com um saco de roupa para lá ficar por precaução. Ouvi-mos depois o noticiário das 20 horas na televisão, e José Esteves fica muito surpreendido, pois não sabia que Sá Carneiro também ia no avião.




23.Afirma que fomos enganados. Telefona então para Lencastre Bernardo, que tinha grandes ligações à PJ e à PJ Militar, e uma Ligação ao General Eanes, Lencastre Bernardo tem também ligações a Canto e Castro, Pezarat Correia, Charais, ao empresário Zoio a José António Avelar que era ex-braço direito de Canto e Castro. José Esteves telefona-lhe, e pede para se encontrar com ele. Este aceita, pelo que, pelas 23 horas, José Esteves, eu, e a minha mulher Elza, dirigimo-nos para a Rua Gomes Freire, na PJ, para falar com ele. José Esteves sobe para falar com Lencastre Bernardo que lhe tinha dito que não se preocupasse, pois nada lhe sucederia. Passámos contudo por casa de José Esteves pois este temia que aí houvesse já um conjunto de polícias à sua procura, devido a considerarem que ele estava associado à queda do avião em camarate. José Esteves ficou assim aliviado por verificar que não existia aparato policial à porta de sua casa. Vem contudo dormir para minha casa.

Alguns dias depois falei novamente com Frank Carlucci. A quem manifestei o meu desconhecimento e ter ficado chocado por ter sabido, depois de o avião ter caído, que acompanhantes e familiares do Primeiro Ministro e do Ministro da Defesa também tinham ido no Avião. Frank Carlucci respondeu-me que compreendia a minha posição, mas que também ele desconhecia que iriam outras pessoas no avião, mas que agora já nada se podia fazer.

Em 1981, encontro-me com Victor Pereira, na altura agente da Polícia Judiciaria, no restaurante Galeto, em Lisboa. Conto a Victor Pereira que alguns dos atentados estão atribuidos às Brigadas Revolucionárias, relacionados com a colocação de bombas, foram porém efectuadas pelo José Esteves, como foram os casos dos atentados à bomba na Embaixada de Angola, de Cuba ( esta última com conhecimento de Ramiro Moreira), na casa de Torres Couto, na casa do prof. Diogo Freitas do Amaral, na casa do Eng. Lopes Cardoso, e na casa de Vasco Montez, a pedido deste, junto ao Jumbo em Cascais, para obter sensacionalismo á época, tendo José Esteves espalhado panfletos iguais aos da FP25. Não falei então com Victor Pereira de camarate.

Tomei conhecimento no entanto que Victor Pereira, no dia 4 de Dezembro de 1980, tendo ido nessa noite ao aeroporto da Portela, como agente da PJ, encontrou a mala que era transportada pelo eng. Adelino Amaro da Costa. Nessa mala estavam documentos referentes ao tráfico de armas e de pessoas envolvidas com o Fundo de defesa do Ultramar. Salvo erro, Victor Pereira entregou essa mala ao inspector da PJ Pedro Amaral, que por sua vez a entregou na PJ. Disse-me então Victor Pereira que essa mala, de maior importância no caso de Camarate, pelas informações que continha, e que podiam explicar os motivos e as pessoas por detrás deste atentado, nunca mais voltou a aparecer. Esta informação foi-me transmitida por Victor Pereira, quando esteve preso comigo na prisão de Sintra, em 1986. Não referi então a Victor Pereira que, como descrevo a seguir, eu tinha já tido contacto com essa mala, em finais de 1982, pelo facto de trabalhar com os serviços secretos na Embaixada dos EUA.

Também em 1981, uns meses depois do atentado, eu e o José Esteves fomos ter com o Major Lencastre Bernardo, na Polícia Judiciária, na Rua Gomes Freire. Com efeito, tanto o José Esteves como eu, andávamos com medo do que nos podia suceder por causa do nosso envolvimento no atentado de Camarate, e queríamos saber o que se passava com a nossa protecção por causa de Camarate. Eu não participo na reunião, fico à porta.



24.Contudo José Esteves diz-me depois que nessa conversa Lencastre Bernardo lhe referiu que, numa anterior conversa com Francisco Pinto Balsemão, este lhe havia dito ter tido conhecimento prévio do atentado de Camarate, pois em Outubro de 1980, Kissinger o informou de que essa operação ia ocorrer. Disse-lhe também que ele próprio tinha tido conhecimento prévio do atentado de Camarate. Disse-lhe ainda que podíamos estar sossegados quanto a Camarate, pois não ia haver problemas connosco, pois a investigação deste caso ia morrer sem consequências.

A este respeito gostaria de acrescentar que numa reunião que tive, a sós, em 1986, com Lencastre Bernardo, num restaurante ao pé do edifício da PJ na Rua Gomes Freire, ele garantiu-me que Pinto Balsemão estava a par do que se ia passar em 4 de Dezembro. No restaurante Fouchet's, em Paris, Kissinger tinha-me dito, “por alto”, que o futuro Primeiro Ministro de Portugal seria pinto Balsemão. E importante referir que tanto Henry Kissinger como Pinto Balsemão eram já, em 1980, membros destacados do grupo Bilderberg, sendo certo que estas duas pessoas levavam convidados às reuniões anuais desta organização.

Deste modo, aquando da conversa com Lencastre Bernardo, em 1986, relacionei o que ele me disse sobre Pinto Balsemão, com o que tinha ouvido em Paris, em 1980. Tive também esta informação, mais tarde, em 1993, numa conversa que tive com William Hasselberg, em Lisboa, quando este me confirmou de que Pinto Balsemão estava a par de tudo.




25.Em finais de 1982, pelas informações que vou obtendo na Embaixada dos EUA, em Lisboa, verifico que se fala de nomes concretos de personalidades americanas com tendo estado envolvidas em tráfico de armas que passava por Portugal. Pergunto então a William Hasselberg como sabem destes nomes. Ao fim de muitas insistências minhas, William Hasselberg acaba por me dizer que a Pj entregou, na embaixada dos EUA, uma mala com os documentos transportados por Adelino Amaro da Costa, em 4 de Dezembro de 1980, e que ficou junto aos destroços do avião, embora não me tenha dito quem foi a pessoa da PJ que entregou esses documentos. Peço então a William Hasselberg que me deixe consultar essa mala, uma vez que faço também parte da equipa da CIA em Portugal. Ele aceita, e pude assim consultar os documentos aí existentes. que consistiam em cerca de 200 páginas. Pude assim consultar este Dossier durante cerca de uma semana, tendo-o lido várias vezes, e resumido, à mão, as principais partes, uma vez que não tinha como fotografa-lo ou copia-lo.

Vejo então, que apesar do desastre do avião, e da pasta de Avelino Amaro da Costa ter ficado queimada, e ter sido substituida por outra, os documentos estavam intactos. Estes documentos continham uma lista de compra de armas, que incluia nomeadamente RPG-7, RPG-27, G3, lança granadas, dilagramas, munições, granadas, minas, rádios, explosivos de plástico, fardas, kalashiskovs AK-47 e obuses. Referia-se também nesses documentos que para se iludir as pistas, as vendas ilegais de armas eram feitas através de empresas de fachada, com os caixotes a referir que a carga se tratava de equipamentos técnicos, e peças sobresselentes para maquinas agrículas e para a construção civil. Esta forma de transportar armas foi-me confirmada várias vezes por Oliver North, no decorrer da década de 80, até 1988, e quando estive em Ilopango, no El Salvador, também na década de 80, verifiquei que era verdade.




26.Nestes documentos lembro-me de ver que algumas armas vinham da empresa portuguesa Braço de Prata, bem como referências de vendas de armas de Portugal e de países de Leste, como a Polónia e a Bulgária, com destino para a Nicarágua, Irão, El Salvador, Colombia, Panamá, bem como para alguns países Africanos que estavam em guerra, como Angola, ANC da África do Sul, Nigéria, Mali, Zimbawe, Quénia, Somália, Líbia, etc. Está também claramente referido nesses documentos que a venda de armas é feita através da empresa criada em Portugal chamada "Supermarket" (que operava através da empresa mãe "Black - Eagle").
Nos referidos documentos vi também que as vendas de armas eram legais através de empresas portuguesas, mas também havia vendas de armas ilegais feitas por empresas de fachada, com a lavagem de dinheiro em bancos suíços e "off-shores" em nome dos detentores das contas, tanto pessoas civis como militares.

As vendas ilegais de armas ocorriam por várias razões, nomeadamente: Em primeiro lugar muitos dos países de destino, tinham oficialmente sanções e embargos de armas. Em segundo lugar os EUA não queriam oficialmente apoiar ou vender armas a certos países, nomeadamente aos contra da Nicarágua, ou ao Irão e ao Iraque, a quem vendiam armas ao mesmo tempo, e sem conhecimento de ambos. Em terceiro lugar a venda de armas ilegal é mais rentável e foge aos impostos. Em quanto lugar a venda de armas ilegal permite o branqueamento de capitais, que depois podiam ser aproveitados para outros fins.

A junta era composta por sete membros. Presidida pelo general António de Spínola, integrava Rosa Coutinho, Pinheiro de Azevedo, Costa Gomes, Jaime Silvério Marques, Galvão de Melo e Diogo Neto


27.Entre os nomes que vi referidos nestes documentos figuravam:
- José Avelino Avelar
- Coronel Vinhas
- General Diogo Neto
- Major Canto e Castro
- Empresário Zoio
- General Pezarat Correia
- General Franco Charais
- General Costa Gomes
- Major Lencastre Bernardo
- Coronel Robocho Vaz
- Francisco Pinto Balsemão

Francisco Balsemão e Lencastre Bernardo eram referidos como elementos de ligação ao grupo Bildeberg e a Henry Kissinger, Francisco Balsemão pertence também à loja maçónica "Pilgrim", que é anglo-saxónica, e dependente do grupo Bilderberg. Lencastre Bernardo tinha também assinalada a sua ligação a alguns serviços de inteligência, visto ele ser, nos anos 80, o coordenador na PJ e na Polícia Judiciária Militar.

Entre as empresas Portuguesas que realizavam as vendas de armas atrás referidas, entre os anos 1974 e 1980, estavam referidas neste Dossier:
- Fundição de Oeiras (morteiros, obuses e granadas)
- Cometna (engenhos explosivos e bombas)
- OGMA (Oficinas Gerais Militares de Fardamento e OGFE (Oficinas de Fardamento do Exercito)
- Browning Viana S.A.
- A. Paukner Lda, que existe desde 1966
- Explosivos da trafaria
- SPEL (Explosivos)
- INDEP (armamento ligeiro e monições)
- Montagrex Lda, que actuava desde 1977, com Canto e Castro e António José Avelar. Só foi contudo oficialmene constituida em 1984, deixando, nessa altura, Canto e Castro de fora, para não o comprometer com a operação de Camarate. A Montagrex Lda operava no Campo Poqueno, e era liderada por António Avelar que era o braço direito de Canto e Castro e também sócio dessa empresa. O escritório dessa empresa no Campo Pequeno é um autentico “bunker", com portas blindadas, sensores, alarmes, códigos nas portas, etc.

Canto e Castro e António Avelar são também sócios da empresa inglesa BAE - Systems, sediada no Reino Unido. Esta empresa vende sistemas de defesa, artilharia, mísseis, munições, armas submarinas, minas e sobretudo sistemas de defesa anti-mísseis para barcos.Todos estes negócios eram feitos, na sua maior parte, por ajuste directo, através de brokers - intermediários, que recebiam as suas comissões, pagas por oficiais do Exército, Marinha, Aeronáutica, etc.




28.Nestes documentos era referido que, como consequência desta vendas de armas, gerava-se um fluxo considerável de dinheiro, a partir destas exportações, legais e ilegais. Estes documentos referiam também a quem eram vendidas estas armas, sobretudo a países em guerra, ou ligados ao terrorismo internacional. Era também referido que todas estas vendas de armas eram feitas com a conivência da autoridade da época, nomeadamente militares como o General Costa Gomes, o General Rosa Coutinho (venda de armas a Angola) e o próprio Major Otelo Saraiva de Carvalho ( venda de armas a Moçambique). Vi várias vezes o nome de Rosa Coutinho nestes documentos, que nas vendas de armas para Angola utilizava como intermediário o general reformado angolano, José Pedro Castro, bastante ligado ao MPLA, que hoje dispõe de uma fortuna avaliada em mais de 500 milhões de USD, e que dividia o seu tempo entre Angola, Portugal e Paris. O seu filho, Bruno Castro é director adjunto do Banco BIC em Angola.

No referido dossier estavam também referidos outros militares envolvidos neste negócio de armas, nomeadamente o Capitão Dinis de Almeida, o Coronel Corvacho, o Vera Gomes e Carlos Fabião.
Todas estas pessoas obtinham lucros fabulosos com estes negócios, muitas vezes mesmo antes do 25 de Abril de 1974 e até 1980. Era referido que estas pessoas, nomeadamente militares, que ajudavam nesta venda de armas, beneficiavam através de comissões que recebiam. Estavam referidos neste Dossier os nomes de "off-shores", que eram usadas para pagar comissões às pessoas atrás referidas e a outros estrangeiros, por Oliver North ou por outros enviados da CIA. Estas "off-shores" detinham contas bancárias, sempre numeradas.

29.Esta referência batia certo com o que Oliver North sempre me contou, de que o negócio das armas se proporciona através de "off-shores" e bancos controlados para a lavagem de dinheiro.

Vale a pena a este respeito referir que no negócio das armas, empresas do sector das obras públicas aparecem frequentemente associadas, como a Haliburton, a Carlyle, ou a Blackwater, (empresa de armas, construção e mercenários), entre outras. Esta relação está referida, há anos, em vários relatórios, nomeadamente nos relatórios do Bribe Payer Index (indice internacional dos pagadores de subornos), que é uma agência americana. A indicação deste tipo de práticas foi desenvolvida mais tarde, pela Transparency International e pelo Comité Norte Americanos de Coordenação e Promoção do Comercio do Senado Americano, que referem que há muitos anos , mais de 50% do negócio e comercio de armas em Portugal, é feito através de subornos. Os americanos sempre usaram Portugal para o tráfico de armas, fazendo também funcionar a Base das Lajes, nos Açores, para este efeito, nomeadamente depois de 1973, aquando da guerra do Yom Kippur, entre Israel e os países árabes. Este tráfico de armas deu origem a várias contrapartidas financeiras, nomeadamente através da FLAD, que foi usada pela CIA para este efeito. A FLAD recebeu diversos fundos específicos para a requalificação de recursos humanos.

Não ví contudo neste Dossier observações referindo referindo que estas vendas de armas eram condenáveis ou que tinham efeitos negativos. Havia contudo uma pequena nota, em que algumas folhas de que se devia tomar cuidado com tudo o que aí estava escrito, e que portanto se devia actuar. Havia também na primeira página um carimbo que dizia "confidentical and restricted".




30.Estas vendas de armas continuaram contudo depois de 1980. Tanto quanto eu sei, estas vendas de armas continuaram a ser realizadas até 2004, embora com um abrandamento importante a partir de 1984, a partir do escândalo das fardas vendidas à Polónia.
No referido Dossier estavam também referidas personalidades americanas envolvidas no negócio de armas, nomeadamente Bush (Pai), dick Cheney, Frank Carlucci, Donald Gregg, vários militares, bem como a empresas como a Blackwater. são ainda referidas empresas ligadas aos EUA, como a Carlyle, Haliburton, Black Eagle Enterprise, etc, que estavam a usar Portugal para os seus fins, tanto pela passagem de armas através de portos portugueses, como pelo fornecimento de armas a partir de empresas portuguesas. Tirei apontamentos desses documentos, que ainda hoje tenho em meu poder.

A empresa atrás referida, denominada supermarket, foi criada em Portugal em 1978, e operava através da empresa mão, de nome Black-Eagle, dirigida por William Casey, (membro do CFR(Council for Foreign Affairs and Relations), ex-embaixador dos EUA nas Honduras e também com ligações à CIA). A empresa supermarket organizava a compra de armas de fabrico soviético, através de Portugal, bem como a compra de armas e munições portuguesas, referidas anteriormente, com toda a cumplicidade de Oliver North. Estas armas iam para entrepostos nas Honduras, antes de serem enviadas para os seus destinos finais. Oliver North pagou muitas facturas destas compras em Portugal, através de uma empresa chamada Gretsh World, que servia de fachada à Supermarket.




31.Mais tarde, cerca de 1985, quando se começou muito a falar de camarate, Oliver North cancelou a operação "Supermarket, e fechou todas as contas bancárias. Devo ainda referir que William Hasselberg e outros americanos da embaixada dos EUA, em Lisboa, comentaram comigo, várias vezes o que estava escrito neste Dossier. Relativamente a Hasselberg isso era lógico, pois foi ele que me deu o Dossier a ler. Posteriormente comentei também o que estava escrito neste Dossier com Frank Carlucci, que obviamente já tinha conhecimento da informação nele contida.

Tanto William Hasselberg, como membro da CIA, como outros elementos da CIA atrás referidos e outros, comentaram várias vezes comigo o envolvimento da CIA na operação de Camarate e neste negócio de armas. Lembro-me nomeadamente que quando alguém da CIA, me apresentava a outro elemento da Cia, dizia frequentemente "this is the portuguese guy, the one from Camarate, the case in Portugal with the plane!".

As vendas de armas, a partir e através de Portugal, foram realizadas ao longo desses anos, pois era do interesse politico dos EUA. A CIA organizou e implementou estas vendas de armas em Portugal, à semelhança do que sucedeu noutros países, pois era crucial para os EUA que certs armas chegassem aos países referidos, de forma não oficial, tendo para isso utilizados militares e empresários Portugueses, que acabaram também por beneficiar dessas vendas.

Como anteriormente referi, William Casei e Oliver North estavam, nas décadas de 70 e 80 conluiados com o presidente Manuel Noriega, no escândalo Irão - contras (Irangate). Foi sempre Oliver North que se ocupou da questão dos reféns americanos no Irão, bem como da situação da América Central. Recebeu pessoalmente por isso uma carta de agradecimentos de George Bush Pai, Vice Presidente à época de Ronald Reagan.




32.Devo dizer a este respeito que John Bush, filho de Bush Pai, então com 35 anos, a viver na Flórida, pertencia em 1979 e 1980 ao “Condado de Dade", que era e é uma organização republicana, situada em South Florida, destinada a angariar fundos para as campanhas eleitorais republicanas. John Bush era um dos organizadores de apoios financeiros para os "contra" da Nicarágua.
Conheci também Monzer Al Kasser um grande traficante de armas que tinha uma casa em Puerto Banus em Marbella, e que me foi apresentado, em Paris, por Oliver North, em 1979. Era um dos grandes vendedores de armas para os “Contra” na Nicarágua, trabalhando simultaneamente para os serviços secretos sírios, búlgaros e polacos. Na sua casa em Marbella, referiu-me também que, por vezes, o tráfico de armas era feito através de África, para que no Iraque não se apercebessem da sua proveniência, pois também vendiam ao mesmo tempo ao Irão e mesmo a Portugal. Este tráfico de armas, que estava em curso, desde há vários anos, em 1980, e o começo do caso Camarate.

Através de Al Kasser conheci, em Marbella, no final de 1981, outro famoso traficante de armas, numa festa em casa de Monzer, que se chamava Adrian Kashogi. Kashogi, como pude testemunhar em sua casa, tinha relações com políticos e empresários europeus, árabes e africanos, por regra ligados ao tráfico de armas e drogas.




33.Sou preso em 1986, acusado de tráfico de drogas. Esta prisão foi uma armadilha montada pela DEA, por elementos que nessa organização não gostavam de mim, por eu ter levado à detenção de alguns deles, como referi anteriormente. Fui então levado para a prisão de Sintra. Estou na prisão com o Victor Pereira,, que aí também estava preso. Sei, em 1986, que estavam a preparar para me eliminar na prisão, pelo que peço à minha mulher Elza, para ir falar, logo que possível com Frank Carlucci. Em consequência disso recebo na prisão a visita de um agente da CIA, chamado Carlston, juntamente com outro americano. estes, depois de terem corrompido a direcção da prisão, incluindo o director, sub-director e chefe da guarda, bem como um elemento que se reformou muito recentemente, da Direcção Geral dos serviços Prisionais, chamada Maria José de Matos, conseguem a minha fuga da prisão. Contribuiu ainda para esta minha fuga, mediante o recebimento de uma verba elevada, paga pelos referidos agentes americanos esta directora-adjunta da Direcção Geral dos serviços Prisionais. Estes agentes americanos obtêm depois um helicóptero, que me transporta para a Lousã, onde fico cerca de 20 dias. Vou depois para Madrid, com a ajuda dos americanos, e depois daí ara o Brasil. as despesas com a minha fuga da prisão custaram 25000 euros, o que na época era uma quantia elevada.

Só mais tarde no Brasil, depois de 1986, é que referi a José Esteves que sabia que Sá Carneiro ia no avião, contando-lhe a história toda. José Esteves, responde então, que nesse caso, tinha-mos corrido um grande risco. Eu tranquilizei-o, referindo que sempre o apoiei e protegi neste atentado. Dei-lhe apoio no Brasil no que pude. Assegurei-lhe também o transporte para o Brasil, obtendo-lhe um passaporte no Governo Civil de lisboa, entreguei-lhe 750 contos que me foram dados para esse efeito pela embaixada dos EUA, em Lisboa, e arranjei-lhe o bilhete de avião de Madrid para o Rio de Janeiro . Na viagem de Lisboa para Madrid, José Esteves foi levado por Victor Moura, um amigo comum. No Rio de Janeiro ajudei-o a montar uma loja, numa roulote. Como trabalhava ainda para a embaixada dos EUA, em Lisboa, estas despesas foram suportadas pela Embaixada. Ficou no Brasil cerca de dois anos. Eu, contudo andava constantemente em viagens.



34.José Esteves recebe depois um telefonema de Francisco Pessoa de Portugal, onde Francisco Pessoa o aconselha a voltar a Portugal, e a pedir protecção, a troco de ir depor na Comissão de Inquérito Parlamentar sobre Camarate. Esse telefonema foi gravado, mas José Esteves nunca chegou a obter uma protecção formal.Telefono a Frank Carlucci, em 1987, pedindo-lhe para falar com ele pessoalmente. Ele aceita, pelo que viajo do Brasil, via Miami, para Washington.
Pergunto-lhe então, em face do que se tinha falado de Camarate, qual seria a minha situação, se corria perigo por causa de Camarate, e se continuarei, ou não a trabalhar para a CIA. Frank Carlucci responde-me que sim, que continuarei a trabalhar para a CIA, tendo efectivamente continuado a ser pago pela CIA até 1989. Frank Carlucci confirma nessa reunião que puderam contar com a colaboração de Penaguião na operação de Camarate, e que ele, Frank Carlucci, esteve a par dessa participação.

Em 1994, foi-me novamente montada uma armadilha em portugal, por agentes da DEA que não gostavam de mim, por causa da referida prisão de agentes seus, denunciados por mim.



35.Nesta armadilha participam também três agentes da DCITE - Portuguesa, os hoje inspectores Tomé, Sintra e Teófilo Santiago. Depois desta detenção, recebo a visita na prisão de Caxias de dois procuradores do Ministério Público, um deles, se não estou em erro, chamado Fernando Ventura, enviados por Cunha Rodrigues, então Procurador Geral da República. Estes procuradores referem-me que me podem ajudar no processo de droga de que sou acusado, desde que eu me mantenha calado sobre o caso Camarate.

Por ser verdade. e por entender que chegou o momento de contar todo o meu envolvimento na operação de Camarate, em 4 de Dezembro de 1980, decidi realizar a presente Declaração, por livre vontade. Não podendo já alterar a minha participação nesta operação, que na altura estava longe de poder imaginar as trágicas consequências que teria para os familiares das vítimas e para o país, pude agora, ao menos, contar toda a verdade, para que fique para a História, e para que nomeadamente os portugueses possam dela ter pleno conhecimento.

Não quero, por ultimo, deixar de agradecer à minha mãe, à minha mulher Elza Simões, que ao longo destes mais de 35 anos, tanto nos bons como nos maus momentos, sempre esteve a meu lado, suportando de forma extraordinária, todas as dificuldades, ausências, e faltas de dedicação à família que a minha profissão implicava. Só uma grande mulher e um grande amor a mim tornaram possível este comportamento. Quero também agradecer à minha filha Eliana, que sempre soube aceitar as consequências que para si representavam a minha vida profissional, nunca tendo deixado de ser carinhosa comigo. Finalmente quero agradecer à minha mão que, ao longo de toda a minha vida me acarinhou e encorajou, apesar de nem sempre concordar com as minhas opções de vida. A natureza da sua ajuda e apoio, tiveram para mim uma importância excepcional, sem, as quais não teria conseguido prosseguir, em muitos momentos da minha vida.
Posso assim afirmar que tive sempre o apoio de uma família excepcional, que foi para mim decisiva nos bons e maus momentos da minha vida.

Lisboa, 26 de Março de 2012
Fernando Farinha Simões
B.I. n.º 7540306"

Filmes da época:

Dossier Camarate Sá Carneiro 1980 Acidente Parte 01 [Reportagem RTP 1983]

Dossier Camarate Sá Carneiro 1980 Acidente Parte 02 [Reportagem RTP 1983

Morte Sá Carneiro 04-12-1980 (Notícia + Conversa Piloto / Torre Controlo)

1906

Luta & Resiste!

Sporting!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sporting 1906 Ontem, Hoje e Sempre!

1906 Luta & Resiste!

Os Donos de Portugal!

Documentário que sumariza a acção dos grandes grupos económicos em Portugal! 1906 Luta e Resiste!

domingo, 11 de março de 2012

A realidade e o contexto


"No fim do ano passado escreveu um artigo onde afirmava que a Grécia estava a ser atacada por assassinos económicos. Acha que Portugal está na mesma situação?
Sim, absolutamente, tal como aconteceu com a Islândia, a Irlanda, a Itália ou a Grécia. Estas técnicas já se revelaram eficazes no terceiro mundo, em países da América Latina, de África e zonas da Ásia, e agora estão a ser usadas com êxito contra países como Portugal..."

Este é apenas um cheirinho da exelente entrevista de Jonh Perkins, já aqui mencionado nestas páginas ao jornal i!

E aqui fica a entrevista total:

Como se passa de assassino económico a activista?
Em primeiro lugar é preciso passar-se por uma forte mudança de consciência e entender o papel que se andou a desempenhar. Levei algum tempo a compreender tudo isto. Fui um assassino económico durante dez anos e durante esse período achava que estava a agir bem. Foi o que me ensinaram e o que ainda ensinam nas faculdades de Gestão: planear grandes empréstimos para os países em desenvolvimento para estimular as suas economias. Mas o que vi foi que os projectos que estávamos a desenvolver, centrais hidroeléctricas, parques industriais, e outras coisas idênticas, estavam apenas a ajudar um grupo muito restrito de pessoas ricas nesses países, bem como as nossas próprias empresas, que estavam a ser pagas para os coordenar. Não estávamos a ajudar a maioria das pessoas desses países porque não tinham dinheiro para ter acesso à energia eléctrica, nem podiam trabalhar em parques industriais, porque estes não contratavam muitas pessoas. Ao mesmo tempo, essas pessoas estavam a tornar--se escravos, porque o seu país estava cada mais afundado em dívidas. E a economia, em vez de investir na educação, na saúde ou noutras áreas sociais, tinha de pagar a dívida. E a dívida nunca chega a ser paga na totalidade. No fim, o assassino económico regressa ao país e diz-lhes “Uma vez que não conseguem pagar o que nos devem, os vossos recursos, petróleo, ou o que quer que tenham, vão ser vendidos a um preço muito baixo às nossas empresas, sem quaisquer restrições sociais ou ambientais”. Ou então, “Vamos construir uma base militar na vossa terra”. E à medida que me fui apercebendo disto a minha consciência começou a mudar. Assim que tomei a decisão de que tinha de largar este emprego tudo foi mais fácil. E para diminuir o meu sentimento de culpa senti que precisava de me tornar um activista para transformar este mundo num local melhor, mais justo e sustentável através do conhecimento que adquiri. Nessa altura a minha mulher e eu tivemos um bebé. A minha filha nasceu em 1982 e costumava pensar como seria o mundo quando ela fosse adulta, caso continuássemos neste caminho. Hoje já tenho um neto de quatro anos, que é uma grande inspiração para mim e me permite compreender a necessidade de viver num sítio pacífico e sustentável.

Houve algum momento em particular em que tenha dito para si mesmo “não posso fazer mais isto”?Sim, houve. Fui de férias num pequeno veleiro e estive nas Ilhas Virgens e nas Caraíbas. Numa dessas noites atraquei o barco e subi às ruínas de uma antiga plantação de cana-de-açúcar. O sítio era lindo, estava completamente sozinho, rodeado de buganvílias, a olhar para um maravilhoso pôr do Sol sobre as Caraíbas e sentia-me muito feliz. Mas de repente cheguei à conclusão que esta antiga plantação tinha sido construída sobre os ossos de milhares de escravos. E depois pensei como todo o hemisfério onde vivo foi erguido sobre os ossos de milhões de escravos. E tive também de admitir para mim mesmo que também eu era um esclavagista, porque o mundo que estava a construir, como assassino económico, consistia, basicamente, em escravizar pessoas em todo o mundo. E foi nesse preciso momento que me decidi a nunca mais voltar a fazê--lo. Regressei à sede da empresa onde trabalhava em Boston e demiti-me.

E qual foi a reacção deles? De início ninguém acreditou em mim. Mas quando se aperceberam de que estava determinado tentaram demover-me. Fizeram-me propostas muito interessantes. Mas fui-me embora à mesma e deixei por completo de me envolver naquele tipo de negócios.

Diz que os assassinos económicos são profissionais altamente bem pagos que enganam os países subdesenvolvidos, recorrendo a armas como subornos, relatórios falsificados, extorsões, sexo e assassinatos. Pode explicar às pessoas que não leram o seu livro como tudo isto funciona?
Basicamente, aquilo que fazíamos era escolher um país, por exemplo a Indonésia, que na década de 70 achávamos que tinha muito petróleo do bom. Não tínhamos a certeza, mas pensávamos que sim. E também sabíamos que estávamos a perder a guerra no Vietname e acreditávamos no efeito dominó, ou seja, se o Vietname caísse nas mãos dos comunistas, a Indonésia e outros países iriam a seguir. Também sabíamos que a Indonésia tinha a maior população muçulmana do mundo e que estava prestes a aliar-se à União Soviética, e por isso queríamos trazer o país para o nosso lado. Fui à Indonésia no meu primeiro serviço e convenci o governo do país a pedir um enorme empréstimo ao Banco Mundial e a outros bancos, para construir o seu sistema eléctrico, centrais de energia e de transmissão e distribuição. Projectos gigantescos de produção de energia que de forma alguma ajudaram as pessoas pobres, porque estas não tinham dinheiro para pagar a electricidade, mas favoreceram muito os donos das empresas e os bancos e trouxeram a Indonésia para o nosso lado. Ao mesmo tempo, deixaram o país profundamente endividado, com uma dívida que, para ser refinanciada pelo Fundo Monetário Internacional, obrigou o governo a deixar as nossas empresas comprarem as empresas de serviços básicos de utilidade pública, as empresas de electricidade e de água, construir bases militares no seu território, entre outras coisas. Também acordámos algumas condicionantes, que garantiam que a Indonésia se mantinha do nosso lado, em vez de se virar para a União Soviética ou para outro país que hoje em dia seria provavelmente a China.

Trabalhou de muito perto com o Banco Mundial? Muito, muito perto. Muito do dinheiro que tínhamos vinha do Banco Mundial ou de uma coligação de bancos que era, geralmente, liderada pelo Banco Mundial.

Sugere no seu livro que os líderes do Equador e do Panamá foram assassinados pelos Estados Unidos. No entanto, existem vários historiadores que defendem que isso não é verdade. O que acha que aconteceu com Jaime Roldós e Omar Torrijos?
Não existem provas sólidas quer do que aconteceu no Equador, com Roldós, quer do que se passou no Panamá, com Torrijos. Porém, existem muitas provas circunstanciais. Por exemplo, Roldós foi o primeiro a morrer, num desastre de avião em Maio de 1981, e a área do acidente foi vedada, ninguém podia ir ao local onde o avião se despenhou, excepto militares norte-americanos ou membros do governo local por eles designados. Nem a polícia podia lá entrar. Algumas testemunhas-chave do desastre morreram em acidentes estranhos antes de serem chamadas a depor. Um dos motores do avião foi enviado para a Suíça e os exames mostram que parou de funcionar quando estava ainda no ar e não ao chocar contra a montanha. Isto é, existem provas circunstanciais tremendas em torno desta morte, e além disso todos estavam à espera que Jaime Roldós fosse derrubado ou assassinado porque não estava a jogar o nosso jogo. Logo depois de o seu avião se ter despenhado, Omar Torrijos juntou a família toda e disse: “O meu amigo Jaime foi assassinado e eu vou ser o próximo, mas não se preocupem, alcancei os objectivos que queria alcançar, negociei com sucesso os tratados do canal com Jimmy Carter e esse canal pertence agora ao povo do Panamá, tal como deve ser. Por isso, depois de eu ser assassinado, devem sentir-se bem por tudo aquilo que conquistei.” A verdade é que os EUA, a CIA e pessoas como o Henry Kissinger admitiram que o nosso país tinha derrubado Salvador Allende, no Chile; Jacobo Arbenz, na Guatemala; Mohammed Mossadegh, no Irão; participámos no afastamento de Patrice Lumumba, no Congo; de Ngô Dinh Diem, no Vietname. Existem inúmeros documentos sobre a história dos EUA que provam que fizemos estas coisas e continuamos a fazê-las. Sabe-se que estivemos profundamente envolvidos, em 2009, no derrube no presidente Manuel Zelaya, nas Honduras, e na tentativa de afastar Rafael Correa, no Equador, também há não muito tempo. Os EUA admitiram muitas destas coisas e pensar que eles não estiveram envolvidos nos homicídios de Roldós e Torrijos... Estes dois homens foram assassinados quase da mesma forma, num espaço de três meses. Ambos tinham posições contrárias aos EUA e às suas empresas e estavam a assumir posições fortes para defender os seus povos – é pouco razoável pensar o contrário.

Algumas pessoas acusam-no de ser um teórico da conspiração. O que tem a dizer sobre isso? Bem, não sou, de modo nenhum, um teórico da conspiração. Não acredito que exista uma pessoa ou um grupo de pessoas sentadas no topo a tomar todas as decisões. Mas torno muito claro no meu último livro, “Hoodwinked” (2009), e também em “Confessions of an Economic Hit Man” (2004) – editado em Portugal pela Pergaminho em 2007 com o título “Confissões de Um Mercenário Económico: a Face Oculta do Imperialismo Americano” –, que as multinacionais são movidas por um único objectivo que é maximizar os lucros, independentemente das consequências sociais e ambientais. Estes últimos são novos objectivos que não eram ensinados quando estudei Gestão, no final dos anos 60. Ensinaram-me que havia apenas este objectivo entre muitos outros, por exemplo tratar bem os funcionários, dar-lhes uma boa assistência na saúde e na reforma, ter boas relações com os clientes e os fornecedores, e também ser um bom cidadão, pagar impostos e fazer mais que isso, ajudar a construir escolas e bibliotecas. Tudo se agravou nos anos 70, quando Milton Friedman, da escola de economia de Chicago, veio dizer que a única responsabilidade no mundo dos negócios era maximizar os lucros, independentemente dos custos sociais e ambientais. E Ronald Reagan, Margaret Thatcher e muitos outros líderes mundiais convenceram-se disso desde então. Todas estas empresas são orientadas segundo este objectivo e quando alguma coisa o ameaça, seja um acordo de comércio multilateral seja outra coisa qualquer, juntam--se para garantir que o mesmo é protegido. Isto não é uma conspiração, uma conspiração é ilegal, isto que fazem não é. No entanto, é extremamente prejudicial para a economia mundial.

Também escreveu que o objectivo último dos EUA é construir um império global. Como vê a recente estratégia norte-americana contra a China e o Irão? Actualmente, podemos dizer que o novo império não é tanto americano como formado por multinacionais. Penso que a ditadura das grandes empresas e dos seus líderes forma hoje a versão moderna desse império. Repito, isto não é uma conspiração, mas todos eles são movidos por esse objectivo de que falámos anteriormente.

Mas vários especialistas defendem que estamos num cenário de terceira guerra mundial, com a China, a Rússia e o Irão de um lado e os EUA, a União Europeia (UE) e Israel do outro. E que toda a conversa de Washington em torno do programa nuclear iraniano não passa de uma grande mentira. Não acredito que todo este conflito seja motivado por armas nucleares. Na verdade, vários estudos recentes, alguns deles das mais respeitadas agências de informações norte-americanas, mostram que não existem armas nucleares no Irão. E acredito que tudo isto não se deve apenas aos recursos iranianos mas também à ameaça de Teerão de vender petróleo no mercado internacional numa moeda que não o dólar, uma ameaça também feita por Muammar Kadhafi, na Líbia, e Saddam Hussein, no Iraque. Os nort-americanos não gostam que ameacem o dólar e não gostam que ameacem o seu sistema bancário, algo que todos esses líderes fizeram – o líder do Irão, o líder do Iraque, o líder da Líbia. Derrubaram dois deles e o terceiro ainda lá está. Penso que é disto que se trata. Não tenho dúvidas de que a Rússia está a gostar de ver a agitação entre a UE e o Irão, porque Moscovo tem muito petróleo e, se os fornecedores iranianos deixarem de vender, o preço do petróleo vai subir, o que será uma grande ajuda para a Rússia. É difícil acreditar que qualquer destes países queira mesmo entrar numa terceira guerra mundial. No fundo, o que querem é estar constantemente a confundir as pessoas, parecendo que querem entrar em conflito e ajudar a alimentar as máquinas de guerra, porque isso ajuda uma série de grandes empresas.

Como durante a Guerra Fria? Sim, como durante a Guerra Fria, porque isso é bom para os negócios. No fundo, estes países estão todos a servir os interesses das grandes empresas. Há algumas centenas de anos, a geopolítica era maioritariamente liderada por organizações religiosas; depois os governos assumiram esse poder. Agora chegámos à fase em que a geopolítica é conduzida em primeiro lugar pelas grandes multinacionais. E elas controlam mesmo os governos de todos os países importantes, incluindo a Rússia, a China e os EUA. A economia da China nunca poderia ter crescido da forma que cresceu se não tivesse estabelecido fortes parcerias com grandes multinacionais. E todos estes países são muito dependentes destas empresas, dos presidentes destas empresas, que gostam de baralhar as pessoas, porque constroem muitos mísseis e todo o tipo de armas de guerra. É uma economia gigante. A economia norte-americana está mais baseada nas forças armadas que noutra coisa qualquer. Representa a maior fatia do nosso orçamento oficial e uma parte maior ainda do nosso orçamento não oficial. Por isso tanto a guerra como a ameaça de guerra são muito boas para as grandes multinacionais. Mas não acredito que haja alguém que nos queira ver de facto entrar em guerra, dada a natureza das armas. Penso que todas as pessoas sabem que seria extremamente destrutivo.

Como avalia o trabalho de Barack Obama enquanto presidente dos EUA? Penso que se esforçou muito por agir bem, mas está numa posição extremamente vulnerável. Assim que alguém entra na Casa Branca, sejam quais forem as suas ideias políticas, os seus motivos ou a sua consciência, sabe que é muito vulnerável e que o presidente dos EUA, ou de outro país importante, pode ser facilmente afastado. Nalgumas partes do mundo, como a Líbia ou o Irão, talvez só com balas o seu poder possa ser derrubado, mas em países como os EUA um líder pode ser afastado por um rumor ou uma acusação. O presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, ver a sua carreira destruída por uma empregada de quarto de um hotel, que o acusou de violação, foi um aviso muito forte a Obama e a outros líderes mundiais. Não estou a defender Strauss-Kahn – não faço a mínima ideia de qual é a verdade por trás do que aconteceu, mas o que sei é que bastou uma acusação de uma empregada de quarto para destruir a sua carreira, não só como director do FMI mas também como potencial presidente francês. Bill Clinton também foi afastado por um escândalo sexual, mas no tempo de John Kennedy estas coisas não derrubavam presidentes. Só as balas. Porém, descobrimos com Bill Clinton que um escândalo sexual – e não é preciso ser uma coisa muito excitante, porque aparentemente ele nem sequer teve sexo com a Monica Lewinsky, fizeram uma coisa qualquer com um charuto que já não me lembro – foi o suficiente para o descredibilizar. Por isso Obama está numa posição muito vulnerável e tem de jogar o jogo e fazer o melhor que pode dentro dessas limitações. Caso contrário, será destruído.

No fim do ano passado escreveu um artigo onde afirmava que a Grécia estava a ser atacada por assassinos económicos. Acha que Portugal está na mesma situação? Sim, absolutamente, tal como aconteceu com a Islândia, a Irlanda, a Itália ou a Grécia. Estas técnicas já se revelaram eficazes no terceiro mundo, em países da América Latina, de África e zonas da Ásia, e agora estão a ser usadas com êxito contra países como Portugal. E também estão a ser usadas fortemente nos EUA contra os cidadãos e é por isso que temos o movimento Occupy. Mas a boa notícia é que as pessoas em todo o mundo estão a começar a compreender como tudo isto funciona. Estamos a ficar mais conscientes. As pessoas na Grécia reagiram, na Rússia manifestam-se contra Putin, os latino-americanos mudaram o seu subcontinente na última década ao escolher presidentes que lutam contra a ditadura das grandes empresas. Dez países, todos eles liderados por ditadores brutais durante grande parte da minha vida, têm agora líderes democraticamente eleitos com uma forte atitude contra a exploração. Por isso encorajo as pessoas de Portugal a lutar pela sua paz, a participar no seu futuro e a compreender que estão a ser enganadas. O vosso país está a ser saqueado por barões ladrões, tal como os EUA e grande parte do mundo foi roubado. E nós, as pessoas de todo o mundo, temos de nos revoltar contra os seus interesses. E esta revolução não exige violência armada, como as revoluções anteriores, porque não estamos a lutar contra os governos mas contra as empresas. E precisamos de entender que são muito dependentes de nós, são vulneráveis, e apenas existem e prosperam porque nós lhes compramos os seus produtos e serviços. Assim, quando nos manifestamos contra elas, quando as boicotamos, quando nos recusamos a comprar os seus produtos e enviamos emails a exigir-lhes que mudem e se tornem mais responsáveis em termos sociais e ambientais, isso tem um enorme impacto. E podemos mudar o mundo com estas atitudes e de uma forma relativamente pacífica.
Mas as próprias empresas deviam ver que a ditadura das multinacionais é um beco sem saída.
Bem, penso que está absolutamente certa. Há alguns meses estive a falar numa conferência para 4 mil CEO da indústria das telecomunicações em Istambul e vou regressar lá, dentro de um mês, para uma outra conferência de CEO e CFO de grandes empresas comerciais, e digo-lhes a mesma coisa. Falo muitas vezes com directores-executivos de empresas e sou muitas vezes chamado a dar palestras em universidades de Gestão ou para empresários e também lhes digo o mesmo. Aquilo que fizemos com esta economia mundial foi um fracasso. Não há dúvida. Um exemplo disso: 5% da população mundial vive nos EUA e, no entanto, consumimos cerca de 30% dos recursos mundiais, enquanto metade do mundo morre à fome ou está perto disso. Isto é um fracasso. Não é um modelo que possa ser replicado em Portugal, ou na China ou em qualquer lado. Seriam precisos mais cinco planetas sem pessoas para o podermos copiar. Estes países podem até querer reproduzi-lo, mas não conseguiriam. Por isso é um modelo falhado e você tem razão, porque vai acabar por se desmoronar. Por isso o desafio é como mudamos isto e como apelar às grandes empresas para fazerem estas mudanças. Obrigando-as e convencendo-as a ser mais sustentáveis em termos sociais e ambientais. Porque estas empresas somos basicamente nós, a maioria de nós trabalha para elas e todos compramos os seus produtos e serviços. Temos um enorme poder sobre elas. Por definição, uma espécie que não é sustentável extingue-se. Vivemos num sistema falhado e temos de criar um novo. O problema é que a maior parte dos executivos só pensa a curto prazo, não estão preocupados com o tipo de planeta que os seus filhos e os seus netos vão herdar.

Podemos afirmar que esta crise mundial foi provocada por assassinos económicos e rotular os líderes da troika como serial killers?
Penso que é justo dizer que os assassinos económicos são os homens de mão, nós, os soldados, e os presidentes das grandes multinacionais e de organizações como o Banco Mundial, o FMI ou Wall Street, os generais.

Ainda há dias o “Financial Times” divulgou que os gestores financeiros de Wall Street andavam a tomar testosterona para se tornarem ainda mais competitivos. Isto faz parte do beco sem saída de que está a falar?
A sério?! Ainda não tinha ouvido isso, mas não me surpreende nada. No entanto, aquilo que precisamos hoje em dia é de um lado feminino, temos de caminhar na direcção oposta e livrar-nos dessa testosterona. Precisamos de mais líderes mulheres, mulheres reais – não homens vestidos com roupas de mulher, por assim dizer – para trazerem com elas os valores de receptividade e do apoio e encorajarem os homens a cultivar isso neles próprios. Nós, homens, temos de estar muito mais ligados ao nosso lado feminino.

Se fôssemos apresentar esta crise económica à polícia, quem seriam os criminosos a acusar?
Pense em qualquer grande multinacional e à frente dessa multinacional estará alguém responsável pela ditadura empresarial, seja a Goldman Sachs, em Wall Street, seja a Shell, a Monsanto ou a Nike. Todos os líderes dessas empresas estão profundamente envolvidos em tudo isto e, da mesma forma, estão os líderes do FMI, do Banco Mundial e de outras grandes instituições bancárias. Detesto estar a dar nomes, estas pessoas estão sempre a mudar de emprego, por isso prefiro apontar os cargos. Eles estão sempre em rotação, por exemplo, o nosso antigo presidente, George W. Bush, veio da indústria petrolífera. A sua secretária de Estado, Condoleezza Rice, também veio da indústria petrolífera. Já Obama tem a sua política financeira concebida por Wall Street, maioritariamente pela Goldman Sachs. Mudaram-se da empresa para a actual administração norte-americana. A sua política de agricultura é feita por pessoas da Monsanto e de outras grandes empresas do sector. E a parte triste é que assim que o seu tempo expirar em Washington voltam para essas empresas. Vivemos num sistema incrivelmente corrupto. Aquilo a que chamamos política das portas giratórias é só uma outra designação de corrupção extrema.

Saber mais:

http://www.johnperkins.org/

1906

Luta & Resiste!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Comunicado AAS - “Reacção após o jogo em Setúbal”


A Associação de Adeptos Sportinguistas demonstra a sua incredulidade perante os recentes acontecimentos no futebol português e no Sporting Clube de Portugal. Entendemos ser este o momento de reacção conjunta - de adeptos, sócios, dirigentes, colaboradores do clube e atletas:

1) Continuam as habituais habilidades nos relvados do nosso país, protagonizadas pelos mesmos de sempre. Com a competência a que já nos habituaram, temos árbitros a errar ciclicamente sempre para o mesmo lado. E visto que o corporativismo do sector se esgotou no passado, com o boicote ao Sporting Clube de Portugal, é altura de dizer que o Sporting tem sido “ROUBADO” em vários jogos, sobretudo nos decisivos, com consequências que só terão reflexo na classificação do Sporting, porque na dos respectivos árbitros não…

2) Esperamos ansiosamente pelas habituais declarações dos "Guilhermes" desta vida, em defesa da “sua” APAF e dos “seus” árbitros, agora que outros clubes de Lisboa se pronunciaram duramente sobre o carácter destes. O seu silêncio, na sequência das queixas desta última jornada, representará a total demissão do cargo e das suas funções, pelo que, caso se mantenha em silêncio, desafiamos, desde já, a que o faça para sempre. A bem do futebol português, da verdade desportiva e da honestidade intelectual.

3) Sinal dos tristes tempos em que vivemos, vem agora um clube histórico - Vitória de Setúbal, outrora distinto hoje dirigido por vulgaridades, procurando desculpar um acto de violência (no caso verbal e de teor racista e xenófobo) com outros casos que nada têm a ver com aqueles. Registe-se ainda o facto do Sporting Clube de Portugal ser dos clubes em Portugal que mais investiu em conforto e segurança no seu estádio, ao contrário do clube de Setúbal

4) Mas os factos supracitados não ensombram nem nos fazem esquecer que a qualidade futebolística demonstrada nos relvados pela equipa do Sporting, nos últimos jogos, tem sido péssima, chegando a denotar falta de vontade e motivação para fazer mais e melhor. Já vimos que esta equipa pode praticar bom futebol, pelo que qualquer exibição abaixo de tais standards tem de ser considerada negativa. Já é tempo de
vermos mais futebol, mais alegria no relvado e que demonstrem o real prazer que sentem em envergar a NOSSA camisola!

5) Do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal, com os seus órgãos eleitos, e do Sporting Clube de Portugal SAD - com os seus órgãos executivos nomeados pelo Clube, entendemos ser imperativo vir a público denunciar todas as situações que prejudicam claramente o nosso clube, para além de transmitirem, interna e externamente, organização, coesão, solidariedade, ambições e rigor ao nível do Sporting Clube de Portugal e do prometido no início da época.

A todos os atletas da equipa profissional de futebol do Sporting Clube de Portugal que enfrentam jogos decisivos até ao final da época, expressamos o nosso apoio e sobretudo as nossas exigências. A camisola que envergam não está ao alcance de todos. Traz o peso da sua História, de grandes figuras que a vestiram e exige muito respeito, carácter e determinação.

A todos será o momento de relembrar que se “O SPORTING ESTÁ DE VOLTA”, está mais do que na altura de o vermos!

Comité Executivo Associação de Adeptos Sportinguistas

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Comunicado AAS Auditoria Financeira



Transcrevemos na íntegra o comunicado da Associação de Adeptos do Sporting:

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Perante as recentes divulgações, por parte do Sporting Clube de Portugal, do relatório da auditoria financeira realizada aos últimos 14 anos, a Associação de Adeptos Sportinguistas indica que:

1.O documento ora apresentado reflecte a dura realidade do futebol português nos últimos 30 anos, com os clubes financeiramente desequilibrados e excessivamente dependentes das receitas televisivas, receitas das competições europeias e outras receitas extraordinárias (tais como transferências de jogadores).

2.O debate em torno deste tema no Sporting Clube de Portugal ilucidou diversos sócios que, há uns anos (década) a esta parte, viviam hipnotizados nas nuvens do optimismo financeiro que lhes foi vendido pelo “Messias” a partir de 1995. Porém, não terá sido por falta de alerta: O Grupo “Ofensiva 1906”* procurou por diversas vezes, desde 2001, despertar consciências, tal como o Dr. Sérgio Abrantes Mendes. Que os adeptos de outros clubes pugnem igualmente pelos mesmos valores, é o que desejamos. Enquanto é tempo...

3.O Sumário Executivo do relatório da auditoria financeira não transmite nenhum facto novo que não fosse já do conhecimento dos sportinguistas interessados e não vai muito além de uma amálgama de R&C dos últimos anos.

4.A Associação de Adeptos Sportinguistas está neste momento a estudar o Relatório Detalhado da Auditoria e questionará o Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal nas matérias que, para o efeito, considerar oportunas.

5.Tal como anteriormente solicitado e mencionado por diversas partes (tal como a AAS) esta auditoria revela, contudo, a real necessidade e oportunidade em realizar uma Auditoria de Gestão ao mesmo período e assim apurar eventuais responsabilidades ao nível da gestão bem como determinar os contornos exactos de alguns negócios então efectuados. Acreditamos que, aí sim, existiriam relevantes novidades.

6.O Sporting tem, de facto, de se centrar no futuro e pensar em crescer e valorizarse. Apurar responsabilidades passadas credibiliza o clube exteriormente no presente e futuro, sob pena de se pensar que tudo passa incólume no Sporting Clube de Portugal. Mesmo sendo de realçar o facto deste Conselho Directivo ter realizado esta auditoria, achamos que deve ir mais longe...

7.Não apreciámos totalmente a forma de divulgação escolhida e é nosso entendimento que os sócios deveriam ser informados, em primeiro lugar, no local devido: Assembleia Geral. Ainda não é tarde para tal e consideramos que o tema em análise deve ser alvo de uma Assembleia Geral Extraordinária a ter lugar no final da época (para não perturbar o trabalho actual no Futebol Profissional) onde os sócios se possam pronunciar sobre o documento e tomem as decisões que entenderem ser as mais adequadas, mandatando o Conselho Directivo do clube. A bem da transparência e democraticidade do nosso clube.

8.A união dos sportinguistas far-se-á sempre pela verdade. Na verdade desportiva tal como na financeira. Sem dramas, mas com rigor e respeito pela nossa História e pelos nossos antepassados.

Nada disto impede, porém, que continuemos a viver o Sporting no dia a dia, a encher os estádios e a apoiar as nossas equipas nas diversas modalidades! E os sportinguistas continuarão a fazê-lo, não descurando a recompensa pela sua paixão: a verdade, o rigor e a competência.

Sporting Clube de Portugal, SEMPRE!

Comité Executivo
Associação de Adeptos Sportinguistas

*Nota: O Grupo “Ofensiva 1906” está na génese da fundação da Associação de Adeptos Sportinguistas

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1906

Luta & Resiste!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ás Armas


Estamos a um pequeno passo de dolorosamente ver cumprido e executado o criminoso “Projecto Roquette”.


Mas o que era afinal esta Golpada, este Plano miserável, esta certidão de óbito ao Sporting?

1- Criação do Clube-Empresa
2- Criação da SAD e de outras sociedades
3- Retirar o poder dos sócios e proceder à des-sportinguização
4- Retirar o Clube aos sócios
5- Desmantelar e esvaziar todo o património ao Clube
6- Transferir para a SAD dos accionistas todos os bens do Clube
7- Entregar e vender a SAD a investidores




1- Criação do Clube-Empresa
2- Criação da SAD e de outras sociedades


Desde o início que José Roquette de forma premeditada, defendeu que o futuro, não só do Sporting, mas de todos os clubes, assentaria na criação do Clube-Empresa, gerido por gestores altamente qualificados e todos acima de qualquer suspeita.
Ia mais longe, dizendo, não por acaso, que tinha chegado a altura de retirar a paixão ao futebol e ao clubismo, neste caso ao associativismo e ao Sportinguismo, e substituí-la pela razão.

Quanto às SADs seriam não só o único caminho, como o garante do esplendor e do sucesso. O Sporting deixaria de ser um clube vendedor e passaria a ser um clube comprador, atingiria o topo do futebol europeu, seria um exemplo para tudo e todos, o Estádio e a Academia pagar-se-iam através das próprias empresas brilhantemente criadas, e não mais dependeríamos da bola que vai à trave.
O Sporting, segundo Roquette, iria ganhar 3 campeonatos em cada 5.

Na realidade, o que este mentecapto estava a criar, era um emaranhado, uma mixórdia de empresas fantasma com fins obscuros, em que todas elas, orientadas por ele próprio e geridas pelos brilhantes gestores pertencentes à camarilha, revelar-se-iam um verdadeiro fracasso, um fiasco, e todas elas com enormes prejuízos.

Na Alvaláxia, noventa por cento dos lojistas não pagavam a renda, graças ao abandono e ao incumprimento por parte do Sporting.

O novo Estádio, como não poderia deixar de ser, dadas as pessoas envolvidas, derrapou em relação aos custos previstos em mais de vinte cinco por cento e saiu um mamarracho de gosto roquetteiro, desidentificado com o Clube e um aborto sem ponta por onde se lhe pegue.

A Academia, e sempre afinando pelo mesmo diapasão, teve uma derrapagem de cerca de duzentos por cento!!


Retirado da imprensa – entrevista a Tomás Aires

A construção do novo Estádio José Alvalade foi a primeira razão para que o passivo do Sporting começasse a disparar. O estádio custou cerca de 110 milhões de euros, estava inicialmente adjudicado à Somague, de Vaz Guedes, que depois acabou por ser indemnizado pelo cancelamento da adjudicação - Godinho Lopes era o vice-presidente do Sporting que fazia a gestão do projecto do novo estádio. A construção do Alvalade XXI acabou por derrapar. Inicialmente, José Roquette previu que o estádio custaria 15 milhões de contos (75 milhões de euros), mas o recinto dos leões custou para cima dos 100 milhões.

Também a Academia teve um custo acima das previsões de Roquette (o presidente estimava que custasse cinco milhões de euros e custou cerca de 15). As duas infra-estruturas – estádio e Academia – custaram cerca de 125 milhões de euros.(Artigo retirado do CM)


A SAD, que na cabeça destes meliantes nos daria a independência e a Glória, graças à gestão criminosa desta geração de génios, tem sido um sorvedor de dinheiro, um coito de saqueadores, com prejuízos alucinantes e impróprios, com os resultados desportivos que se conhecem.

RESULTADOS LÍQUIDOS DA SAD EM MILHÕES DE EUROS

1997/1998 - -7.445 (milhões de euros)
1998/1999 - -2.546
1999/2000 - -11.435
2000/2001 - -21.445
2001/2002 - -22.715
2002/2003 - -27.311
2003/2004 - -9.222
2004/2005 - -10.280
2005/2006 - 313
2006/2007 - 14.480
2007/2008 - 597
2008/2009 - -13.349
2009/2010 - -28.187
2010/2011 - -43.991
2011/2012 - 1º trimestre - -7.769


A venda dos terrenos do antigo Estádio constitui mais uma situação vergonhosa e mais um caso de polícia.
Recordemos:

O Sporting através de Roquette e do seu braço direito, Godinho Lopes, aprova a venda dos terrenos à empresa holandesa MDC pela mão do Director Geral, Diogo Gaspar Ferreira.

- O Sporting vende os terrenos à MDC por menos 40% do valor real de mercado.

- O Sporting é lesado nesse negócio em cerca de 41,4 milhões de euros.

- O director geral do Sporting, Diogo Gaspar Ferreira, transita pouco tempo depois
para Administrador da MDC.

- O dono da empresa MDC, Van Gelder, tem dois filhos. O padrinho dos seus filhos
chama-se Godinho Lopes.

Ver:
http://www.forumscp.com/index.php?topic=23660.100


3- Retirar o poder dos sócios e proceder à des-sportinguização
4- Retirar o Clube aos sócios



A primeira preocupação de Roquette foi esta. Como lidar com os malandros dos sócios e dos adeptos.
Começou por instruir o seu moço de estrebaria, Santana Lopes, para implementar uma quota extraordinária com um valor exorbitante e aumentar abruptamente as quotas.

Com isto, pretendia desde logo dar uma machadada nos Sportinguistas de menos posses.
O Sporting seria, no seu entender, para ele, para os amigos e para os investidores.
Seria para os “notáveis”, para a casta de malfeitores supostamente bem sucedidos na vida mas cuja proveniência do vil metal levanta, mais do que dúvidas, muitas certezas.

Seria o sonho de transformar o Sporting numa espécie de Country Club, de Clube de Golf, frequentado por uma plêiade de sabujos e cornambaças, de preferência com anel brazonado no dedo mindinho.

Com este separar do “trigo do joio” deixaram duma assentada de pagar quotas mais de 15 mil sócios.

Mas a des-sportinguização não ficou por aqui. Isto era apenas o princípio.

Havia que ir mais longe. O Estádio deveria ser para vinte e tal mil pessoas, no máximo 30. Com aquecimento, pois claro. E caro. Quem lá fosse tinha de pagar o patau. Já sonhavam com listas de espera…

Mas os malandros dos sócios e adeptos, esses indesejados e inconvenientes, parece que não queriam compreender. Continuavam a preocupar-se com o raio da bola que não deixava de bater na trave e indignavam-se, e barafustavam.

O primeiro a fugir foi o mandarete Santana, para a Figueira da Foz, e numa bela noite de boa memória, a 20 de Setembro de 1999, ainda no antigo e digno Estádio de Alvalade e após um empate contra o Estrela da Amadora, eis que o chefe da Quadrilha, José Roquette, foi encostado e apertado pelos sócios e adeptos.

Teve de se acoitar até às três da manhã na sala da direcção, com o relações públicas Maurício do Vale do lado de fora da porta a pedir calma e a conter a revolta dos Sportinguistas, polícia de intervenção por todos os lados, três seguranças do lado de dentro, e segundo dizem, Roquette debaixo da mesa escondido.

Roquette percebeu assim, que a Golpada não ia ser fácil.
Fugiu, cooptou o seu Vice, Dias da Cunha, desfez-se de todas as suas acções e passou a comandar as operações do Esporão. A Dinastia continuava.

Tinham de ser ainda mais explícitos. Vieram então os insultos aos sócios.

“São energúmenos da pior escória” berrava doentiamente Dias da Cunha naquele seu ar vivo, dinâmico e enérgico que o caracteriza, intervalando um minuto entre cada palavra e com esgares de quem está a ser violentado com um dedo no rabo.

Entre conluios vergonhosos com a Banca, “Projects Finance” suicidas, moscambilhas, descalabros financeiros, mudança de emblema ao arrepio dos Estatutos, havia que de vez se retirasse o Clube aos sócios.

Da Cunha não resistiu aos sócios e adeptos, e entre jogadas manhosas de bastidores para cooptar Ernesto Ferreira da Silva, mas que não dava total garantia ao BES, avança à má fila o vice-presidente Soares Franco.




5- Desmantelar e esvaziar todo o património ao Clube
6- Transferir para a SAD dos accionistas todos os bens do Clube


Quando Filipe Soares Franco é eleito em 28/04/2006, já quase 40 mil sócios tinham abandonado o Clube desde a chegada de Roquette.

Com o Comissário do BES, a Dinastia continua.

É vendido todo o património não desportivo.

Ver:
http://www.forumscp.com/index.php?topic=23660.msg916891#msg916891

“A negociata da venda do património não desportivo em condições inimagináveis e em que não foi considerada uma proposta 20% superior ao valor pelo qual foi vendido, pois havia um pré acordo entre Soares Franco e Amadeu Lima de Carvalho, em que este recebeu através da sua mulher Maria Luísa Barros dos Santos Carvalho, uma comissão de 1,8 Milhões de Euros!!!
De referir, que passado algum tempo Lima de Carvalho foi preso pelo escândalo da Universidade Independente.”


O negócio da venda da Secretaria continua por explicar. Foi vendida a uma proposta 20% inferior a outra existente em cima da mesa.

Os cambalachos no Edifício Visconde com a OPCA, hoje OPWAY, pertencente ao BES e cujo administrador era o presidente do Sporting.

Os sócios são ostracizados e começam a ser agredidos.

Algumas claques começam a ser compradas.

As Assembleias Gerais são manipuladas e os resultados deixam as maiores dúvidas.


Já em estado de desespero e fazendo chantagem com os sócios, tentam mais “Projects Finance”, mais reestruturações financeiras, mais Assembleias Gerais.

Os sócios ainda assim conseguem que não lhes seja tirado o Clube.

Como as intenções por si só não chegavam e a forma como tratavam os sócios, como meros clientes, não era ainda suficientemente explícita, Soares Franco, acabou por revelar com todas as letras e sem estar embriagado, aquilo que Roquette lhe tinha ensinado, e que agora de olhar ameaçador e esbugalhado, como sempre, lhe exigia.

“ Quero um clube só de futebol, sem sócios mas com adeptos que não se intrometam na gestão nem tenham voto nas eleições dos corpos sociais."


Vieram então os famigerados VMOCs, que constituíam a estocada final no Clube, e a passagem da Academia para a SAD para melhor poderem aliciar e interessar possíveis investidores e assim satisfazer a Banca.

Já que os sócios tinham chumbado a proposta, pois necessitava da maioria qualificada de dois terços (66,6%) e o resultado foi 63,4%, o que fazer?

Nada melhor do que fazer letra morta do resultado da Assembleia, passar por cima dos sócios, e avançar como se tivesse sido aprovado. E assim foi.


Ver:
http://www.forumscp.com/index.php?topic=27052.msg1084654#msg1084654

“Na verdade, não se trata dum trespasse. Trata-se dum ROUBO.

(…)
Dizem os estatutos do Sporting no seu Artigo 44º, alínea 3:

Salvo disposição em contrário da lei ou dos presentes estatutos, as deliberações da assembleia geral são tomadas por maioria absoluta de votos dos associados presentes; TODAVIA, AS DELIBERAÇÕES RELATIVAS À ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO DE IMÓVEIS OU DE PARTICIPAÇÕES SOCIAIS EXIGEM MAIORIA DE, PELO MENOS, DOIS TERÇOS DOS VOTOS, o mesmo valendo para as deliberações do Conselho Leonino sobre a primeira daquelas matérias, tomadas no exercício de poderes que lhe hajam sido delegados pela Assembleia Geral.


O que aconteceu na Assembleia geral de 28 de Maio de 2008, "com um único ponto na ordem de trabalhos", na qual foi apresentada aos sócios e submetida a uma única votação, uma proposta com 3 pontos, foi que o resultado dessa votação deu 63,4% dos votos a favor, conforme comunicado pela Sporting SAD no dia seguinte.

Quer isto dizer, que não obtiveram a maioria qualificada de 2/3. Foi, como tal, chumbada a proposta.

Convém, mais uma vez esclarecer que a Academia está a ser paga em leasing ao BCP e que no final do contrato o Sporting tem opção de compra.
Ora, a transmissão desse direito configura uma alienação de um bem imóvel, pelo que neste caso, aplica-se a necessidade de uma maioria qualificada de 2/3, ou seja 66,6%. NUNCA OS TIVERAM.”
Ler mais: http://www.forumscp.com/index.php?topic=27052.20#ixzz1k8JoWOuO


Mas porquê os VMOCs e o que está por trás dessa golpada?

Ver:
http://www.forumscp.com/index.php?topic=26137.msg1022843#msg1022843

“Como já por diversas ocasiões foi dito e redito, esta "operação" não passa dum embuste, duma falcatrua, duma golpada.

O que aqui está em causa, é a tentativa desesperada de perpetuar o poder absoluto da SAD em conluio com a Banca, em prejuízo do Sporting Clube de Portugal.

A emissão dos VMOCS é uma habilidade rasteira em que ao fim de 5 anos( agora menos) as obrigações agora subscritas se transformarão em acções que farão com que o Sporting perca a maioria da SAD e a maioria dos votos, mesmo tendo eles alterado a emissão de 60 milhões para 55 milhões.

Acontece que desses 55 milhões, dado o estado em que se encontra a economia, as famílias e o país por um lado, e por outro o estado caótico e completamente descredibilizado em que estes dirigentes e a sua camarilha mergulharam o Sporting, não acredito nem creio possível, que sejam subscritos pelos sportinguistas VMOCS suficientes que dêem sequer para mandar cantar um cego.
Virão depois, os comissários da banca, nomeadamente do BES, esses sim verdadeiros pontas-de-lança dentro do Sporting que através de eles próprios ou de outros por eles, subscreverão aquilo que for suficiente para legitimar os seus criminosos interesses e por fim a própria banca, nomeadamente o BES, assumirá o remanescente.

Para toda esta moscambilha ser aliciante para a banca trataram de esvaziar o Clube dos seus bens, usurparam e esbulharam o Sporting, como no caso da Academia em que precisavam, conforme os estatutos, de 2/3 dos votos, ou seja 66,6% e nunca os tiveram. Tiveram 63,4%. Como tal, se passarem a Academia para a SAD, trata-se duma fraude e dum roubo.

A seguir virá o Estádio e quando alguns sportinguistas acordarem, verificarão boquiabertos e estupefactos, que já não têm nada e que tudo é manobrado e controlado pela SAD e pelos accionistas, à margem do Sporting. Mas não foi por falta de aviso, foi sim por falta de Sportinguismo, de dignidade e de coluna vertebral.

Por fim e quando tiverem o trabalho todo feito e a missão cumprida com o constante e pendular acumular de prejuízo, declararão falência da SAD e entregá-la-ão com todos os seus bens que outrora foram do Sporting ao principal credor, aquele para quem eles trabalham. O BES.


Este problema, este assalto ao Sporting, este massacre aos Sportinguistas, só se resolve duma maneira.

DISSOLUÇÃO DA SAD.

Com isso e embora eu seja apologista, também de outras vias e de outras formas, seria ao contrário de entregar o ouro ao bandido, tirar o ouro ao bandido.

Tenho a certeza, que no dia em que isso acontecer, todos estes vermes que se têm aproveitado do Sporting nestes últimos 15 anos, desaparecem da mesma maneira como entraram. Como ratos de esgoto que são.

Prefiro um Sporting despromovido à regional (embora não acredite que isso acontecesse) mas com dignidade e governado pelo Sporting para o Sporting e por Sportinguistas para os Sportinguistas, do que ter de conviver com estes roqueteiros nauseabundos e repugnantes.”

Ler também:
http://www.forumscp.com/index.php?topic=21262.0#ixzz1k9xKVi00


Com o Sporting a desaparecer, a afundar-se a pique, com um passivo monstruoso, com todas as contas e todas as negociatas por explicar, os sócios reclamaram por uma Auditoria Externa e de gestão a todas as empresas do grupo Sporting.

Soares Franco respondeu primeiro numa Assembleia no Auditório:

“Uma Auditoria? Mas sabem quanto custa uma Auditoria?
Uma Auditoria custa um balúúúúúúrdio!”

Mais tarde noutra Assembleia foi mais longe:

“Não contem comigo para desenterrar cadáveres.”

Já o Vice-Presidente e executante dos VMOCs, José Filipe Castro(que gosta de usar Nobre)Guedes, sobre a Auditoria de Gestão desde 1995, disse:

“Não estou aqui para tramar os meus amigos.”

Pelo meio realizam um Congresso Fantoche em que pela primeira vez na História do Sporting, os sócios são proibidos de participar livremente.
Engendraram uma forma de os afastar, exigindo que para o fazer tivessem de arranjar, mendigar e acumular 25 votos.

Roquette e o primo Ricciardi dão-lhe guia de marcha e decidem colocar outro Comissário que conseguisse, fosse de que maneira fosse, esbulhar ao Clube o resto que faltava e assim transferir para a SAD todo o poder e todas as decisões.


Entra Bettencourt. A Dinastia está garantida.
Mais um Comissário ao serviço do BES e da SAD em prejuízo do Sporting, dos sócios e dos adeptos.
A Quadrilha já nem se preocupa em salvar as aparências. Na sua apresentação de candidatura no Hotel Tivoli a sala é alugada pelo BES e à entrada um catrapázio informa:

“EVENTO BES”

Tem uma missão a cumprir. Avançar e terminar aquilo que os seus antecessores não conseguiram.

A Sporting Comércio e Serviços que pertencia ao Clube passa para a SAD.

Já com o Clube em estado de putrefacção, com a massa associativa propositadamente fracturada e estilhaçada, Bettencourt tenta arrumar com a situação de vez.

Também ele insulta os sócios, confronta todos os não alinhados que não se vergam, manda-os calar, chama-lhes terroristas, tenta agredir um sócio, chama-lhe cretino, desvaloriza os sócios recentes e promete vingança.
Chega mesmo a dizer que sabe quem eles são e que os irá expulsar a todos de sócio, embalado certamente pelo que o chefe do gang, Roquette, lhe dissera numa reunião do Conselho Leonino( leia-se Conselho de Lambuças).

“ É preciso extirpar do Sporting toda essa gente!”


Mas o seu desempenho, revelando demência e algum atraso mental, dá demasiado nas vistas.

As suas actuações e as suas intervenções são deploráveis e vergonhosas, chegando mesmo a embaraçar a Quadrilha.

O ar é irrespirável, o Sporting está em estado de sítio e vive-se um clima de guerra civil.

As agressões a sócios e adeptos já não são apenas nos Estádios e passam também a ser nas Assembleias com a JL como guarda pretoriana.

O passivo continua na sua passada galopante sem que se apurem responsabilidades, o Sporting já não tem mais do que 20 mil sócios efectivos com as quotas em dia, o Estádio está às moscas(ainda não se ofereciam aos 5 mil bilhetes por jogo), a equipa de futebol arrasta-se miseravelmente, e a bola, como que justiceira de todo mal que têm feito, insiste caprichosamente em bater na trave.

Bettencourt cai. O Roquettismo está em perigo. Há que arranjar um sucessor rapidamente.
Ainda antes de abandonar as funções, Bettencourt reúne com um dos delfins de Roquette. Para lhe mostrar as “contas”. Para lhe passar a pasta.

O seu nome:
Luís Godinho Lopes.



7- Entregar e vender a SAD a investidores


Para não destoar, Godinho Lopes tomou conta do recado ao melhor estilo Roquetteiro.
O dia das eleições e a noite que se lhe seguiu ficarão gravados para todo o sempre, como uma das páginas mais negras e vergonhosas da História do Sporting.

Por mais que tentem, e na verdade não tentam muito, nunca conseguirão convencer o Universo Sportinguista, de que não se tratou duma enorme golpada e duma fraude monumental.

Dir-se-á que havia que ganhar a qualquer custo, para salvar a pele de todos os carrascos do Sporting e cumprir finalmente o Plano, cumprir finalmente o Projecto Roquette, sempre alicerçado na mentira, no embuste, no engano e na trapaça.

A tentativa de afastar os sócios era um sonho antigo. Vieram outra vez à baila as Assembleias Delegadas ou Referendárias para que já nem nas Assembleias Gerais do Clube tivessem que conviver com a presença livre dos sócios. Perderam.

Depois de terem delapidado todo o património do Sporting, de terem afastado a esmagadora maioria dos Sportinguistas, de terem trespassado ilegalmente e contra a vontade expressa dos sócios em Assembleia Geral a Academia para a SAD, de terem na SAD dos accionistas todos os direitos que possam gerar alguma receita, de sugarem 75% do valor das quotas que os poucos sócios mais românticos e que não se importam de serem tratados como clientes ainda pagam, de deterem os passes dos jogadores, de terem passado para a SAD as sociedades que pertenciam ao Clube, de possuírem os direitos de superfície do Estádio, têm agora com a conversão dos VMOCs e a consequente perda da maioria do Sporting Clube de Portugal na SAD, o caminho aberto para não mais ter de passar cartão aos sócios e adeptos, para não mais ter de os ouvir ou consultar, para matarem definitivamente o associativismo e o Sporting dos sócios.


Recordo as palavras do cabecilha, José Roquette:

“Quando eu criei as sociedades desportivas foi para tornar a estrutura mais profissional. Infelizmente as coisas não têm seguido o melhor caminho. O erro é continuar a ter-se a perspectiva que são os sócios que comandam os clubes e não o contrário. O que é, evidentemente, trágico”


O cenário de falência técnica, premeditada ou não, está em cima da mesa há vários anos, e à medida em que se aproxima a data em que o Sporting perderá todo o controlo, todo o poder e toda a influência, e em que os sócios não riscarão mais e que passarão a ser definitivamente, apenas meras figuras decorativas e simples clientes, estende-se a passadeira para os coveiros do Sporting entregarem, negociarem e venderem a quem quiserem, aquilo que outrora foi um Clube dos sócios e adeptos.

Veja-se:
Godinho Lopes em entrevista ao Expresso

Existem investidores estrangeiros interessados em pôr dinheiro no Clube?

GL - Optei por uma solução não de ciclo vicioso mas sim de ciclo virtuoso.
Vou investir para depois recuperar. Terei de aumentar as vendas em três anos, mas tenho de viver até lá tendo receitas inferiores às despesas.
De onde vem o dinheiro? Dos bancos não, porque não me quero endividar mais.
Por isso estou a pensar fazer - comunicando à CMVM primeiro - uma abertura de capital da SAD. Naturalmente que andamos a fazer há muito tempo o trabalho de casa e, quando e se houver o investidor, há duas possibilidades – a maioritária ou a minoritária. É um tema que terá de passar pelos sócios.

Não lhe passou então pela cabeça reforçar essa legitimidade nas urnas?

GL - Não, essa legitimidade existe. Mas pode haver necessidade…
É uma questão que hoje não equaciono, mas imagine que entra um investidor e diz:
"Eu só entro se você ficar quatro anos", por exemplo. Nessa altura, claro que vai ter de haver eleições, porque eu só tenho dois anos e meio, mas em tudo o resto sinto-me completamente legitimado.
(…)
Há um investidor que chega e diz: “Só entro se você me der tranquilidade de quatro anos.” Nessa altura haverá eleições.
Mas digo-lhe mais: se isso suceder, a única coisa que direi é que tenho um investidor, nem faço campanha, porque já a fiz nos últimos dez meses.

Existe alguém que não tenha percebido a jogada? Será preciso fazer o desenho?


Retirado do Blog It`s PR Stupid:
"Quanto aos investidores internacionais, o Sporting tem efectuado "démarches" na Ásia, Médio Oriente e Inglaterra. Confirmo o nome do multimilionário de Singapura, Peter Lim (aqui julgo que com a ajuda de Jorge Mendes); Carlos Barbosa (julgo que pela mão de Ângelo Correia) já esteve no Qatar, mas as coisas não correram bem, e foi contactado o grupo de indianos que comprou o Blackburn Rovers."


Ainda sobre a falência técnica e a perda de maioria do Sporting na SAD.

Retirado do Site Lusofans:
Análise ao relatório e contas. Sporting em falência técnica
Direcção de Godinho Lopes meteu Sporting em falência técnica

"Godinho Lopes está no Sporting há 9 meses, e esses nove meses foram suficientes para estarmos em falência Técnica.

Como sabem Godinho Lopes foi” eleito” a 26 de Março de 2011, nesse mesmo mês a direcção que se tinha demitido fez questão de mostrar o relatório e contas e nesse relatório o Sporting tinha um prejuízo de pouco mais de 3 Milhões de euros. Passados 3 meses a Direcção de Godinho Lopes mostrou o Relatório e contas do final da época passada, mostrou que tivemos prejuízo de 44 Milhões de euros.

Ora isto significa que na altura apenas em 3 meses o Líder Leonino fez prejuízos a rondar os 41 Milhões de euros. A isto se chama um grande gestor.

No mês passado foi apresentado à CMVM o relatório e contas do 1º trimestre da época 2011/2012 onde revela que o Sporting Clube de Portugal obteve durante os primeiros 3 meses da época um prejuízo a rondar os 7 milhões de euros. Contas feitas desde que Godinho Lopes está na direcção já tivemos perdas de mais de 48 milhões.

De tal ordem que neste momento estamos em falência técnica.


Alguns Dados:
9) Vamos continuar a fazer reestruturações financeiras que retirem cada vez mais o papel dos sócios no Clube e o último património do Sporting Clube de Portugal?

Infelizmente, tudo parece levar a crer, pois este cenário de falência técnica associado ao crescente aumento do passivo nesta época desportiva, levou ao anúncio nos media, por parte de Nobre Guedes (Diário Económico) de existir vontade de fazer uma nova reestruturação financeira e de capital no primeiro trimestre de 2012.
A última realizada foi entre Dezembro de 2010 e Janeiro de 2011 que se consubstanciou numa redução de capital social seguida de um aumento onde o Sporting CP + Sporting SGPS (detida a 100% pelo Sporting Clube de Portugal) ficaram detentores de cerca de 89% das acções da Sporting SAD.

Mas a esta operação seguiu-se a emissão de € 55.000.000 de Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis em acções da sociedade (VMOC) com prazo máximo de 5 anos, mas podendo ser convertida ao fim de 2 anos, ou seja 2013.
Desta subscrição apenas 0,3% foi subscrito pelo público em geral ficando os bancos que acompanharam esta operação com os restantes 99,7% repartidas 50% BES e 50% Millenium BCP.
No final da operação quando existir a reversão, o Sporting CP + Sporting SGPS passarão a deter apenas 37% de acções da Sporting SAD, caso não efectue, na altura, um aumento de capital ou exerça o seu direito de compra, o que se verifica muito difícil perante o agravamento continuo da divida.
Assim, se a estratégia que é previsível se mantiver e ocorrer um aumento de capital, não se prevendo a capacidade financeira de o Sporting o subscrever, o que vai acontecer é que os 89% que detemos actualmente na SAD vão diminuir. Isto significará que após a reversão das VMOCs, o Sporting além de perder a maioria da SAD, ficará com menos do que os 37% que já derivavam dessa operação.
Mais ainda. Parece que o Estádio, direito de superfície do Estádio e o naming do Estádio também estarão a ser preparados para deixar de estar sob o controlo do Sporting Clube de Portugal, mas de servirem de moeda de troca para tentar, durante apenas um curto período de tempo, resolver pontualmente esta politica financeira que tem sido levada a cabo esta época e que levou o Sporting de uma situação de falência técnica para uma situação eminente de falência."


A somar a tudo isto, neste décimo sexto ano de “Era Roquette”, temos receitas de publicidade e direitos televisivos antecipadas e já esturradas, receitas de vendas de gameboxes empenhadas, antecipadas e também já esturradas, passes dos jogadores alienados, resultados desoladores, dificuldades de tesouraria, e consta que já há ordenados em atraso.

Em termos de sócios efectivos com as quotas em dia, não chegam aos 20mil. Saíram e deixaram de pagar quotas mais de 50mil.

Mas neste Sporting da Era Roquette ninguém é culpado. A impunidade é total.

Preparam-se então para matar de vez o Sporting, depois de intencionalmente terem morto a paixão e o fervor Sportinguista e terem dizimado os sócios e adeptos.

Vestem o fato de caixeiros-viajantes e é vê-los de feira em feira como vendedores de banha-da-cobra a tentar impingir o Sporting a um qualquer investidor.

Mas mesmo depois de tudo isto, depois de tudo o que fizeram ao Sporting e aos Sportinguistas, como se pode ler na entrevista ao Expresso de Godinho Lopes, não se querem ir embora.

“…mas imagine que entra um investidor e diz:
"Eu só entro se você ficar quatro anos", por exemplo. Nessa altura, claro que vai ter de haver eleições, porque eu só tenho dois anos e meio…”

Estão agarrados como lapas.
Primeiro, para que nunca se saiba a verdade. Depois, para que possam continuar a enganar, desta vez, um qualquer Sheik ou Mustafá menos avisado.


Epílogo

Haveria muito mais a dizer. Haveria muitas mais situações de compadrio, aliciamentos, manipulações, perseguições, conflito de interesses, comissões, indemnizações, conluio, negligência, incompetência, gestão danosa, gestão criminosa, negociatas, etc.

Como facilmente se percebe, esta casta, esta seita, estes dirigentes, mataram o Sporting.

E mataram-no em todas as vertentes:

- Vertente Institucional
- Vertente Social
- Vertente Desportiva
- Vertente Financeira

Chacinaram o Clube e chacinaram os Sportinguistas.

Como se pode constatar, ao longo desta Dinastia tenebrosa que tomou o Sporting de assalto há 16 anos, existe um factor que é por demais evidente, que é gritante, e que não deixa quaisquer espécie de dúvidas.

É a ausência TOTAL e COMPLETA de Sportinguismo.

Estes dirigentes NÃO são do Sporting. Não são Sportinguistas.

Na verdade, nunca o foram.
O seu desempenho, as suas atitudes, a sua forma de estar, as posições que tomam, os compromissos que assumem, o discurso que têm, são inequívocos.

Não conhecem o Sporting.
Não sabem nada do Sporting.
Desconhecem por completo a História do Sporting.
Não sentem o Sporting.
Não vivem o Sporting.

Mesmo o próprio Bettencourt, que se dizia que vinha da bancada e que sentia e vivia o Clube, foi a lástima que se viu, e ao longo das responsabilidades que teve no Sporting, logo esqueceu o Sportinguismo e se colocou ao serviço do polvo, da máfia que controla o Clube e não teve o menor pejo em assumir a missão que lhe estava incumbida e tomar todas as atitudes de lesa-Sporting que lhe foram solicitadas.

Esta oligarquia, esta cleptocracia, tem, no máximo, uma leve simpatia, que obviamente não lhes tira o sono.
Disseram-lhes um dia, que eram sportinguistas, embora eles nunca o tenham sentido.
Para eles, ser do Sporting é um hobby, é uma distracção, é assim uma coisa.

Estão para o Sporting da mesma maneira que o larápio está para a carteira que acabou de surripiar. Deixa lá ver quanto é que lá tem. Se tiver muito, porreiro. Se não tiver nada, que se lixe. Daqui a bocado roubo outra.

Dizer a um Sportinguista, que do seu Clube também é, por exemplo, o Roquette ou o Godinho, é qualquer coisa de surreal, de grotesco, de caricato, de obsceno.


Não seria justo, se a estes dirigentes canalhas, não acrescentasse todos aqueles que têm permitido que este massacre seja possível.

Trata-se dum fenómeno estranho, de carneirismo doentio, de seguidismo cego, duma mentalidade obnóxia, rastejante, repelente.

Sem qualquer vergonha na cara, apoiam, aclamam e submetem-se, e numa teatralidade mórbida, fazendo o jogo de quem os está a extinguir e a exterminar, ainda pedem união e dizem desesperadamente “somos todos do Sporting”, “somos todos Sportinguistas”.

NÃO, NÃO SOMOS! VOCÊS NÃO SÃO DO SPORTING!

VOCÊS TAMBÉM SÃO CULPADOS.

Mas não se pense que tudo está perdido.

Existem mais de 3 milhões de Sportinguistas espalhados por todo o país.
Entre os que são sócios, desde que estes galfarros tomaram o poder, mais de 50mil deixaram de pagar quotas e de contribuir para quem os está matar.

Mas não deixaram de ser do Sporting.

Só voltarão quando estes coveiros saírem.

Eles, do que se sabe, em número de sócios não são mais de 4mil.
Em número de adeptos, não se sabe, mas não é crível que haja muitos Sportinguistas a defender esta carnificina.

Hoje, efectivamente, passados 16 anos de pilhagem e devastação, o Sporting Clube de Portugal já não tem nada. Está tudo nas mãos da SAD dos accionistas.

Com a perda da maioria na SAD, os sócios do Sporting já não têm nada para decidir. Nem sequer serão ouvidos. O Sporting já não é deles. É de quem tem a maioria da SAD.

Mas mesmo tendo-nos roubado tudo, há uma coisa que eles nunca nos conseguirão roubar. Aquilo que eles não sabem o que é.

O SPORTINGUISMO.

Nunca conseguirão vencer.
Bettencourt teve 90% e caiu. Nem metade do mandato conseguiu cumprir.
Nunca conseguirão governar o Sporting.

A esmagadora maioria dos Sportinguistas não está com esta gente.

A esmagadora maioria dos Sportinguistas tem vergonha desta gente.

São eles que estão a mais. São eles que têm de sair. São eles que terão de ser expulsos.

Nem que tenhamos de recomeçar na distrital.


SEM TRÉGUAS, ATÉ AO FIM!


Luta & Resiste!

Ler mais: http://www.forumscp.com/index.php?topic=43059.0#ixzz1kKzh51SA