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terça-feira, 29 de maio de 2012

Desporto em Portugal...através de comunicados!



Apresentamos hoje um exercício, numa tentativa ambiciosa de caracterizar um evento desportivo através da leitura e análise de comunicados.

Primeiro iremos apresentar as imagens do que se passou:

Treinador do Benfica insulta e provoca adeptos do FCPorto

Análise detalhada dos incidentes

Incidentes após o FCPorto Benfica em basquete

Reportagem fotográfica dos incidentes

Ainda no dia 23 de Maio o FCPorto reage através de comunicado no seu site:

O FC Porto requisita a polícia para garantir a segurança de todos os intervenientes e espectadores nos espectáculos desportivos que se disputam em nossa casa. Infelizmente, na noite desta quarta-feira, a polícia agrediu gratuitamente uma série de espectadores, entre os quais mulheres e crianças, que nenhum crime cometeram, apenas se deslocaram ao Dragão Caixa para assistir a um jogo de basquetebol.

Incompreensível e inaceitável que a polícia se esqueça da sua primeira missão é proteger os cidadãos e prefira bater indiscriminadamente.

Mas porque tudo tem uma origem, convém historiar. O treinador Carlos Lisboa, do Benfica, podia perfeitamente festejar a vitória de forma urbana e civilizada, mas preferiu fazê-lo provocando e insultando com palavrões os adeptos do FC Porto. Ao mesmo tempo, um roupeiro do mesmo clube arremessou objectos para a bancada, o que originou um clima de tensão que inviabilizou a entrega da Taça. Convém recordar que em momento algum houve invasão do terreno de jogo por um só adepto que fosse. A polícia de imediato deveria ter dado essa indicação, mas preferiu utilizar a força de forma despropositada e desproporcionada.

O FC Porto exige que se apurem responsabilidades e se encontrem o responsável ou os responsáveis por se ordenar a agressão à bastonada de cidadãos anónimos, como um grupo de jovens raparigas barbaramente agredidas pela polícia.

ANÁLISE:O Clube enquanto Associação desportiva dos seus adeptos, esteve muito bem neste comunicado defendendo os seus adeptos, promovendo a coesão interna e apontando os inimigos externos, neste caso o treinador do Benfica e a polícia!
Muito mal negando o assumir de quaisquer culpas na organização do evento desportivo e desresponsabilizando os próprios adeptos, dando carta verde para futuros actos violentos.

No dia seguinte dia 24 de Maio surge o comunicado da Associação de Basquete do Porto:

A ABP vem, pelo presente, manifestar a sua mais profunda indignação e repúdio relativamente aos acontecimentos vividos durante a final do Campeonato LPB, no encontro de basquetebol entre o FC Porto e o SL Benfica. De facto,

1. O Futebol Clube do Porto e o Sport Lisboa e Benfica foram, ontem, maltratados e desconsiderados pela Federação Portuguesa de Basquetebol devido à ausência do seu presidente e de quaisquer outros dirigentes federativos na cerimónia de entrega da taça que premeia a mais importante prova do calendário nacional. Ao delegar num funcionário federativo a entrega da taça, o presidente Mário Saldanha bem como a sua direcção demonstraram ter uma falta de respeito, sem precedentes, quer pelos vencedores quer pelos vencidos quer ainda pelo Basquetebol;

2. Por outro lado, entende ainda a ABP, dever enaltecer o exemplar comportamento de todos, repete-se, todos os intervenientes neste espectáculo – público incluído – até ao apito final do jogo. De uma singularidade preocupante, foi digno ver um pavilhão completamente cheio de luz, cor e fervoroso apoio clubístico, que esta Associação apenas lamenta não acontecerem em outros jogos desta modalidade e deste campeonato;

3. Contudo, poucos minutos após o apito final do jogo, foram notórias as provocações do SL Benfica, através do seu treinador Sr. Carlos Lisboa ao insultar e ao exprimir-se mediante gestos obscenos dirigidos aos adeptos do FC Porto, bem como do roupeiro do clube ao arremessar t-shirts com os dizeres de campeão, à assistência do FC Porto que se encontrava atrás do banco do Benfica;

4. Estas provocações que fizeram parte de uma estratégia bem delineada, com o objectivo de vitimização perante a opinião pública, deram origem a violenta carga policial, que agrediu cegamente homens, mulheres e crianças;

5. Perante tão lamentável cenário, entende igualmente a ABP dever realçar o comportamento digno e realista do funcionário da FPB, encarregue da formalidade da entrega da taça ao vencedor, Sr. Pinto Alberto, que, abertamente, comunicou aos representantes desta Associação julgar não estarem reunidas as mínimas condições de segurança para a concretização da entrega da taça e que entendia dever abdicar-se de tal acto;

6. Posição contrária e imposta a este senhor, teve a polícia de segurança pública, ao afirmar-lhe conseguir reunir todas as condições para que a entrega da taça ao vencedor se fizesse na forma adequada, exigindo-lhe que tal fosse feito, quanto mais não fosse, para poder demonstrar o domínio que conseguiria exercer;

7. O resto do sucedido vai sendo debatido entre todos aqueles que estiveram presentes no pavilhão Dragão Caixa, sendo porém, digno de realce que, em caso algum, tenha havido invasão de campo por parte dos adeptos presentes;

8. Em abono da verdade, sempre se dirá que a manifestação de indignação demonstrada por adeptos, dirigentes e outros presentes se poderá ver espelhada no comportamento do jogador Nuno Marçal que, perante a actuação do Sr. Carlos Lisboa e outros membros da comitiva do SLB, se limitou a exigir respeito e consideração, actos aliás exigíveis a qualquer digno vencedor.

Em conclusão:
1. O conjunto de lamentáveis acontecimentos verificados na final do campeonato de basquetebol acima devidamente identificados, merecem, com os esclarecimentos prestados, o mais veemente repúdio por parte da ABP;
2. Atendendo à posição e obrigações que tem no seio do basquetebol português, vem a ABP manifestar a sua total solidariedade com o clube seu associado, FC Porto, em prol do qual exercerá tudo o que esteja legitimamente ao seu alcance na defesa dos interesses que são próprios não só deste mas de todos os clubes seus associados;
3. Manifesta, a ABP a sua mais exacerbada preocupação face ao triste suceder de lamentáveis circunstâncias e peripécias que têm caracterizado os últimos tempos do basquetebol português;
4. Perante tanta e tão densa factualidade, conclui a ABP que a actual direcção da FPB não reúne o mínimo de condições para continuar à frente dos desígnios do basquetebol português.

ANÁLISE:Pura luta politica, aproveitando os incidentes para ao mesmo tempo que isenta o FCPorto, responsabiliza apenas o Benfica e a polícia, esquece os adeptos do Porto, mas acima de tudo o objectivo é enfraquecer a FPB, servindo estes incidentes como arma de arremesso para fazer cumprir uma agenda própria.

Como o silêncio por vezes é tambem significativo, a FPB, não reagiu através de comunicado, mas sim através das declarações do seu presidente Mário Saldanha, referindo que vai abrir um inquérito:

A Federação Portuguesa de Basquetebol vai abrir um inquérito aos incidentes ocorridos quarta-feira no último jogo da final dos play-offs da Liga, disputado no pavilhão Dragão Caixa, no Porto, que deu o título de campeão nacional ao Benfica.

Em declarações à agência Lusa, Mário Saldanha, presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB), avançou que vai esperar pelos relatórios dos árbitros, comissários e diretor da prova, Pinto Alberto, além do relatório da polícia, para saber o que se passou.

«Vai ter de haver um inquérito. É absolutamente necessário que tudo seja apurado», sublinhou o responsável. Mário Saldanha afirmou estar «muito triste» com tudo o que se passou no Porto, adiantando que «não era previsível» que acontecessem «todas aquelas cenas no final do jogo».

«Toda aquela confusão não dignifica a modalidade, mas é causada por terceiros. Dentro de campo houve sempre uma luta correta», disse o dirigente.

Maria Saldanha adianta que o jogo era considerado de risco, e que tal situação foi comunicada à tutela, e que estava polícia destacada no local para o efeito. «Mas há coisas que não conseguimos controlar, estas coisas exacerbadas que acabam por acontecer e prejudicam os clubes e a modalidade. É triste acontecer numa final, um ano inteiro a jogar para aquele momento», lamentou.

Segundo Mário Saldanha, «algumas coisas vão ter de ser repensadas». No entanto, o dirigente reconheceu igualmente que será difícil «erradicar» estes incidentes, mas admite que o que aconteceu quarta-feira «foi demais» salientando «que não se pode tolerar» situações daquelas.

Para Mário Saldanha o que aconteceu reflete o ambiente que se vive em torno do futebol, afirmando que se trata da «futebolização das modalidades» que «andam a reboque». «É uma pena porque o basquetebol não se tem pautado ao longo do tempo com estas cenas. Eu já sou há mais de 20 anos presidente da federação e só me lembro de uma situação e também no Porto quando eu era presidente do Queluz, voltou 20 e tal anos depois», recordou.

ANÁLISE: Normalmente abrem-se inquéritos, quando não se tem coragem de tomar decisões. Diz uma grande verdade sobre a futebolização das modalidades mas de resto muito fraquinho...não resiste a mandar a sua farpazinha clubista, recordando um incidente antigo, mas pior de tudo declinando qualquer assunção de culpa, "existem coisas que não conseguimos controlar", mas de forma subliminar informa que já esperava a turbulência"...adianta que o jogo era considerado de risco, e que tal situação foi comunicada à tutela, e que estava polícia destacada no local para o efeito." Ou seja a organização da prova demite-se de qualquer culpa e passa a bola para a PSP.

No dia 24 de Maio o comunicado da PSP, entidade responsável pela segurança no local:

O comunicado da PSP, na íntegra:
“Relativamente aos incidentes verificados no dia de ontem, 23 de Maio, no Pavilhão ‘Dragão Caixa’, entre adeptos das equipas de Basquetebol do FC Porto e do SL Benfica, a PSP esclarece que está a proceder às necessárias averiguações e recolha de todos os elementos que contribuam para a elaboração dos subsequentes relatórios para envio às autoridades judiciais, administrativas e desportivas competentes”.

ANÁLISE:Comunicado fraquissimo insinuando incidentes entre adeptos que NUNCA aconteceram. Ficando pela ameaça da elaboração de um relatório! Entretanto o uso da força e se ela foi desmedida ou não, nunca foi assunto. Sendo que se estava avisada, como percebemos acima para o grau de alto risco, se tomou algumas medidas preventivas quanto a isso, ou se limitou ao tão típico, " quando acontecer logo se vê...?"

No dia 25 de Maio o Benfica emite um comunicado:
PSP do Porto mal informada

Com 48 horas de atraso, decidiu a Polícia de Segurança Pública do Porto entrar no “folclore” do jogo de Basquetebol da passada quarta-feira, no pavilhão Dragão Caixa.

Diz a PSP do Porto que vai “investigar os confrontos entre adeptos do FC Porto e do Benfica”. Poderá a PSP investigar muita coisa, mas confrontos entre adeptos é que garantidamente não poderá fazer, pela simples razão de que não havia adeptos do Sport Lisboa e Benfica para festejar o título de Campeão Nacional no Dragão Caixa, uma vez que o FC Porto recusou disponibilizar bilhetes para a equipa visitante.

Só podemos desejar à PSP boa sorte para esta investigação, seja ela qual for.


Sendo que na noite desse mesmo dia toma a seguinte posição:

Aqui o video completo

Presidente do Benfica reagiu aos incidentes no Dragão Caixa para lançar uma das maiores críticas de que há memória ao FC Porto, dizendo que o sucesso dos dragões tem como base a corrupção e a mentira.

Luís Filipe Vieira foi ao ataque e reagiu com diversas críticas ao FC Porto, na sequência de os dragões se terem queixado do comportamento dos responsáveis encarnados no Dragão Caixa, após o jogo onde o Benfica se sagrou campeão nacional de basquetebol.

"O que ontem se passou no Dragão é uma vergonha para o desporto, para o país, uma vergonha para as instituições desportivas. Só não é uma vergonha para quem não tem, nem nunca teve vergonha na cara. O que alguns fizeram ontem, mas também na véspera do jogo, foi demasiado grave para ficar impune. E ainda têm a lata de falar de apagões? Quando a sua história foi marcada por fruta, corrupção e compadrio? Têm a lata de falar de verdade desportiva quando o seu sucesso foi construído com base na maior mentira do desporto português?", questionou o dirigente encarnado, numa cerimónia em que o clube recebeu a equipa de basquetebol.

As críticas foram mais longe: "O sistema ainda não acabou. O sistema de hoje continua construído na intimidação, na violência, nos favores. As nossas razões podem não chegar à UEFA, como não chegaram as 'escutas da fruta', como não chegaram para a justiça portuguesa as 'escutas do café com leite'. Mas nós não vamos parar enquanto não limparmos o desporto português. Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que acreditam que isto nunca vai mudar, os que acreditam que a impunidade vai durar para sempre."

"Mas será que alguns dirigentes deste país só gostam da atuação da polícia quando esta os avisa que têm de fugir para não serem presos? Na vida como nos livros: um ladrão não deixa de ser ladrão por declamar poesia, um ladrão não deixa de ser ladrão por ir ao Papa. Um fugitivo da justiça não o deixa de ser apenas porque alguns juízes decidiram assobiar para o lado!", acrescentou Vieira.

"Alguns muros já caíram, mas não vou descansar enquanto houver árbitros, delegados e dirigentes que tenham medo, que se sintam condicionados por ameaças e represálias. Não vou descansar enquanto algumas federações continuarem a ter medo de agir com liberdade", realçou Vieira. Por fim, o presidente agradeceu a "Carlos Lisboa e toda a equipa pela forma como lutaram durante o jogo e pela forma como souberam sofrer depois do jogo."

ANÁLISE: A melhor comunicação em muitos anos de LFVieira á frente do Benfica. Tiros certeiros para as alusões ao apito dourado e ás escutas, ao prórprio sistema judicial quando refere "Mas será que alguns dirigentes deste país só gostam da atuação da polícia quando esta os avisa que têm de fugir para não serem presos?" ou mesmo o bombástico "Um fugitivo da justiça não o deixa de ser apenas porque alguns juízes decidiram assobiar para o lado!". Menos bem nos agradecimentos a Carlos Lisboa, passando por cima das provocações do técnico, e a maneira despudorada como se tenta colar á imagem de combatente pela verdade, sabendo-se todas as manobras que tiveram por base do ultimo titulo de futebol ganho e da maneira como foi ganho...


Ao que o FCPorto responde com esta através igualmente de comunicado:

25/05/2012
Os burros e a mudança

1 - Um leitor aproveitou um dos raros momentos de satisfação para ler o que outros lhe escreveram, o que em si mesmo já não é notícia. Há pormenores que importa realçar, como o “orgulho, admiração e agradecimento” pelos gestos e insultos de um seu funcionário, o que é elucidativo do carácter do leitor e consiste no mais forte apelo à violência no desporto de que há memória em Portugal.

2 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que só tiram a cabeça da toca de vez em quando e que nunca são capazes de dar a cara nas repetidas derrotas.

3 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que se deixam levar por textos a fingir de anjos e arcanjos, enquanto o passivo dos nove anos de gestão do leitor galopou dos 83,9 para mais de 400 milhões de euros.

4 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que permitem a quem nunca mostrou competência alterar os estatutos às escondidas para que ninguém ouse disputar-lhe a presidência e assim possa continuar a enganá-los a todos.

5 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que se deixam contentar com dois campeonatos e uma taça enquanto o leitor enche pneus de inveja com os títulos nacionais e internacionais do FC Porto.

6 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que ainda levam a sério o leitor. Em 2003: “O Benfica será mais forte do que o Real Madrid”. Em 2005: “Vamos arrasar na Europa”. E em 2006: “Depois do Verão, seremos o maior clube do mundo”. Largos dias têm os Invernos…

7 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que pela força do hábito não sabem lidar com a vitória. Podem continuar a tentar ganhar eleições à nossa custa, mas continuam a ver o FC Porto ganhar camião de títulos. E nem o camião nem os títulos são roubados.

8 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que fecham os olhos à forma como o leitor enriqueceu. É o alpinismo social.

9 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que confundem risco com linha, ou que julgam que coca-cola só tem quatro letras.

PS: Aguardamos que a Procuradoria-Geral da República investigue o ataque à honra e à imparcialidade dos juízes e da polícia feito pelo leitor.

ANÁLISE: Encaixe do golpe e contra-ataque tentando enfranquecer a posição de Vieira, lembrando-o do passivo, do golpe de alteração dos estatutos. Depois faz uma pequena incursão pelo passado de Vieira com a alusão aos camiões roubados, ou mais á frente as alusões ao tráfico de droga, alpinismo social e confundir risco com linha e ainda coca-cola só tem 4 letras...esqueceram os autores deste comunicado os telhados de vidro do próprio PDC acerca de uns dentes de elefante perdidos e nunca assumidos algures no aeroporto da invicta.


Numa análise final é caso para dizer que zangam-se as comadres e descobrem-se as verdades. Existindo na análise destes comunicados matéria suficiente para a PSP fazer uns relatórios bastante gráficos sobre os intervenientes.

Neste caso como em tantos outros porto e benfica representam a iniquidade do desporto em Portugal, o porto pelo sistema que construiu durante anos, de forma a destronar o existente sistema pertença do benfica, que agora combate com os mesmos argumentos. Nem um nem outro são exemplo para o desporto em Portugal, mas a comunicação social, e a quase totalidade dos "fazedores de opinião" insiste em proteger este pseudo tratado de tordesilhas do desporto nacional, até quando?


1906
Luta & Resiste!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Comunicado AAS - “Reacção após o jogo em Setúbal”


A Associação de Adeptos Sportinguistas demonstra a sua incredulidade perante os recentes acontecimentos no futebol português e no Sporting Clube de Portugal. Entendemos ser este o momento de reacção conjunta - de adeptos, sócios, dirigentes, colaboradores do clube e atletas:

1) Continuam as habituais habilidades nos relvados do nosso país, protagonizadas pelos mesmos de sempre. Com a competência a que já nos habituaram, temos árbitros a errar ciclicamente sempre para o mesmo lado. E visto que o corporativismo do sector se esgotou no passado, com o boicote ao Sporting Clube de Portugal, é altura de dizer que o Sporting tem sido “ROUBADO” em vários jogos, sobretudo nos decisivos, com consequências que só terão reflexo na classificação do Sporting, porque na dos respectivos árbitros não…

2) Esperamos ansiosamente pelas habituais declarações dos "Guilhermes" desta vida, em defesa da “sua” APAF e dos “seus” árbitros, agora que outros clubes de Lisboa se pronunciaram duramente sobre o carácter destes. O seu silêncio, na sequência das queixas desta última jornada, representará a total demissão do cargo e das suas funções, pelo que, caso se mantenha em silêncio, desafiamos, desde já, a que o faça para sempre. A bem do futebol português, da verdade desportiva e da honestidade intelectual.

3) Sinal dos tristes tempos em que vivemos, vem agora um clube histórico - Vitória de Setúbal, outrora distinto hoje dirigido por vulgaridades, procurando desculpar um acto de violência (no caso verbal e de teor racista e xenófobo) com outros casos que nada têm a ver com aqueles. Registe-se ainda o facto do Sporting Clube de Portugal ser dos clubes em Portugal que mais investiu em conforto e segurança no seu estádio, ao contrário do clube de Setúbal

4) Mas os factos supracitados não ensombram nem nos fazem esquecer que a qualidade futebolística demonstrada nos relvados pela equipa do Sporting, nos últimos jogos, tem sido péssima, chegando a denotar falta de vontade e motivação para fazer mais e melhor. Já vimos que esta equipa pode praticar bom futebol, pelo que qualquer exibição abaixo de tais standards tem de ser considerada negativa. Já é tempo de
vermos mais futebol, mais alegria no relvado e que demonstrem o real prazer que sentem em envergar a NOSSA camisola!

5) Do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal, com os seus órgãos eleitos, e do Sporting Clube de Portugal SAD - com os seus órgãos executivos nomeados pelo Clube, entendemos ser imperativo vir a público denunciar todas as situações que prejudicam claramente o nosso clube, para além de transmitirem, interna e externamente, organização, coesão, solidariedade, ambições e rigor ao nível do Sporting Clube de Portugal e do prometido no início da época.

A todos os atletas da equipa profissional de futebol do Sporting Clube de Portugal que enfrentam jogos decisivos até ao final da época, expressamos o nosso apoio e sobretudo as nossas exigências. A camisola que envergam não está ao alcance de todos. Traz o peso da sua História, de grandes figuras que a vestiram e exige muito respeito, carácter e determinação.

A todos será o momento de relembrar que se “O SPORTING ESTÁ DE VOLTA”, está mais do que na altura de o vermos!

Comité Executivo Associação de Adeptos Sportinguistas

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Bruno Paixão

Abaixo segue a morada onde se oculta este malfeitor!

Caso pretendam servir-lhe o jantar ou apenas enviar postais, é neste local onde devem ser entregues as oferendas!


Bruno Paixão
Av Mestre Manuel Santos Cabanas, nº6 5Direito
Quinta dos Fidalguinhos
2835-308 Lavradio


1906

Luta & Resiste!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Campanha Sportinguista "JÁ ERA" a favor da ISENÇÃO E VERDADE DESPORTIVA NO FUTEBOL PORTUGUÊS


Em (http://www.facebook.com/pages/J%C3%81-ERA-Campanha-Sportinguista-a-favor-da-Verdade-Desportiva/137529103007462?sk=info)


Vitimas da nossa performance desportiva que esperamos ver melhorar já neste domingo mas, agora com maior clarividência perante todos, vítimas de um vil e cobarde ataque por parte de um determinado sector da arbitragem que entende ter mais força que o Sporting Clube de Portugal!

Há mais de dez anos que vêm brincando e “gozando” com o clube e com os sportinguistas, coadjuvados com a tradicional postura institucional expressa no "somos diferentes".

Esqueceram-se, porém, dos quatro milhões de adeptos do Sporting Clube de Portugal...da força e do contributo deste clube centenário no desenvolvimento desportivo do país. Da importância deste clube na vida desportiva de cada português. Na luta que todos os sportinguistas se revêem e acreditam na prossecução da verdade desportiva, da isenção, da competência e responsabilização.

Equivocaram-se quando não contemplaram a realidade dos quatro milhões de adeptos do Sporting Clube de Portugal serem igualmente consumidores de diversos produtos e serviços no seu quotidiano.
Produtos e serviços, que alguns patrocinadores da Liga oferecem...

É importante a clareza de solidariedade entre todos os sportinguistas este momento crucial. A capacidade de reacção e pró-actividade de cada sportinguista colocada ao serviço do clube, de forma aglutinadora e sentida.

Nesta luta pela verdade que colocará de cócoras, não o Sporting Clube de Portugal, mas todos aqueles que têm, e tiveram, a veleidade de nos afrontar.

O tempo do leão adormecido...JÁ ERA!
O tempo do conformismo em Alvalade...JÁ ERA!
O tempo de respeitar quem não nos respeita, em Alvalade...JÁ ERA!
O tempo da vida facilitada em Alvalade para árbitros e adversários...JÁ ERA!

O tempo das cadeiras vazias em Alvalade...Já ERA!

Este Domingo tem uma cadeira à sua espera em Alvalade! Solidarize-se apoiando a equipa e corra para ocupar o seu lugar no Estádio!
Se perder muito tempo...Já ERA!

Sporting SEMPRE!


Associação de Adeptos Sportinguistas


1906

Luta & Resiste!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Comunicado AAS - Os custos da Verdade!

"Sem confundir aquilo que é a performance desportiva da equipa do Sporting Clube de Portugal com a situação na arbitragem em Portugal, queremos relembrar todos os agentes desportivos dos seguintes factos:

1. A distinção do conceito de “Solidariedade” do de “Corporativismo” é essencial para a análise factual que este documento apresenta. Não terá sido Vitor Pereira o maior prejudicado desta confusão de conceitos, pelos seus próprios subordinados?

2. Segundo notícias veículadas no jornal “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias”, “Expresso” e pela rádio “TSF” em Maio de 2010i, árbitros do futebol nacional e as suas famílias eram semanalmente ameaçados por sms, em números com origem em países europeus. Tais ameaças surgiam sempre na véspera de jogos onde o SL Benfica entrava. Do inquérito então aberto pela Polícia Judiciária não existem grandes detalhes, para além da constituição como arguidos de “adeptos benfiquistas”. No entanto,
nenhum dos árbitros se recusou a apitar. Nessa altura, não havia nem “Solidariedade nem Corporativismo”;

3. O corporativismo dos árbitros da Primeira Liga, com a patrocínio do assumidamente benfiquista Guilherme da APAF, deu-se, pela segunda vez nos campeonatos nacionais precisamente em jogos do Sporting Clube de Portugal. Os árbitros têm de ter estofo e humildade para saberem e reconhecerem que más arbitragens deturpam a verdade, causam danos a terceiros e afectam a credibilidade das competições. Não é possível afirmar com certeza que há intenção de prejudicar ou de beneficiar tal como não é possível afirmar que muitos árbitros, por cobardia e em função de ambientes pesados, de histórias que se contam, de “mitos urbanos”, cedem, claudicam, baixam a testa e fingem que não vêem o que se passa em determinados campos. Por isso, que não cause surpresa ou espanto, quando simpática e benevolentemente se qualificam certas arbitragens de “incompetentes”;

4. A incapacidade de organização de um jogo pela Liga, designadamente ao nível da nomeação de um árbitro para o jogo Beira-Mar vs Sporting Clube de Portugal, foi gritante. Saíram prejudicados os clubes, a Liga e sobretudo os adeptos que pretendiam assistir à partida como o presidente da Liga, Dr.Fernando Gomes, terá comprovado in loco. Daí se devem retirar conclusões;

5. Pactuando com a verdade, defendendo a isenção e competência, denunciando as fragilidades, ambiguidades e disparidades na arbitragem. Foi esse o caminho seguido pelo Sporting Clube de Portugal há muitos anos. Numa postura digna de realce mas sempre incompreendida face à tradicional posição dos clubes portugueses perante tais factores. Foi sempre mais fácil pegar no telefone do que defender a verdade desportiva e exemplos de tal não faltam no Youtube (onde constam várias referências aos outros dois grandes – FCPorto e SLBenfica)ii. Estão lá – online – para quem sabe ouvir e ver, e mesmo que a posteriori, tenham aparecido – surpreendentemente – pareceres, entendimentos, opiniões, decisões a tentar dar a entender aos portugueses e ao Mundo de que as escutas, juridicamente, “de nada valiam”, isso não significa que a verdade possa ser apagada... corrigida ou adaptada.

Repetimos: quem vê e ouve (e felizmente são muitos os que vêem e ouvem e apenas poucos os que não o fazem) sabe o que aconteceu em Portugal e pode, livre e legitimamente, adivinhar o que continua a acontecer no Futebol Português;

Perante o sucedido, consideramos que:

A) Vitor Pereira cumprirá, hoje, os seus últimos dias enquanto Presidente do Conselho de Arbitragem. Não conseguir nomear um árbitro para um jogo, numa competição profissional englobada numa indústria de milhões é um erro demasiadamente grave para ser escamoteado, branqueado ou desculpado. Deverá demitir-se ou, em última instância, não ser reconduzido no cargo aquando da passagem da Arbitragem nacional para a dependência directa da FPF;

B) Ao Sporting Clube de Portugal não nos parece restar outra hipótese que não seja o de abrir processo disciplinar interno ao sócio Vitor Pereira, por infracção do artigo 21º, alínea a) e g) dos Estatutos do Sporting Clube de Portugal;

C) A bem da verdade e da responsabilidade, deverão ser confirmados, pela Liga, pela APAF ou pelo próprio Sporting Clube de Portugal quais os árbitros que se recusaram a arbitrar um jogo deste clube (iii). Estes árbitros, para além de nunca merecerem a hipótese futura de passarem a profissionais, deverão ser excluídos de arbitrarem qualquer jogo do Sporting Clube de Portugal até ao fim das suas carreiras. Vetados pela Comissão de Arbitragem da Liga pelos prejuízos causados à imagem da Organização e igualmente pelo Sporting;

D) Perante tal cenário, deverá ser considerada, no imediato, a requisição de árbitros estrangeiros para os jogos do Sporting Clube de Portugal até a situação da arbitragem, em Portugal, estar devidamente organizada e estabilizada assim como todos os seus agentes cientes da importância que desempenham no futebol nacional e da sua relevância para a implementação da verdade desportiva no desporto;

E) Sendo o sucedido um facto relevante no Desporto em Portugal, não deve ser de excluir a intervenção de Secretaria de Estado do Desporto e Juventude no sentido de focar todos os agentes desportivos na sua real missão - Organização dos campeonatos nacionais e pugnar pela verdade desportiva;

Infelizmente, parece que o facto de qualquer dirigente sportinguista não ter sido "apanhado" nas famosas escutas tem os seus custos...

No final de toda esta novela, perde o futebol e perdem os seus adeptos.

E a nós, que gostamos de futebol de qualidade e de ver a nossa equipa jogar com as mesmas regras do adversário, quem nos indemniza pelos danos que nos causam semanalmente? (bilhetes, viagens, alimentação).

Comité Executivo,
Associação de Adeptos Sportinguistas

i
Diário de Notícias: http://www.dn.pt/desporto/interior.aspx?content_id=1452164 com referência a João Ferreira
Jornal de Notícias: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1575013
Jornal Expresso: http://aeiou.expresso.pt/arbitros-jorge-...santos-foram-dois-dos-ameacados-demorte=
f584060
TSF: http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Desporto/Interior.aspx?content_id=1574886
ii

Novas Escutas do Apito Dourado 1/6
http://www.youtube.com/watch?v=N5dqcs1pFE&feature=related;
Novas Escutas do Apito Dourado 3/6
Novas Escutas do Apito Dourado 4/6
Novas Escutas do Apito Dourado 5/6
Novas Escutas do Apito Dourado 6/6

iii
Segundo a edição online do Diário de Notícias do dia 22 de Agosto de 2011
(http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=1957546) os árbitros que se recusaram a apitar o jogo"

terça-feira, 24 de maio de 2011

Golpe de estádio




Pode ler aqui!

Aconselhamos igualmente a consulta desta pagina!

1906

Luta & Resiste!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Na visita a carnide, vamos ser...



...e com mil razões para vencer no coração!!



O próximo derby vai ser disputado sobre intensa pressão, paixão e niveis muito baixos de racionalidade. Esta frase parece aqui um bocado despropositada, pois á primeira vista são estes os ingredientes de qualquer derby que se preze!

Então o que é que está aqui mal? O que é que aqui não faz sentido?

Bem o que está mal, no fundo é criar um clima artificial com a introdução destes supracitados ingredientes, não para espicaçar a própria equipa, ou desmoralizar o adversário, o que seria habitual, mas no sentido de condicionar claramente a seu favor a arbitragem do derby, habitual de alguns anos para cá por parte do benfica!

Ao nível do próprio sector da arbitragem, o autismo que resulta de tê-la a liderar um individuo que durante anos fez gala de subir na hierarquia ajoelhando-se ao poder instutuido a norte, prejudicando significativamente e com dano reiteradamente, durante a sua carreira de árbitro o Clube que dizia ser da sua simpatia, sempre sob o ferrete que tinha de ser isento e imparcial!

Depois deste conjunto de declarações por responsáveis do benfica após o jogo e mais a frio após o plenário dos OSociais do benfica, o que está aqui em jogo e apenas e face á variedade de temas e alvos, apenas um objectivo, condicionar a arbitragem do próximo derby, de forma que em caso de igualdade poder recolher vantagem significativa perante o Sporting Clube de Portugal!

E é apenas isso do que se trata condicionar de forma miserável o prróximo derby a favor do benfica.

O circo á volta já começa a mexer, ouvimos Luis Guilherme da APAF sobre o tema, e quase nem conseguimos acreditar que é o mesmo Luis Guilherme que pediu aplicação de medidas punitivas contra os dirigentes do Sporting após a final da taça Lucílio, como passou a ficar conhecida a taça da liga, após o roubo á vista desarmada perpretrado contra o Sporting e que favoreceu o benfica! Que era de facto o mesmo Luis Guilherme que achou perfeitamente normal a nomeação de Duarte Gomes para o fcporto vs Sporting, após a provocação em Alvalade a membros do nosso quadro técnico!

O que é completamente surreal é o Sporting Clube de Portugal continuar a patrocinar este arraial e a dar o seu aval neste tremendo Hara-kiri!
Não se percebeu, não se percebe como é que esta direcção toma este tipo de decisões completamente contra o sentimento do sócio comum!

O mínimo e no imediato é que haja pelo menos uma reacção dura que previna o espectáculo que já estamos todos a antecipar -a adulteração da verdade desportiva em benefício do benfica!

Face ás mesmas circuntâncias o Sporting e os seus dirigentes foram exemplarmente punidos! Aguardamos, pois a pesada mão justiceira e corporativista do sector da arbitragem, se tiverem coragem para isso obviamente!

Que seja devolvido ao Derby a sua capacidade de ter um resultado imprevisivel, e de que possa ganhar quem jogue melhor e marque mais golos, e não quem chore mais alto e de forma mais estridente!

Num outro registo parabenizamos mais uma vez a AAS pela sua iniciativa pioneira na luta pelos direitos dos adeptos!


Sporting 1906

Luta & Resiste!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ainda acerca do Derby e algumas coisas á volta....



Pergunta: Quem é que foi o árbitro do ultimo benfica vs Sporting Clube de Portugal?

Resposta: João Ferreira! Epá mas não tem nada a haver....


Apito Dourado: escutas apanharam Luís Filipe Vieira a escolher árbitros para o Benfica (João Ferreira é o preferido)
08.09.2006

As escutas do processo Apito Dourado revelam que Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, se envolveu directamente na escolha do árbitro do jogo das meias-finais da Taça de Portugal da época de 2003/2004 em que o Benfica ganhou ao Belenenses por 3-1. Esse jogo foi arbitrado por João Ferreira, de Setúbal, na sequência da nomeação acertada num telefonema entre Valentim Loureiro e o presidente dos encarnados. Nessa conversa, Luís Filipe Vieira começa por se queixar pelo facto de o árbitro nomeado para o jogo já não ser Paulo Paraty, conforme havia sido anunciado por Pinto de Sousa, à data presidente do Conselho de Arbitragem da Federação, a um advogado com ligações ao Benfica.


A discussão foi acesa, com Valentim a esforçar-se por apaziguar os ânimos do dirigente e sugerir-lhe nomes de árbitros para substituir Paraty. Vieira, que diz não ter "preferência" por "ninguém", acaba por recusar o nome de quatro internacionais - "não me dá garantias", disse de alguns deles. A solução acabou por ser João Ferreira, o árbitro que amanhã estará no arranque do campeonato para os da Luz, quando defrontarem o Boavista no Bessa (ver texto na página seguinte).

As escutas telefónicas estão apensas ao processo principal do Apito Dourado, mas Cunha Vaz, responsável pelo gabinete de imprensa do Benfica, negou a sua existência. "O sr. Luís Filipe Vieira nunca falou com Valentim Loureiro por causa dos árbitros da Taça. Isso é mentira, até porque quem os nomeava era a Federação. O Benfica nunca escolheu qualquer árbitro", assegurou. Valentim Loureiro, por sua vez, não se disponibilizou para prestar qualquer esclarecimento.

Vieira irritado ao telefone
15 de Março de 2004. Paulo Paraty tinha arbitrado o jogo do Belenenses-Nacional para o campeonato. Por esse motivo, não podia ser indicado para o jogo da Taça, que ocorreria dois dias depois, obrigando Pinto de Sousa, que, à data, liderava o Conselho de Arbitragem, a procurar outra opção. Pinto de Sousa tentaria contactar Vieira para justificar a mudança, mas o dirigente benfiquista deixou de lhe atender o telefone, o que acabaria por levar Valentim Loureiro a envolver-se num jogo que estava fora da alçada da Liga.

"Disseram-me que era o Paulo Paraty o árbitro... Agora dizem-me à última hora, vêm-me dizer que já não pode ser o Paulo Paraty por causa do Belenenses", lamentava-se Vieira a Valentim, enquanto respondia às sugestões dadas por este. "Não quero Lucílio nenhum! (...) O António Costa?! F... Isso é tudo Porto! (...) O Duarte, nada, zero! (...) O Proença também não quero!".

Só o nome de João Ferreira agradou ao presidente do clube da Luz. "O João pode ser", disse, depois de conhecer os candidatos possíveis. A lista era reduzida, porque Pinto de Sousa considerava que o jogo tinha de ser apitado por um árbitro internacional e havia-o dito a Vieira e a Valentim Loureiro.

Nesta conversa com o presidente da Liga, Luís Filipe Vieira estava visivelmente irritado. E confessou a Valentim Loureiro que tinha sido informado de que o árbitro seria Paulo Paraty duas ou três semanas antes. O nome agradava-lhe e a sua substituição foi atribuída a uma manobra do FC Porto, cujo presidente, Pinto da Costa, "controlava tudo", na opinião de Luís Filipe Vieira. No entendimento do dirigente benfiquista, Pinto da Costa decidira até que quem arbitraria o Braga-Porto, também para as meias-finais da Taça, seria Bruno Paixão. "O Bruno Paixão, em Gil Vicente, eu estendi-lhe a mão para o cumprimentar, não me cumprimentou! Como é que esse gajo [Pinto de Sousa] vai nomear esse gajo para apitar?", perguntava Luís Filipe Vieira, não escondendo a indignação e deixando clara a ameaça: "Eu não sou como o Dias da Cunha. (...) Eu vou [à RTP] fazer alguns alertas para o futebol português".

Pinto de Sousa explica-se
Minutos depois, um novo telefonema de Valentim Loureiro a Pinto de Sousa é revelador. O segundo desculpa-se ao presidente da Liga por não ter indicado Paulo Paraty. Este árbitro havia sido sorteado para o jogo da Liga, também com o Belennenses, o que o levou a aceitar a indicação de Vieira e nomear João Ferreira para a Taça.

Ainda na mesma conversa, Pinto de Sousa conta a Valentim que a promessa de que Paulo Paraty seria o escolhido tinha sido feita inicialmente a João Rodrigues (um advogado com ligação ao Benfica), duas ou três semanas antes. Mas assegurou que a nomeação para o campeonato acontecera apenas porque se tinha esquecido de avisar Luís Guilherme, o responsável pela gestão da arbitragem para os jogos da Liga.

Sobre a possibilidade levantada por Luís Filipe Vieira de que o Porto teria escolhido o árbitro para a sua própria meia-final, Pinto de Sousa desmentiu-o. E explicou: "Foi um pedido do Salvador (presidente do Braga). Não indicar nem o Olegário, nem o António Costa".



Partes das escutas telefónicas onde é interveniente Luís Filipe Vieira. Os seus interlocutores são Valentim Loureiro e Pinto de Sousa

Luís Filipe Vieira (LFV) - Eu não quero entrar mais em esquemas nem falar muito... (...)
Valentim Loureiro (VL) - Eu penso que ou o Lucílio... o António Costa, esse Costa não lhe dá... não lhe dá nenhuma garantia?
LFV - A mim?! F.., o António Costa? F... Isso é tudo Porto!
VL - Exacto, pronto! (...) E o Lucílio?
LFV - Não, não me dá garantia nenhuma o Lucílio!
VL - E o Duarte?
LFV - Nada, zero! Ninguém me dá!... Ouça lá, eu, neste momento, é tudo para nos roubar! Ó pá, mas é evidente! Mas isso é demasiado evidente, carago! Ó major, eu não quero nem me tenho chateado com isto, porque eu estou a fazer isto por outro lado. (...)
VL - Talvez o Lucílio, pá!
LFV - Não, não quero Lucílio nenhum! (...)
VL - E o Proença?
LFV - O Proença também não quero! Ouça, é tudo para nos f...!
VL - E o João Ferreira?
LFV - O João... Pode vir o João. Agora o que eu queria... (...) Disseram que era o Paulo Paraty o árbitro... O Paulo Paraty! Agora, dizem-me a mim, que não tenho preferência de ninguém (...) à última hora, vêm-me dizer que já não pode ser o Paulo Paraty, por causa do Belenenses.

Pinto de Sousa - A única coisa que eu tinha dito ao João Rodrigues é o seguinte... É pá, há quinze [dias] ou três semanas, ele perguntou-me: "Quem é que você está a pensar para a Taça?"... Eu disse: "Estou a pensar no Paraty"...
VL - Bem, o gajo está f... (...) O Paraty então não consegues, não é?
PS - O Paraty não pode ser. (...) Até para os árbitros restantes, diziam assim: "É pá, que diabo, este gajo tem tantos internacionais e não tem mais nenhum livre, pá?!". (...)
VL - Eu nem dá para falar muito ao telefone, que ele começa para lá a desancar. (...) Mas qual é o gajo que o Porto não quer?! O Porto quere-os todos, pá! Qualquer um lhe serve!
PS - É... Por acaso é verdade...
VL - O Porto quer lá saber disso!
PS - Se é o Lucílio... Se fosse o Lucílio, era o Lucílio, se fosse o António Costa, era o António Costa...
VL - Ao Porto qualquer um serve!


Fonte: http://dossiers.publico.pt/noticia.aspx?idCanal=1296&id=1269576



Os lugares na Liga...

Em 2003, a propósito da contratação de Jankauskas pelo FC Porto, Luís Filipe Vieira afirmou que não estava preocupado, porque "são mais importantes os lugares na Liga do que contratar bons jogadores".
O tempo veio provar que o presidente do SLB sabia perfeitamente o que estava a dizer. De facto, tal como Cunha Leal foi um importantíssimo player enquanto esteve na Liga (quem não se lembra do Estorilgate?), o filho do benfiquista de Canelas (*) não lhe fica atrás e, depois do apito final, a forma como geriu os casos dos túneis fazem dele um forte candidato a águia de ouro (será uma distinção mais do que justa, pelos bons serviços prestados...).

Entretanto, a FC Porto – Futebol, SAD já reagiu num comunicado publicado no site oficial.

(*) O pai de Ricardo Costa era conhecido pela sua fortíssima ligação afectiva ao SLB, a qual é partilhada pelo filho.

Fonte: http://futebolar.portugalmail.pt/artigo/20100220/os-lugares-na-liga



Cunha Leal - A "criada de servir" do Benfica

No dia 13/05/2008, mal se esgotou o prazo da FCP SAD recorrer decisão da Comissão Disciplinar da Liga, que puniu o clube por suposta tentativa de corrupção, o jornal A BOLA fez a seguinte primeira página:

Rapidamente se percebeu que quem estava por trás desta notícia e da estratégia subjacente era o SLB e, particularmente, um seu ex-dirigente e ex-director executivo da Liga de Clubes – o Dr. Cunha Leal.

«O FC Porto, condenado na perda de seis pontos na presente época, por decisão da Comissão Disciplinar da Liga, por tentativa de corrupção no âmbito do processo Apito Final, decidiu não recorrer da sanção aplicada, tendo o prazo de recurso terminado ontem. Assim, perante o trânsito em julgado da sentença da Liga, os dragões, diz Cunha Leal, «podem caber na alínea D do ponto 1.04 do Regulamento da Liga dos Campeões».
in A Bola, 14/05/2008

Comentando esta estratégia benfiquista, Rui Santos escreveu o seguinte, no Record, em 16/05/2008:

«Acredito que o achamento de Cunha Leal foi o atalho encontrado para condicionar os excessos de Valentim Loureiro. Mas, nesta pretensa “nova era”, não faz sentido um jurista (seja ele qual for) pôr o seu “fundamentalismo clubístico” como instrumento manipulador de massas acríticas.

As cunhas desleais não honram o futebol nem os lugares, quando se percebe que o objectivo é prejudicar o FC Porto, para além daquilo que a instituição merece (?) ser prejudicada, a título de uma responsabilidade individual que se transforma em desonra para a colectividade.»


Reagindo a este comentário, Francisco Cunha Leal Carmo solicitou ao Record a publicação de um direito de resposta onde, entre outras coisas, disse o seguinte:


«Porque me chamaram a atenção para o facto de o escriba invocar o meu nome, submeti-me, a contra gosto, ao sacrifício de ler os dislates de tal senhor. (...)
Sou, efectivamente, culpado de ter ousado expressar a minha opinião técnico-jurídica sobre as possíveis graves implicações para o FCP consequentes da aplicação, pela UEFA, do Regulamento da Liga dos Campeões, isto após a condenação do FCP SAD, em acórdão já transitado da Comissão Disciplinar da Liga de Clubes, por ilícito de corrupção na forma tentada. Uma opinião que, sublinhe-se, é acompanhada por vários ilustres juristas, todos certamente a soldo de forças demoníacas.»


Neste ping-pong, a resposta de Rui Santos foi ainda mais demolidora, tendo aproveitado para recordar factos que são de todos conhecidos, mas dos quais, normalmente, a comunicação social lisboeta evita falar.

«Cunhal Leal está indignado. Tem toda a razão para estar. Ele foi mandado para a Liga pelo presidente do Benfica para contrariar o poder do major. Convenhamos que é um grande azar, sobretudo quando quem o mandou para a Liga confessou, perante a estupefacção geral, que seria porventura mais importante ter alguém naquele organismo do que contratar bons jogadores.

O estigma não fui eu quem lho pus. Aceitou-o, porque sabe muito bem ao que foi e não se pode confessar enganado. Se não soubesse ao que ia e se cumprisse o seu dever de isenção, não teria autorizado a farsa que constituiu a marcação do Estoril-Benfica para o Algarve, na jornada 30 do campeonato de 2004-05, cujo desfecho foi decisivo para a atribuição do título nessa temporada.

A sua credibilidade morreu nesse momento. Quem consente um escândalo dessa natureza (embrulhado noutros escândalos da época), quem se cala perante uma situação potencialmente subversiva, inquinando a verdade desportiva, não tem um pingo de moral para vir falar agora, como especialista de coisa nenhuma, a não ser o de defender interesses de um só clube e de uma só cor, de qualquer tipo de regulamentos, numa clara manobra de visar o FC Porto.

As “criadas de servir” dos clubes são, também, na Liga ou na FPF, grandes responsáveis para o estado lamentável a que o futebol chegou. Em causa está apenas a “clubitização da justiça” – e percebo o incómodo que a temática causa para quem aplica os regulamentos apenas em certas condições de pressão e temperatura.

Outro grande azar foi Luís Filipe Vieira ter afirmado – já depois de Leal ter cumprido a missão para a qual tinha sido incumbido – que o Benfica porventura não deveria ter conquistado aquele título de campeão nacional. Realmente, é demasiado azar para quem tanto se esforçou para justificar o “investimento” num director e não em jogadores.


Azar e... falta de nível! É o mais vulgar quando não se tem poder de argumentação.

PS – O extraordinário desempenho como figurante no filme ‘Corrupção’ diz tudo sobre a pobre figura.»
Rui Santos, Record, 21/05/2008


De facto, é chato ouvir ou ler estas coisas e mais chato ainda quando elas são publicadas num jornal como o Record e escritas por um jornalista que é insuspeito de ter qualquer tipo de simpatia pelo FC Porto ou por Pinto da Costa (bem pelo contrário).

Fonte: http://reflexaoportista.blogspot.com/2008/06/criada-de-servir-do-benfica.html



Soares Franco e o Estorilgate

Ontem, na "Grande entrevista" da RTP 1, conduzida por Judite de Sousa, o presidente do Sporting afirmou o seguinte:
"No passado não existiu só Apito Dourado, mas também tráfico de influências douradas. Um exemplo é o jogo que o Benfica jogou com o Estoril no Algarve. Embora pudesse ter cumprido toda a legalidade só foi possível no Algarve porque o presidente do Estoril era do Benfica e o director desportivo da SAD tinha interesses no clube".

De facto, é sabido que o Estorilgate foi um dos maiores escândalos de sempre do futebol português, envolvendo como actores principais da farsa: José Veiga, a Direcção do Estoril, a Direcção do Benfica e Cunha Leal (na altura Director-executivo da Liga).
Aliás, a propósito dos relevantes serviços prestados por este último, Rui Santos chegou ao ponto de o acusar/apelidar de ser um "cunha desleal" e uma "criada de servir" do SLB:
"Ele [Cunha Leal] foi mandado para a Liga pelo presidente do Benfica para contrariar o poder do major. Convenhamos que é um grande azar, sobretudo quando quem o mandou para a Liga confessou, perante a estupefacção geral, que seria porventura mais importante ter alguém naquele organismo do que contratar bons jogadores.


O estigma não fui eu quem lho pus. Aceitou-o, porque sabe muito bem ao que foi e não se pode confessar enganado. Se não soubesse ao que ia e se cumprisse o seu dever de isenção, não teria autorizado a farsa que constituiu a marcação do Estoril-Benfica para o Algarve, na jornada 30 do campeonato de 2004-05, cujo desfecho foi decisivo para a atribuição do título nessa temporada.
A sua credibilidade morreu nesse momento. Quem consente um escândalo dessa natureza (embrulhado noutros escândalos da época), quem se cala perante uma situação potencialmente subversiva, inquinando a verdade desportiva, não tem um pingo de moral para vir falar agora, como especialista de coisa nenhuma".

Por outro lado (onde é que eu já ouvi esta expressão?), as ligações de José Veiga ao Estoril, na altura em que simultaneamente era director-desportivo do SLB, não oferecem quaisquer dúvidas:
«O antigo empresário de futebol e director-desportivo do Benfica, José Veiga, foi multado pela Comissão do Mercados e Valores Mobiliários em 30 mil euros, devido ao facto de não ter comunicado ao mercado a posição que detinha da SAD do Estoril.»
in Jornal de Negócios, 19/03/2008


O Estorilgate ainda teve outros contornos pouco claros, envolvendo pressões sobre jogadores do Estoril (que foram denunciadas pelos treinadores dos canarinhos) e a nomeação de um "árbitro amigo" (Hélio Santos) em final de carreira.

Por tudo isto, não surpreende que Filipe Soares Franco tenha referido o Estoril-Benfica da época 2004/05 como exemplo paradigmático do tráfico de influências no futebol português.

O que eu achei interessante foi a forma inteligente e eficaz como a comunicação social de hoje (com a honrosa excepção do JN) ignorou estas declarações do presidente do Sporting.
Pois, não convém mexer no "lixo encarnado", não vá a procuradora-especial sentir-se pressionada e ser obrigada a investigar o caso...

Fonte: http://reflexaoportista.blogspot.com/2009/01/soares-franco-e-o-estorilgate.html


Os "métodos de treino" de Jorge Jesus

«Domingos não foi de meias-palavras na primeira declaração pública desde que começou o trabalho de campo em Braga. Satisfeito com o rendimento dos jogadores no primeiro teste da época, contra o Freamunde, o treinador não deixou de salientar o cansaço que muitos exibiram e as limitações que sente por ter três jogadores lesionados sem terem realizado um único treino (Matheus, Jorginho e Moisés), aos quais se juntam os intermitentes Leone e Frechaut, que só puderam jogar 28 e 17 minutos, respectivamente.
"É pena que haja cinco jogadores com pubalgias. Não me lembro de um clube com tantos casos destes. Isso limita o trabalho. Os jogadores vão tardar a aparecer", lamentou, recusando imputar responsabilidade ao departamento médico. "Não estou a colocar em causa o departamento médico, mas são muitos casos e gostaria de ter todos os jogadores aptos, até pelo tempo que tiveram de férias, disponíveis."
Mas afinal, de quem é a responsabilidade? "Não me perguntem. Mas não é normal. Desde 1986 que não ouvia falar de pubalgias..." - ironizou, sem nunca referir os métodos de Jorge Jesus como responsáveis por tantas lesões.
Recorde-se que, no ano passado, o Braga terminou a época com apenas 12 profissionais disponíveis para jogar.»
in O JOGO, 10/07/2009

Este artigo publicado em O JOGO deixa muitas mensagens subliminares nas entrelinhas e dá azo a várias interpretações. No meu caso, as queixas do Domingos e as referências aos "métodos de treino" de Jorge Jesus fizeram-me recuar às cinco épocas em que Jorge Jesus treinou o FC Felgueiras - 1993/94 a 1997/98 -, quando este clube subiu da 2ª Divisão B até à primeira liga do futebol português e, se bem me recordo, período em que houve suspeitas e uma investigação sobre alegados problemas de doping.

Gosto pouco do estilo octaviano "vocês sabem do que eu estou a falar" e, por isso, seria importante que algum jornalista tivesse coragem, investigasse e tentasse descodificar o real alcance das declarações de Domingos. In-refexaoportista

Fonte: http://futebolar.portugalmail.pt/artigo/20090712/os-metodos-de-treino-de-jorge-jesus


Lopes da Silva: «Prejudiquei a carreira porque acreditei nele»
TÉCNICO DO BRAGANÇA E O DOPING COM JORGE JESUS EM 1995
“Estou arrependido de ter ficado calado”, foi assim que Lopes da Silva começou por abrir o jogo sobre o caso de doping que, em 1994/95, o afastou dos relvados por 6 meses. O agora treinador do Bragança jogava no Felgueiras, orientado por Jorge Jesus, seu adversário de hoje.

Na hora de recordar os factos, a mágoa não foi escondida. “Prejudiquei a minha carreira por ter acreditado em Jorge Jesus e nos outros responsáveis do Felgueiras. Arranjaram-me um advogado, mas ele queria defender o clube e não a mim”, começou por desabafar Lopes da Silva, prosseguindo: “No intervalo de um jogo com o P. Ferreira deram-nos algo para tomar como sendo vitaminas. Os atletas confiaram! O Jorge Jesus tinha conhecimento do que aquilo era. Fui ao controlo e acusei positivo.”

Fonte: http://www.record.xl.pt/noticia.aspx?id=737040&idCanal=5

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Quando a honestidade se sobrepõe á batota!


Crónica para SportingApoio

"Antes do mais devo informar os sportinguistas que o meu clube do coração é e sempre foi, o Boavista. Sei que há muita gente que não consegue distinguir o sentido lato de um trabalho profissional e não foi por acaso que escolhi contar esta história na minha primeira intervenção neste site.

Estávamos na época 2001/2002, na qual o Sporting fez uma tripla (campeão nacional, Taça de Portugal e Super Taça). Trabalhava eu no Sporting há mais de um ano. A minha missão era a de alertar o presidente das armadilhas que iam colocando no caminho do Sporting e encontrar forma para as combater. Quando fui contratado tive o cuidado de informar que tudo o que pudesse vir a fazer seria dentro da legalidade. Ou seja, provar que com honestidade era possível combater a verdadeira Máfia que governava o futebol português.

O Sporting estava na frente do campeonato nas últimas jornadas e o Boavista tinha sido campeão na época anterior. Boavista e Porto seguiam-nos com uma proximidade perigosa e salvo erro, a 3 jornadas do final do campeonato, o Boavista visitou Alvalade. O jogo era importantíssimo e podia definir o título. Como conhecia demasiado bem o “Sistema”, sabia que iam tentar tramar o Sporting nesse jogo. 15 dias antes soube que o árbitro já estava nomeado quando isso só devia acontecer na semana seguinte .

Fiquei atento, fui falando com várias pessoas e na semana que antecipou o jogo soube que Valentim Loureiro, tinha telefonado ao árbitro e jantado com ele num restaurante da cidade do Porto, facto que viria a ser confirmado, muito mais tarde, através das escutas do processo Apito Dourado.

Fiz um relatório de detalhado para Dias da Cunha contando-lhe tudo o que se estava a preparar para aquele jogo. Depois de ler o meu relatório, o presidente ficou em pânico e sem saber como poderia combater aquela situação. Não havia provas e o regulamento da Liga proibia que se pressionasse a equipa de arbitragem antes de um jogo. A situação não era fácil de resolver porque, para além do mais, o presidente da Liga estava envolvido no problema.

Estudei o assunto e arranjei a solução: Manolo Vidal era o director desportivo do Sporting e antes do jogo tinha de levar as fichas dos jogadores ao árbitro. Ficou então combinado que quando Manolo Vidal fosse à cabine do árbitro diria ao juiz da partida amavelmente: “Então o jantar de terça-feira correu bem?” E ficava à espera da resposta.

Soube depois, que o árbitro, quando ouviu a pergunta de Manolo Vidal ficou lívido e fez de conta que não a ouviu. Foi o bastante para dar a entender ao árbitro que o Sporting sabia o que tinha acontecido e em caso de roubalheira as coisas podiam-se complicar para o seu lado, até porque ele não sabia se tínhamos provas ou não.

O Sporting ganhou e até foi beneficiado num ou noutro lance. Manteve a liderança e conquistou o título. Sem barulho e com honestidade foi vencido um grande problema.

Marinho Neves"

1906

Luta & Resiste!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Comunicado AAS


Recebemos da AAS o seguinte comunicado que passamos a transcrever na íntegra:

Crónica de um desastre anunciado

Mantivémos, propositadamente, o silêncio antes do encontro FC Porto - Sporting Clube de Portugal no que à nomeação do árbitro diz respeito. Na verdade, e numa alusão a tudo o que vem sucedendo nos últimos tempos, nenhum de nós, sportinguistas, poderia ficar surpreendido com a nomeação de Duarte Gomes.

Vitor Pereira é o lider do corporativismo do apito e presta um péssimo serviço ao futebol nacional. Quem devia contribuir para o incremento da verdade desportiva, para a transparência e para a credibilidade do desporto faz precisamente o contrário. Esta é a nossa avaliação de adeptos do desporto-rei.

Esta nomeação começou por ser uma crónica de um desastre anunciado que, infelizmente, se comprovou plenamente.
Estamos solidários com a equipa técnica do Sporting Clube de Portugal no que a este caso diz respeito e entendemos que, à luz de recentes decisões da Comissão Disciplinar da Liga, o treinador do Sporting não tem razões para ser castigado, dado existir “causa de exclusão de culpa”1. Pese embora, em termos disciplinares, poder existir “comportamento ilícito”1 verifica-se igualmente um “estado de necessidade desculpante” 1.

Não se pretende, com tal tomada de posição, encontrar uma forma de desculpabilizar resultados, mas antes escalpelizar situação recorrentes que não podem continuar a suceder no futebol português, a bem de todos os intervenientes: adeptos, jogadores, treinadores, dirigentes e patrocinadores.

Paulo Bento tem razão quando diz que o Sporting é muito simpático. Está na hora dos sportinguistas assumirem, todos, o seu grau de participação nessa simpatia e saberem ser menos simpáticos com quem não o merece, no dia a dia, com reflexos já no próximo jogo em casa para a Liga.

Comité Executivo
Associação de Adeptos Sportinguistas
www.aasporting.com


_____________________________________________________________________________________
1 Expressões retiradas do acordão da Comissão Disciplinar da Liga, relativo ao processo que envolveu o árbitro Duarte Gomes no caso de agressão ao treinador de guarda-redes do Sporting Clube de Portugal Ricardo Peres.


1906
Luta & Resiste!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

AAS mais uma vez na defesa do Clube...


Mais uma vez a AAS, saíu na defesa do Sporting Clube de Portugal, uma vez que estes dirigentes que agora até são remunerados ainda se encontram entretidos a ponderar uma exposição para a UEFA, tal como nos informam o jornal Record e o jornal OJogo afinal de contas nada mais nem menos do que já nos habituaram como nos casos precedentes "Juniores" e "Duarte Gomes".

Nesses casos, tal como neste decorrido na ultíma terça-feira no jogo SCPortugal vs ACFiorentina para a Champions, ouvimos e lemos as declarações destes dirigentes e da sua entourage, nas quais havia muito bater no peito, e ruído, "que teria de acontecer qualquer coisa", " que as coisas não podiam ficar assim", "que esta tinha sido a gota de água", para não fazer nada, mais vale ficarem calados, e atenção é mesmo ficarem calados, não é andar a elogiar o benfica apenas porque no seu entendimento não há assunto...

Eles falam, eles ponderam mas a pergunta impôe-se: "eles agem?" ou apenas reagem e já quando o cenário está montado de tal maneira, que será sempre impossível servir uma situação que sirva os interesses do Clube?

Os nossos parabéns á AAS, que mais uma vez demonstrou que ainda existem Sportinguistas de fibra, dispostos a lutar por um Sporting que não se ajoelha!

Deixamos o comunicado que nos foi enviado no dia de ontem quarta-feira, 1 dia a seguir ao jogo:

"Após o sucedido no último jogo – Sporting Clube de Portugal – Fiorentina, a Associação de Adeptos Sportinguistas acaba de enviar uma exposição à UEFA sobre a vergonhosa arbitragem do árbitro Viktor Kassai e denunciando a falta de equidade e competência no apuramento disciplinar demonstrada ao longo de todo o encontro.
Excerto da missiva :

“Sporting Clube de Portugal fans are quite shocked from last match display in what concerns the referee team performance headed by Mr. Viktor Kassai in the match Sporting Clube de Portugal - Fiorentina for the Play-off for the UEFA Champions League.
Indeed, the Hungarian referee completely failed to enforce the necessary discipline
and rules, disregarding UEFA recommendations for the referees, namely the ones concerning violent behaviour.
We would like to underline the following situations (check for match highlights here:
http://www.youtube.com/watch?v=bBM88621zII):

1st Half :
1. First goal of the match - for Fiorentina - started with a clear handball at midfield from a Fiorentina player. (1:08 in the above video - image in replay)
The goal should be considered invalid.

2. Fiorentina defender Gamberini attacked Sporting forward Liedson when the ball was out of play. The referee clearly saw the incident and showed a yellow card when the rules state that these actions must be sanctioned with a direct red card. (from 1:24 in the above video)
Fiorentina down to ten players.

2nd half
3. Fiorentina player Dainelli blocked Sporting midfielder Moutinho from starting a dangerous counter-attack, pushing his shirt without having any intention of playing the ball anymore(from 2:16 in the above video).
Yellow card to be showed. It would be the second one for Dainelli so he would be sent off.Fiorentina down to nine players

4. Sporting Goal - Simon Vukcevic scored the 1-1 and, while celebrating, took off his shirt. Second yellow card and an easy sending off from the referee (from 3:05 in the above video).
(This rule abolishment should really be considered as it makes no sense that a player receives a yellow card when he is just celebrating joyfully a goal, without making any kind of advertising whatsoever)

We know the effort UEFA has been putting in its competitions and we must remember last year Vitoria Guimaraes elimination from the Champions League due to referee errors, as publicly assumed by Michel Platini. We don't want to agree that, one year after, everything is the same or worse.
We also lack understanding on how can it be possible for such a highly reputed competition, with the financial impacts it has on clubs, can cope with such an unprofessional and feeble referee. Maybe there are facts which deserve some kind of further investigation...

From our point of view, the aggression Liedson suffered should be severely punished by UEFA, in respect for its campaign for Fair Play in the matches.“

Solicitamos igualmente a intervenção da Federação Portuguesa de Futebol para, de forma enérgica, denunciar o sucedido e que visa, tão só e somente, impedir que clubes portugueses participem na Liga dos Campeões tal como sucedeu o ano passado com o Vitória de Guimarães. O facto do Dr. Gilberto Madaíl ser membro do Comité Executivo da UEFA não só dará mais mediatismo à situação, impedindo que seja abafada, como permitirá uma tomada de posição com mais força.

Temos, no entanto, a confiança que, embuídos do mesmo espírito que os norteou no dia 18 de Agosto, a equipa de futebol profissional do Sporting Clube de Portugal saberá responder em Florença a todas estas “coincidências”.

Sporting Sempre!
Comité Executivo,
Associação de Adeptos Sportinguistas, AAS"

OBRIGADO!

1906

Luta & Resiste!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Vou fazer de conta que é normal...vou pedir mais uma imperial!


Mais uma vez, fica provado que este País consegue subverter qualquer tipo lógica que possa haver até nas coisas mais simples.

1)O FCPorto foi condenado em 2008 pelo CD da Liga com a perca de 6 pontos por corrupção tentada em 2004, o processo é dado como fechado e irreversível.

2)O Clube preferiu não recorrer aceitando a penalização de 6 pontos, uma vez que na classificação final tinha deixado os rivais a uma larga distância pontual.
O único recurso que deu entrada foi o de Pinto da Costa tendo em vista limpar o seu nome.

3)Os árbitros envolvidos foram condenados a penas de suspensão e irradiação pelo mesmo órgão, por corrupção consumada.

4)A UEFA, uma vez que o Clube não recorreu, aceitou a acusação de corrupção que lhe foi imputada. Logo ficou sem condições de ir á liga dos campeões, tal como determinam os regulamentos.

5)O conselho de justiça da FPF, rapidamente veio dizer que ao recurso de PdCosta, poderia ser junto um recurso do Clube, uma vez que as acusações eram as mesmas e os factos eram os mesmos.

6)A UEFA, decide aceitar a entrada do FCPorto na Champions, uma vez que o processo ainda não se encontra encerrado, e não conseguiria chegar a uma conclusão em tempo útil, antes das inscrições para a competição.

Comentário: É juntarem-se recursos de instituições aos de indivíduos, porque as acusações que sobre ambos recaem são as mesmas. No entanto como foi referido nos pontos 1) e 3), os mesmos factos apurados acabaram por produzir penas diferentes para uns corrupção tentada para outros consumada.

Este processo foi alvo de uma enorme guerra de bastidores ente os porcos e os andrades, demonstrando se preciso fosse, que os resultados desportivos não são exclusivo de quem tem mais arte dentro de campo.

A notícia do dia é a de que o SLBenfica foi condenado pela FIFA com a perda de 3 pontos em 2007/2008 por não ter pago a clausula de formação de Alcides.O que não deixa de ser irónico, acabando os queixinhas por serem punidos!

Chama-se a atenção dos responsáveis Leoninos para estes e outros truques que possam ser usados na contratação de CMartins, mais um grande Sportinguista que se afasta.

Até nunca poderia ser uma estrela de 1ª grandeza, ou até não jogar, mas entre ter um CMartins num balneário, a destilar sportinguismo e por exemplo um Farnerud, pago a peso de ouro para se manter penteado e com bom ar, penso não haver dúvidas sobre a minha preferência.
Nestes tempos sádicos esquece-se muitas vezes a componente emocional e é ela que permite a superação individual e colectiva, o espírito de corpo, o combate por um ideal!

Como estamos no verão, e a vida tambem é feita disto, deixo-vos com a visão crítica do social nacional, desse grande sportinguista, espartano por direito próprio, Juvenal o Anormal no seu melhor blog do universo com o recomendado rock a lobster.

...Quando vejo aqueles anúncios a detergentes para a roupa em que se vê um zoom das ceninhas de detergente a passar pelas fibras do tecido, não consigo deixar de pensar "este detergente é mesmo bom"...


1906

Luta & Resiste!

terça-feira, 13 de maio de 2008

Apito Final


O pomposo processo Apito Final conheceu finalmente o seu fim tendo produzido os seguintes castigos:

Castigos decorrentes do Apito Final

FC Porto: 6 pontos; 150 mil euros.

Pinto da Costa: 2 anos de suspensão; 10 mil euros.

Boavista: Descida de divisão; 180 mil euros.

João Loureiro: 4 anos de suspensão; 25 mil euros.

União de Leiria: Menos 3 pontos; 40 mil euros.

João Bartolomeu: 1 ano de suspensão; 4 mil euros.

Martins dos Santos (árbitro): 3 anos de suspensão.

Augusto Duarte (árbitro): 6 anos de suspensão.

Marinho Santos Silva (árbitro assistente): 2 anos e meio de suspensão.

Jacinto Paixão (árbitro): 4 anos de suspensão.

José Chilrito (árbitro): 2 anos e meio de suspensão.

Manuel Quadrado (árbitro): 2 anos e meio de suspensão.


Face ao exposto surgem as seguintes dúvidas e os respectivos comentários:

1) Foi ou não provado que nas véspera do jogo Porto-Beira-Mar o árbitro Augusto Duarte esteve em casa do presidente do Porto e ficou ou não provado que segundo relatos testemunhais lhe foi entregue uma soma em dinheiro?

Comentário: A entrega de uma soma em dinheiro implica a troca de um serviço ou ganho futuro ou o pagamento de dívida vencida.

2) O presidente do Conselho Disciplinar ao não ouvir uma testemunha chave como Carolina Salgado influenciou a sentença final, numa eventual descida de divisão do Porto?

Comentário: Lembrar que era esta a testemunha que suportava que o encontro em casa do presidente do Porto teria servido para fazer o pagamento de 2500 Euros a Augusto Duarte.

3) Manuel Quadrado, José Chilrito e Jacinto Paixão foram condenados por corrupção consumada em 2 anos em meio para os auxiliares e 4 anos para o árbitro, o dirigente foi punido por corrupção tentada?

Comentário: A testemunha chave declarou em tribunal ter ouvido a Pinto da Costa a encomenda de um serviço de prostitutas para a equipa de arbitragem, tendo inclusive descodificado as palavras “fruta”/prostitutas,”leite”/branca “café com leite”/mulata.
Se foi provado que o serviço foi encomendado e na sequência foi providenciado, se foi provado que de facto tudo isto aconteceu, não se percebe a designação usada “corrupção tentada”

4) Não se entende como é que um processo que resulta de um atleta mal inscrito possa ter a mesma punição que um processo de corrupção mesmo que apenas tentada?

Comentário: O Belenenses foi punido com 6 pontos por ter mal inscrito o atleta Meyong, o Porto foi punido com 6 pontos em 2 processos de corrupção tentada.

5) A punição não deveria aplicada á época a que reportavam os factos, ou na próxima temporada subsequente ao julgamento dos factos?

Comentário: Na próxima temporada Boavista e Leiria descem, ao Porto são retirados já 6 pontos nesta temporada. Porquê esta disparidade na aplicação dos castigos?

6) O Boavista e a União de Leiria e o Porto tiveram fatos á medida?

Comentário: O Boavista á mercê do caos financeiro após o saque autorizado permitido ao Clâ Loureiro iria com todas as probilidades descer de divisão por falência, o Leiria iria de qualquer das maneiras descer pelo desempenho desportivo, O Porto foi campeão com 20 pontos de diferença para o segundo, com a punição emanada pelo CD fica a 14 do 2º, castigado mas não muito.

7) O estado teve a melhor postura ? Teve medo de intervir e perder votos?Foram todos os envolvidos punidos?

Comentário: Não porque quando se começou a ouvir falar de todos estes casos nos anos 80, já o estado deveria ter intervido, a Secretaria de Estado do Desporto deveria ter-se constituído como assistente e verificar que não existiam anomalias e incompatibilidades como sejam ser um vereador da Câmara de Gondomar e sócio do Gondomar a julgar um caso em última isntancia (FPF) onde está envolvido o “seu” presidente da Câmara e o clube do qual é sócio.
Nem todos os envolvidos foram punidos lembrar que Luis Filipe Vieira foi apanhado em escutas igualmente a escolher árbitros e João Rodrigues o antigo presidente da FPF, pessoa com ascendente na FIFA e UEFA serviu de intermediario ao benfica em pressões na arbitragem, tanto um como o outro ou mesmo o clube em causa viu sequer levantado qualquer processo.

8) O Sporting teve a melhor postura ?

Comentário: Não deveria ter-se constituído assistente no processo e pugnar pela aplicação de justiça. Durante todo este processo, o Clube optou sempre por um constrangedor e cumplìce silêncio. Sendo que apesar de fazer parte da Direcção da Liga nunca reagiu em conformidade nos termos em que foi prejudicado/provocado ao longo da época. (Ex: atrasos ao GRedes, e inquérito ao Djaló por gestos, isto apenas para citar um dos primeiros e o último), mais parecendo que era o Sporting quem tinha de expiar a culpa de algum pecado cometido.

Foi feita Justiça?
...


1906

Luta & Resiste!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A teia


Em seguida transcrevemos um artigo publicado no Ofensiva1906 sobre o escândalo que esteve na origem do Calciocaos:

A teia de Luciano Moggi

"A investigação conduzida sob máximo segredo pelo Ministério Público de Nápoles, Turim e Roma, durante a época de 2004/05, não deixa margem para grandes dúvidas. Luciano Moggi, director-geral da Juventus desde 1994, montou uma teia criminosa que estendia o seu raio de acção a vários sectores do futebol e da sociedade italiana. A investigação tem por base escutas telefónicas realizadas a Moggi e seus cúmplices. No caso do director-geral, a tarefa foi imensa: Moggi utilizava regularmente entre seis e dez telemóveis (dois deles registados na Eslovénia) e tinha, em média, 416 conversas telefónicas por dia. A partir do conteúdo destas chamadas e posteriores interrogatórios efectuados pelos investigadores, a imprensa pôde deduzir, nos últimos dias, a forma como funcionava a rede mafiosa de Moggi

Árbitros

A peça mais importante da enorme teia construída por Luciano Moggi chama-se Massimo De Santis, o árbitro italiano com mais prestígio na era pós-Collina (Santis era um dos árbitros nomeados para o Mundial da Alemanha, mas foi afastado na sequência do escândalo). Tal como se pode ler nas conclusões preliminares dos investigadores italianos, Santis era um homem com uma “enorme capacidade criminosa e uma grande habilidade para apagar pistas e provas”. Santis, que conduz um Jaguar, tinha uma influência decisiva na elaboração das listas de árbitros que eram promovidos ou despromovidos no final de cada época. Além de Santis, outros oito árbitros foram suspensos. As escutas telefónicas revelam que a teia de Moggi/Santis não se limitava a assegurar arbitragens favoráveis à Juventus e clubes aliados (como a Lázio ou o Messina). Também se preocupavam em afundar clubes inimigos (como o Bolonha) e em massacrar com cartões amarelos e vermelhos os jogadores – defesas, sobretudo – das equipas que nas jornadas seguintes defrontavam a Juventus, de forma a que pelo menos um deles ficasse impedido de jogar.

Banca

A família Moggi contava com aliados importantes no sector financeiro. Chiara Geronzi, filha do banqueiro Cesare Geronzi – o homem-forte do Capitalia, um dos maiores bancos de Itália –, integra a Gea World SpA, dirigida por Alessandro Moggi. Os investigadores da procuradoria de Nápoles concluíram que os Moggi utilizaram essa ligação à Capitalia para pressionar – e eventualmente desmantelar – a AS Roma, um clube que vencera o campeonato em 2001 e que insistia em não acatar as instruções de Turim. Em 2004, Luciano Moggi decidiu contratar o treinador Fabio Capello e o médio brasileiro Emerson, da AS Roma. E utilizou, para isso, a influência do Capitalia. O clube romano devia, nessa altura, mais de 150 milhões de euros ao banco. O Capitalia deixou bem claro que qualquer resistência aos desejos da Juventus provocaria um corte imediato da linha de crédito e complicaria as negociações da AS Roma com a Sky com vista à venda dos direitos televisivos. Franco Sensi, proprietário da AS Roma, acabou por ceder.

Media

A influência de Moggi chegava ao ponto de controlar “Il Processo di Biscardi”, um programa muito popular – transmitido à segunda-feira pelo canal La7 da televisão italiana – onde se fazia a análise das jogadas mais duvidosas do fim-de-semana. Numa das conversas telefónicas, ouve-se Moggi a dar instruções a Biscardi para que um golo que a Juventus marcou em claríssimo fora-de-jogo fosse transformado num “lance duvidoso, um erro compreensível do árbitro”. O canal cancelou o programa na sequência do escândalo das escutas. Em 2005, o diário “La Gazzetta dello Sport” suspendera a coluna semanal de análise aos lances duvidosos que era escrita pelos responsáveis pela nomeação dos árbitros. Na altura, o director do jornal nunca justificou a decisão, tomada na sequência de uma coluna particularmente facciosa a favor da Juventus. Fê-lo agora – com um ano de atraso.

Futebolistas

A Gea World SpA é uma das protagonistas do escândalo. Fundada em Outubro de 2001 por filhos de grandes figuras do mundo do futebol e da finança, a empresa tem uma carteira de futebolistas/clientes com mais de duas centenas de nomes. Além de Chiara Geronzi (Capitalia), a Gea conta ainda com a colaboração de Davide, filho do actual seleccionador nacional, Marcello Lippi. Muitos jogadores estavam convencidos de que a Gea lhes abriria a porta para a internacionalização com a camisola da selecção italiana. A empresa, dirigida por Alessandro Moggi (filho de Luciano), Franco Zavaglia e Riccardo Calleri, teve lucros de seis milhões de euros nos últimos cinco anos. As suas ramificações estendem-se a todo o mundo do futebol, empregando homens de confiança como Aldair – “olheiro” da Gea para o mercado brasileiro (em Portugal, o “canal de preferência” é Dimas, o antigo jogador da Juventus que recentemente lançou a agência de “football management” JOD, com sede em Cascais). Nas últimas épocas, a Gea monopolizou quase por completo o mercado italiano de transferências de jogadores e de treinadores (Gigi Del Neri, ex-treinador do FC Porto, é um dos cerca de 30 técnicos representados pela Gea). Quando um clube se negava a vender jogadores à Juventus, Moggi aconselhava esses jogadores – como aconteceu com Cannavaro, Emerson ou Ibrahimovic – a jogar mal e fingir depressão. As autoridades estão a analisar, igualmente, os contratos de vários jogadores da Juventus por suspeita de pagamentos ilegais.
Polícia
Luciano Moggi mantinha contactos estreitos com polícias das corporações de Turim, Nápoles e Roma. Alguns deles – incluindo um graduado supostamente encarregado de combater a corrupção no futebol – colaboravam directamente com Moggi, fornecendo informações ou actuando como guarda-costas. Em troca, Moggi oferecia prendas, bilhetes para jogos e acesso às grandes estrelas do futebol.

Sinais do passado

Luciano Moggi era provavelmente a figura mais poderosa e obscura do futebol italiano. Nascido em Julho de 1937, Moggi iniciou-se na carreira de dirigente desportivo profissional na década de 70. Passou por vários clubes, incluindo Roma, Lázio, Torino, Nápoles e, desde 1994, Juventus. A passagem pelo Torino ficou marcada, aliás, pelo primeiro escândalo. Uma investigação jornalística revelou, na altura, que Moggi contratara várias prostitutas para “adocicar” os árbitros dos jogos do Torino na Taça UEFA de 1991/92. A equipa chegou à final depois de eliminar cinco adversários (incluindo o Boavista) e sempre com vitórias em casa. Uma das prostitutas, Monica Morini, revelou que tinha sido contratada para “fazer companhia” a um senhor estrangeiro – um dos árbitros – hospedado num hotel da cidade. O caso chegou ao tribunal de Turim e Luciano Moggi argumentou, em sua defesa, que nunca contratara qualquer prostituta: “Apenas solicitei os serviços de intérpretes”, disse ele, acrescentando, no entanto, que era “prática corrente” oferecer presentes aos árbitros. O tribunal não conseguiu provar a ligação entre as prostitutas e Moggi ou o Torino. A UEFA ignorou o caso. "
Paulo Anunciação

1906

Luta & Resiste!

domingo, 16 de dezembro de 2007

12. Arbitragem no fio da espada...



Taça Nacional

SCPortugal vs UDLouletano
Uma tarde tranquila
Com poucos erros ao longo dos 90 minutos, o madeirense Marco Ferreira não reclamou protagonismo na partida e não foi obrigado a decisões difíceis. No único lance de dúvida, na área do Louletano, ajuizou bem, apesar de Vukcevic reclamar um corte com a mão de um defesa visitante. Nem sempre foi bem auxiliado, uma vez que um dos seus assistentes, Sérgio Lacroix, se precipitou ao assinalar indevidamente alguns foras-de-jogo aos avançados do Sporting.


Liga dos Campeões

SCPortugal vs Dínamo Kiev
Experiência como virtude
Experiente, o escocês Stuart Dougal teve uma actuação serena e discreta, decidindo quase sempre bem nos capítulos técnico e disciplinar. Sem dúvidas no lance em que Nesmachniy fez falta (sobre Liedson) para grande penalidade (34'), foi bem acompanhado pelos assistentes - também eles rigorosos - em toda a partida.

Campeonato nacional

SCMarítimo vs SCPortugal
Controlo disciplinar
Jorge Sousa deixou jogar, mas teve sempre o desafio na mão. Aos 31', lidou a contento com o momento de maior agitação, ao punir Polga e Kanu com cartão amarelo. Após a "cambalhota" no marcador, insistiu na rédea curta. Rigoroso, foi apenas traído por um dos seus auxiliares no lance do segundo golo dos leões.

CFBelenenses vs SLBenfica
Apenas um lapso
Paulo Batista realizou um trabalho seguro, embora tivesse tido um lapso: aos 14', deixou passar em claro uma falta de David Luiz sobre Roncatto. Era livre directo. Aos 81', ajuizou bem o lance de Cardozo, anulando o golo ao ponta-de-lança paraguaio.

FCPorto vs VGuimarens
Tiques de protagonista
Olegário Benquerença teve direito ao protagonismo tão apreciado pela arbitragem portuguesa, mostrando o amarelo que deixará Quaresma fora da próxima jornada. E, imagine-se, Quaresma sofreu mesmo falta, nem sequer simulou. Não havia necessidade. Os golos do FC Porto são ambos legais.

1906

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

11. Arbitragem no fio da espada



MUnited vs SCPortugal

Critérios decisivos
Bo Larsen não teve uma noite muito complicada, mas teve decisões� discutíveis - com provável influência no resultado: aos 26', entende que Liedson estava adiantado no momento do tiro de Polga e anula, de forma discutível, o golo que seria o 0-2. Aos 59', poupa segundo amarelo a Had, após corte com a mão.


SCPortugal vs UDLeiria

Ficou um penálti por marcar a favor do leiria
A equipa de arbitragem comandada por Rui Costa teve vários casos bastante complicados para analisar. No entanto, a avaliar pelas opiniões dos ex-árbitros que compõem o painel de O JOGO, apenas terá errado flagrantemente numa situação de golo iminente. Foi logo aos 14' que, na área leonina, o eslovaco Marian Had agarrou Paulo César, pelo que deveria ter sido assinalada uma grande penalidade a penalizar o conjunto leonino. Já perto do fim, três ex-juízes consideram ter sido mal anulada uma jogada ao ataque sportinguista, por pretenso fora-de-jogo. Apesar de não haver unanimidade, fica a nota...

SLBenfica vs FCPorto

Dois lances polémicos
Alguns equívocos e incoerências disciplinares não comprometeram Jorge Sousa. Entre os lances mais difíceis de avaliar estão uma queda de Lisandro na área encarnada, aos 13', provocada (?) por David Luiz, e um lance em que Di María parece ter sido derrubado por Fucile.

1906
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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

10.Arbitragem no fio da espada...


SCPortugal vs LeixõesSC

Deixar jogar sem complicar
Paulo Paraty teve uma arbitragem equilibrada num jogo sem casos e procurou deixar jogar, sem interromper demasiado a fluidez do jogo nem abusar dos cartões. Fica apenas a dúvida na cor do cartão exibido a Liedson, aos 45'+2', mas foi coerente nos critérios.


AACoimbra vs SLBenfica

Nuno Assis terá sofrido um penálti logo a abrir
Ocorreu bem cedo a jogada de maior polémica neste desafio. Aos quatro minutos, Nuno Assis está bem enquadrado à entrada da área da Académica, chega a rematar em direcção à baliza de Ricardo, mas, simultaneamente, parece ter sido tocado no pé de apoio. Ainda que não seja absoluta, a maioria (três contra um) de opiniões do painel de arbitragem de O JOGO, indica que terá ficado por assinalar uma grande penalidade contra a Briosa. No mais, todas as restantes situações questionadas, aos quatro integrantes do painel, mereceram, na sua globalidade, uma opinião positiva.


FCPorto vs VFCSetúbal


Não viu o penálti
Um penálti cometido por Robson sobre Lisandro - agarrou e rasteirou - e uma obstrução do mesmo jogador a Quaresma à entrada da área, são os dois factos mais mediáticos do mau trabalho de Carlos Xistra. As palavras já quase estão gastas, mas, uma vez mais, tudo se resume ao critério. Em 90 minutos Xistra mudou de critério tantas vezes, que ficou por se saber se era exigente ou preferiadeixar jogar. Por isso houve amarelos exagerados e outros que ficaram no bolso.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

9.Arbitragem no fio da espada...


SCPortugal vs ASRoma
Um caso bicudo

Aos 13', o lance mais difícil para De Bleeckere: Doni, trapalhão, não consegue agarrar a bola (rematada por Abel), e esta acaba por transpor claramente a linha de golo… após Liedson se ter intrometido na luta com o guardião e de, no juízo do belga, ter feito falta. No mais, um reparo: Vucinic, no fim, podia ter sido expulso.


SCBraga vs SCPortugal
Yannick Djaló deveria ter sido penalizado

Os especialistas de O JOGO são unânimes em considerar que Yannick Djaló teve um comportamento violento num lance que envolveu João Pereira, no qual o árbitro Carlos Xistra não sancionou disciplinarmente o jogador do Sporting. E reagem da mesma forma, com a excepção de António Rola, em relação à maneira como o central Tonel derrubou João Pinto num lance que poderia criar grande perigo para a defesa sportinguista. A maioria considerou que o cartão amarelo foi pouco, António Rola aceitou-o. Já o lance de Frechaut na área do Braga não gerou polémica, pois não viram intenção de desvio da bola com a mão.

SLBenfica vs BoavistaFC
Ainda faltou um vermelho

Paulo Paraty acabou por realizar um trabalho desequilibrado, sobretudo por ter deixado Ricardo Silva continuar no relvado depois de uma entrada dura sobre Cardozo (73'). Aliás, o internacional paraguaio abandonou o jogo pouco depois, lesionado. O juiz do Porto decidiu bem, no entanto, nas duas grandes penalidades, a primeira sobre Nuno Gomes, a segunda sobre Rodríguez, e também aplicou bem a lei no vermelho a Zé Kalanga, aos 55'.

Estrela Amadora vs FCPorto
Só a disciplina por acertar

Uma entrada duríssima de Anselmo sobre Helton foi ignorada, mas talvez merecesse outra atenção do árbitro. Wagnão também não foi brando com as pernas de Quaresma, mas viu o amarelo, e Bruno Alves talvez também pudesse ter evitado o contacto com Anselmo, numa jogada disputada a dois. No penálti, nada a dizer.

1906

Luta & Resiste!